<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779</id><updated>2012-02-17T02:09:06.402-02:00</updated><category term='Tilara Serpa'/><title type='text'>BUSCAAPÉ - Caminho de Santiago e Caminho do Sol</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>51</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-9176076927565816636</id><published>2011-05-20T11:34:00.001-03:00</published><updated>2011-05-20T11:40:35.200-03:00</updated><title type='text'>O PRÓXIMO CAMINHO: PASSOS DE ANCHIETA!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sete longos anos se passaram desde o último caminho percorrido por mim. E ontem, aconteceu tudo novamente. O sonho de percorrer mais um caminho virou realidade! Sou um palco de sensações! Todos os sentimentos voltaram, misturados às coisas práticas da vida, que hoje não pertence só a mim, mas a família que formei. Programar toda a vida deles enquanto eu estiver ausente e, ao mesmo tempo, arrumar a mochila, decidir o que levarei comigo, tirar peso das costas e da alma!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Que felicidade! Não consigo conter as lágrimas que ora são de saudade antecipada dos meus pequenos e ora de emoção de estar caminhando mais uma vez!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O Caminho escolhido: Passos de Anchieta. Tantas coisas me esperam, tantas já programei. Tenho uma grande amiga para rever: Micheline. Parceira de trabalhos, de risos e de ombros para chorar! Tatá, vizinho da casa onde passei a infância é como um tio para mim. Beto Gelo, outro amigo de infância, que morava no mesmo condomínio também está em Vitória. Será que conseguirei conciliar o Caminho e os reencontros?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Dessa vez não vou sozinha! Caio, meu cunhado e grande amigo me acompanhará. E juntos, sairemos ao encontro de um grande sonho, desejado intensamente por nós durante 10 anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E lá vamos nós!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ultreya!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-9176076927565816636?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/9176076927565816636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=9176076927565816636&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/9176076927565816636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/9176076927565816636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2011/05/o-proximo-caminho-passos-de-anchieta.html' title='O PRÓXIMO CAMINHO: PASSOS DE ANCHIETA!'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-7866013507003781730</id><published>2009-11-16T22:44:00.008-02:00</published><updated>2010-07-21T16:39:15.059-03:00</updated><title type='text'>ARTEMIS - ÁGUAS DE SÃO PEDRO - 11º DIA</title><content type='html'>O dia amanheceu com aquele friozinho típico das regiões serranas. Dei uma espiadinha na paisagem antes de colocar o pé na estrada. Uma neblina forte impedia-me ver mais de 5 metros à frente. Voltei para o café da manhã. Ah, como é bom tomar um cafezinho quente feito nos coadores de pano! Sentirei saudade das comidinhas das fazendas e seus fogões à lenha! Mais uma vez, depois da gula, a estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não lembro de ter dormido naquela noite. Meus pensamentos voavam, iam até Santiago, aos amigos peregrinos, às últimas conversas antes da chegada, à caminhada noturna até o Monte do Gozo. Queria poder contar a todos a aventura de ter percorrido um outro Caminho, bem diferente daquele cheio de fantasia. Queria poder expressar a alegria de estar chegando novamente ao destino sonhado, ao mesmo tempo, sentia-me mal por não estar dividindo aqueles sentimentos com os companheiros que estavam na mesma jornada. E eu entendi, finalmente, que eles sempre estiveram abertos para viver o Caminho do Sol e eu não. Daí, resolvi que no último dia, torcendo para que não fosse tarde demais, abriria meu coração para todos, verdadeiramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomamos café em companhia do Seu Egydio e seu espírito alegre e saímos todos juntos. Tivemos que partir juntos, pois a travessia do Rio Piracicaba era feita numa balsa e ela não estava à nossa disposição. Tínhamos horário a cumprir!!! Já acomodada na balsa, avistei a terra firme, Seu Egídio e e sua caminhonete azul ficando para trás. De certa forma, a Tilara de antes também ficava por ali, mais uma vez o Caminho me transformava! Enquanto o balanço do Rio nos guiava, eu ia observando as reações de todos do grupo. Os extrovertidos estavam quietos, os quietos estavam excitados, tirando fotos e falando todo o tempo. Sem exceção, todos relembravam os dias de caminhada até ali. De repente, um silêncio, um vazio! A balsa atracava na margem oposta do Rio. Era a última etapa daquele sonho. Quem seríamos depois daqueles passos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acenamos para Seu Egydio lá ao longe e seguimos em frente. Dali pra frente, aconteceu de tudo um pouco! Com a neblina, ficava difícil enxergar as setas amarelas e, por isso, andei algumas horas de cabeça baixa, olhando onde pisava atentamente. Quando enfim o Sol deu o ar de sua graça, me vi na companhia das meninas e estávamos perdidas. Nada de setas! Nada de meninos! Tudo era cana! E das altas!!! Não se via nada ao longe. a dúvida era: voltar por onde achávamos ter vindo, ou tentar seguir uma das muitas entradinhas no meio do canavial? Podíamos ficar rodando um dia inteiro sem achar saída! Resolvemos arriscar uma das muitas trilhas e as demais peregrinas disseram que eu deveria guiar o grupo, pois era a mais experiente em Caminhos. Caramba! Que responsabilidade! Mas eu estava confiante e forte naquele dia e sem titubear, aceitei cumprir o proposto com muito amor!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Andamos por um bom tempo caladas. Depois de muito andar, por vezes abrindo caminho à força com meu cajado, chegamos à uma estradinha de terra. Intuí que deveríamos ir para a esquerda e eis que surgiu uma seta amarela! Estávamos de volta! Mais uma vez me perdi no último dia de peregrinação! E como a Arte, o Caminho também imita a vida! Eu sempre me perco nos meus caminhos rumo aos meus objetivos e tenho que fazer muita força para chegar lá! Ali foi igual! Juntei os cacarecos e segui firme e forte!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dali em diante, tudo era festa! Fomos conversando alegremente, até que avistamos o posto de gasolina, última parada antes da entrada da cidade. Estávamos perto, muito perto mesmo! Uns 4km e chegaríamos a Águas de São Pedro. Tocaríamos o sino na entrada da Casa de Santiago! O Caminho chegava ao fim e o que seria dali pra frente? Toda aquela emoção de Santiago voltando, o frio na barriga, o fim que era o começo, tudo! Sei que nem dei bola para o lanche, água e demais prazeres gastronômicos que a lojinha de conveniência do posto poderia me oferecer. Queria mais era sentir o Caminho dentro de mim novamente, sentir o pé firme no chão, o prumo no rumo certo, a esperança de uma vida nova! Segui como diria meu amigo de escola Luri: "reto, direto e com força" ao encontro de Tiago, o Santo. Passei pelo portal de entrada de Águas e continuei pela simpática ruazinha paralela à grande avenida, seguindo as setas amarelas, "amigas velhas de guerra" (expressão muito usada pelo meu paizão). Depois de uma curva, passei em frente à Igreja da cidade e logo depois de subir uma pequena ladeira, lá estava eu, diante do meu destino. Toquei aquele sino freneticamente, como se fosse um grito preso há muito na garganta. Esse também foi liberado: "Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, chegueiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, conseguiiiiiiiiiiiiiiiiii! Corri até a imagem de Santiago e fiquei ali por um bom tempo. As meninas chegaram, foram recepcionadas por suas famílias, tiraram fotos e eu ali. Nos despedimos e eu segui ali, parada. Percebi que, como eu, Zico também não teria sua família ou amigos para recepcioná-lo, então resolvi esperá-lo. Nunca pensei que esse gesto despertaria nele o peregrino perdido em Santiago. Isso fez com que ele visse o Caminho do Sol com outros olhos, assim como eu vi que cada caminho é único. Na saída da Casa de Santiago, a surpreendida fui eu! Lá estavam Ana Pupo, minha companheira de internet nas madrugadas pós-Santiago, Marisa, outra cyber amiga e Marilene, peregrina que morava em Piracicaba, todas esperando por mim! Não consigo descrever a emoção e felicidade que senti naquele momento! Fiquei tão pasma, que emudeci! E olha que isso é raríssimo! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Propus as meninas esperarem comigo pelo Zico. Na hora que ele nos viu, esperando-o perto da imagem de Santiago, de braços abertos, caiu em prantos. Parecia uma criança. Ainda hoje, anos depois (e muitas outras idas dele ao Caminho do Sol), Zico sempre escreve contando esse acontecimento aos amigos peregrinos na internet. Não serei modesta e confesso que, cada vez que leio isso, fico orgulhosa de ter tido essa ideia. E o faria mil outras vezes, por ele ou qualquer outro peregrino que viesse depois de mim naquele dia. Como fiz no ano seguinte na comemoração do aniversário do Caminho do Sol, mas isso é uma outra história que contarei brevemente...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por enquanto, quero agradecer a todos as visitas ao blog, a paciência por terem lido meus relatos (que escrevi de peito aberto, contando os acertos e também os erros, sem medo de críticas!!!) e o carinho dos comentários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até breve! Ultreya y Suseya!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-7866013507003781730?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/7866013507003781730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=7866013507003781730&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7866013507003781730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7866013507003781730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2009/11/artemis-aguas-de-sao-pedro-11-dia.html' title='ARTEMIS - ÁGUAS DE SÃO PEDRO - 11º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-896775531826492172</id><published>2009-02-11T21:55:00.002-02:00</published><updated>2009-06-25T23:49:36.929-03:00</updated><title type='text'>MONTE BRANCO – ARTEMIS – 10º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dia amanheceu com aquele friozinho típico das regiões serranas. Dei uma espiadinha na paisagem antes de colocar o pé na estrada. Uma neblina forte impedia-me ver algo que estivesse a mais de 5 metros à frente. Voltei para o café da manhã. Ah, como é bom tomar um cafezinho quente feito nos coadores de pano! Mais uma vez, depois da gula, a estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter entendido de uma vez por todas que o Caminho do Sol era diferente de Santiago, aquela paisagem encoberta pela neblina, o clima de montanha e o verde da mata me remeteram à Galícia. Quando me dei conta de que os caminhos eram diferentes, vi que também eram iguais! Irônico, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o dia mais bonito de toda a caminhada. As casinhas que beiravam a estradinha de terra, a igrejinha do bairro espanhol Floresta, o Monte Branco que dava nome ao lugarejo, tudo era lindo! A única coisa que me deixou triste foi encontrar um cavalo deitado na beira da estradinha, gemendo de dor. Fiquei pensando se eu teria coragem de aliviar seu sofrimento. Admiro quem consegue ter sangue frio para tal coisa. Daquele momento em diante, só pra variar, minha cabeça começou a “viajar” nas mais loucas idéias:&lt;br /&gt;— “Será que os animais são espíritos em evolução? E, se algum dia fui um bichinho, trago nessa encarnação algum tipo de resquício animal? E de qual animal seria?”&lt;br /&gt;A única resposta que tive foram os latidos insistentes dos cachorros. Dava até medo! Parece que todas as casas na beira da estrada tinham cachorro e nenhum deles estava para brincadeiras. Vai ver eu tinha algum resquício felino que os incomodava (risos!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo caminhando sozinha, encontrei a Adriana de carro com mais dois peregrinos do grupo. Por razões que vocês verão a seguir, não poderei citar seus nomes. Pois bem, essas duas pessoas pegaram carona com Adriana para o centro de Ártemis, dizendo que era impossível pernoitar na fazenda do Seu Egydio Mauro. Era tudo que eu queria evitar! O dia estava incrivelmente maravilhoso e eu não precisava passar por mais essa! Resolvi entrar no carro para conversar melhor com eles e ver se realmente estavam certos de suas decisões. No caminho até o centro, não faltaram reclamações. Me diziam que passaríamos frio e que os banheiros não tinham tampas nas privadas. Achei graça de tudo aquilo. Mais uma vez a história das tampas! Eles achavam que assim era mais higiênico, o que poderíamos fazer?! Percorremos todo o lugar sem encontrar um lugar diferente para passar a noite. Resolvemos voltar. Eu pedi para que me deixassem no mesmo lugar onde havia parado de caminhar e continuei à pé rumo à fazenda “quenãotinhatampanaprivada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que o carro de Adriana sumiu na poeira, uma cobra atravessou o meu caminho. Em Santiago também aconteceu a mesma coisa! Seria mau presságio sinal de sabedoria? Sempre cheia de esperança, preferi acreditar que era sabedoria. Tenho certeza que cada passo que damos na vida nos ensina alguma coisa e nos dá a oportunidade de crescer, mudar e corrigir falhas. Claro que tudo isso só acontece quando estamos abertos ao mundo que está à nossa volta. O Caminho do Sol me ensinou a colocar os pés no chão, ver a realidade com verdade, nua e crua. Só assim pude ver meus defeitos mais profundamente escondidos e mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei por aproximadamente uma hora até chegar na Fazenda do Seu Egydio. Tenho que confessar que cheguei ali no dia certo. As acomodações eram bem simples mesmo, mas o importante era curtir a hospitalidade da família e a boa prosa do Seu Egydio. Ele me contou que uma vez fez uma peregrinação até Pirapora, mas que não tinha nada “dessas parafernálias” que usamos. Ele tinha ido de calça jeans e que as botas que usava na fazenda logo encheram seus pés de bolhas e ele acabou o percurso descalço! Ele era uma figura! Um sotaque caipira bem forte, uma simpatia sem tamanho e milhões de histórias para contar! Adorei passar a tarde batendo papo com ele, bebendo uma gelada para espantar o calor. Depois, descemos de carro até o lugar que ele chamava de rancho. Uma senhora casa feita de tijolos e bem antiga na beira do Rio Piracicaba. Perguntei a ele porque não podíamos ficar ali. Ele me respondeu que ainda iria reformar o rancho para receber os peregrinos. Prometi que um dia voltaria para comer um churrasco quando a obra estivesse concluída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, após o maravilhoso jantar feito no fogão à lenha, Zico e eu ficamos de papo com Seu Egydio até tarde. Era a última noite no Caminho. No dia seguinte tudo terminaria. Cada um seguiria para sua casa, sua vida. Mais uma vez a vontade de continuar andando, conhecendo caminhos, pessoas, dando a cara à tapa, encarando defeitos, crescendo, mudando, vivendo! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-896775531826492172?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/896775531826492172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=896775531826492172&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/896775531826492172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/896775531826492172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2009/02/monte-branco-artemis-10-dia.html' title='MONTE BRANCO – ARTEMIS – 10º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-1832068333702970487</id><published>2009-02-02T12:04:00.001-02:00</published><updated>2009-02-10T20:25:07.143-02:00</updated><title type='text'>CLUBE ARAPONGAS – MONTE BRANCO – 9º DIA</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Acordei super bem, apesar da noite mal dormida. Tomei um café da manhã rápido e parti. O dia estava agradável e eu, enfim, estava me rendendo ao Caminho do Sol. Já tinha percebido que não adiantava mais compará-lo ao Caminho de Santiago. Foi uma ótima descoberta, pois só assim, pude curtir o clima, os demais integrantes do grupo, a paisagem e a energia do Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A etapa foi tranqüila, sem nenhuma mudança de humor (da minha parte). Era hora de curtir a viagem que eu havia programado! Atravessei as plantações de cana, tive minha primeira bolha no pé, passei um calor danado sem água, mas mesmo assim não me deixei levar. Segui sempre alegre naquele dia. Quando cheguei a Monte Branco, encontrei a casa de Adriana. Uma casinha simples, mas cheia de hospitalidade. Os demais peregrinos foram chegando e alguns comentaram que não haviam gostado de lá. Eu estava maravilhada com tudo! Era outra pessoa. Lavei roupas no tanque, tomei banho frio, fiquei de papo com Adriana na cozinha. Eu voltava a ser eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a noite caiu, o grupo se reuniu para bater papo na varanda. Foi muito bom! Minhas más impressões se desfizeram e eu, enfim, começava a me relacionar de verdade com os demais peregrinos. Consegui perceber que as senhoras de Holambra não poderiam agir como peregrinas de Santiago e isso era muito bom! Elas não tinham compromisso religioso e tampouco o de fazer todo o percurso à pé, carregando o peso dos “pecados” nas costas. Era isso que me incomodava: a liberdade e a leveza com que percorriam o Caminho do Sol. Uma pena que eu tenha deixado de me cobrar perfeição somente no penúltimo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite foi maravilhosa, com bons sonhos e esperança renovada.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-1832068333702970487?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/1832068333702970487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=1832068333702970487&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1832068333702970487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1832068333702970487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2009/02/clube-arapongas-monte-branco-9-dia.html' title='CLUBE ARAPONGAS – MONTE BRANCO – 9º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8775410103294381279</id><published>2008-12-31T00:14:00.002-02:00</published><updated>2008-12-31T00:23:11.655-02:00</updated><title type='text'>FELIZ 2009!</title><content type='html'>QUERIDOS,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEI QUE ANDO UM POUCO AFASTADA, MAS É POR UM BOM MOTIVO. EM NOVEMBRO NASCEU MEU SEGUNDO FILHO. É COMO DIZEM POR AÍ: SER MÃE É PADECER NO PARAÍSO.&lt;br /&gt;MINHA META PARA 2009, MAS PRECISAMENTE JANEIRO DE 2009 É CONCLUIR MEU DIÁRIO SOBRE O CAMINHO DO SOL. POR ENQUANTO, ESTOU AJUSTANDO O HORÁRIOS DAS MAMADAS E TROCAS DE FRALDAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESEJO A TODOS UM ÓTIMO 2009 E FICA AQUI MEU DESEJO (DA MÚSICA DE FREJAT)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te desejo não parar tão cedo       &lt;br /&gt;Pois toda idade tem prazer e medo&lt;br /&gt;E com os que erram feio e bastante&lt;br /&gt;Que você consiga ser tolerante&lt;br /&gt;Quando você ficar triste&lt;br /&gt;Que seja por um dia, e não o ano inteiro&lt;br /&gt;Que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero     &lt;br /&gt;Desejo que você tenha a quem amar    &lt;br /&gt;E quando estiver bem cansado  &lt;br /&gt;Ainda, exista amor pra recomeçar   &lt;br /&gt;Pra recomeçar    &lt;br /&gt;Eu te desejo, muitos amigos&lt;br /&gt;Mas que em um você possa confiar      &lt;br /&gt;E que tenha até inimigos &lt;br /&gt;Pra você não deixar de duvidar&lt;br /&gt;Quando você ficar triste &lt;br /&gt;Que seja por um dia, e não o ano inteiro&lt;br /&gt;Eu desejo que você ganhe dinheiro&lt;br /&gt;Pois é preciso viver também&lt;br /&gt;Que você diga a ele, pelo menos uma vez,&lt;br /&gt;Quem é mesmo dono de quem&lt;br /&gt;Desejo que você tenha a quem amar&lt;br /&gt;E quando estiver bem cansado&lt;br /&gt;Ainda, exista amor pra recomeçar&lt;br /&gt;Pra recomeçar, pra recomeçar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8775410103294381279?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8775410103294381279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8775410103294381279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8775410103294381279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8775410103294381279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/12/feliz-2009.html' title='FELIZ 2009!'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-5899529211622214791</id><published>2008-10-07T17:11:00.003-03:00</published><updated>2008-10-07T17:25:33.284-03:00</updated><title type='text'>ESCLARECENDO...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Olá Amigos peregrinos e blogueiros!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostaria de esclarecer que percorri ambos os Caminhos há bastante tempo. Santiago em 2001 e Sol em 2003. Muitas coisas mudaram: alguns albergues a mais, outros a menos, melhorias em uns, piora em outros e, inclusive, mudança de traçados nas cidade onde passamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Queria muito que todos compreendessem que cada um tem uma percepção diferente de cada caminho e eu mesma já tenho idéias diferentes das que eu tinha naquela época. Como escrevo aos poucos, narrando cada dia da minha peregrinação, algumas pessoas podem se assustar com meus comentários e desistir de caminhar. Lembrem-se que eu estou expondo a minha experiência, tentando inclusive não deixar de fora os erros e defeitos, porque acho que aprendemos muito com eles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, para que não se faça injustiça, trancrevo aqui o comentário do meu amigo CHEFANJO (uns dos anjos do Caminho do Sol - grupo que se dedica a ajudar os peregrinos e os hospitaleiros):&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"A bem da verdade, não se caminha em linha reta neste trecho por conta dos muitos riachos e ribeirões existentes em meio ao canavial, o que obriga os caminhantes a contorná-los, passando pelas pontes existentes, Por outro lado, não é demais lembrar que os carreadores de cana por onde caminhamos foram feitos e servem aos interesses dos canavieiros, sendo muitas vezes (quase sempre) muito diferentes dos interesses dos caminhantes (rsrsrsrs).Realmente Arapongas passou por grande transformação por conta do trabalho de voluntários que se dedicaram e se dedicam ao albergue e ao riso (rsrsrs)."&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faço isso de coração, porque hoje conheço muito bem como funciona a parte burocrática e administrativa do Caminho do Sol e também vi a melhoria feita em Arapongas. Pena não ter tido esse conhecimento antes de caminhar, mas acredito que assim, não teria ficado face a face com meus defeitos e não teria aprendido tantas lições.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tilara&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-5899529211622214791?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/5899529211622214791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=5899529211622214791&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5899529211622214791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5899529211622214791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/10/esclarecendo.html' title='ESCLARECENDO...'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-6371828238229579341</id><published>2008-10-04T13:22:00.002-03:00</published><updated>2008-10-04T13:25:25.857-03:00</updated><title type='text'>MOMBUCA – CLUBE ARAPONGAS – 8º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pela manhã, fomos acordados ao som de uma música suave e aroma de incenso. Tudo muito delicado, ao estilo da hospitaleira Kátia. Arrumei a mochila, preparei o agasalho, pois estava com cara de bastante frio na rua. Subi a rampa em direção à cozinha para saborear o café da manhã. Kátia havia preparado pequenos potes de iogurte com frutas e cereais, café e pão com manteiga e queijo. Tudo muito caprichado e separado em embalagens individuais. Alguns resolveram comer ali mesmo, outros, seguiram em frente e guardaram tudo para um lanche no meio do trajeto. Eu não agüentava sair sem tomar um bom café da manhã! Era capaz de suportar um dia inteiro sem comida, mas nunca sair de casa sem comer como uma rainha. Despedi-me de Kátia e segui caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma neblina forte na saída de Mombuca, o que me fez lembrar da descida do Cebreiro. Segui sozinha por um bom tempo. Sempre com o pensamento em Santiago. Já estava um pouco mais conformada, até porque, ao conversar com a Kátia, vi que ainda não estava preparada para voltar a Compostela. Ela me pareceu mais apaixonada e disposta a largar sua vida no Brasil e viver em prol do Caminho. Eu ainda tinha vaidades a serem superadas e o Caminho do Sol estava me ajudando a percebê-las. Só iria consertá-las com o tempo e ao reviver o Caminho do Sol e conviver com seus peregrinos, iria descobrir muitos outros defeitos e aprender a lidar da melhor forma possível com eles. Aquele dia foi o mais cruel para mim. A neblina foi embora e a paisagem era dura, pois a cana estava alta e não via nada pela frente a não ser estrada de terra e poeira. Além disso, o dia estava extremamente quente e, eu percebia por vezes que o sol ora batia de frente, ora de lado e, às vezes nas minhas costas. Tentava de todo o jeito entender porque estava dando voltas pela cana e não simplesmente seguindo para a mesma direção. Aquilo foi me deixando num estado de raiva e indignação tamanha, que comecei a pensar que se seguisse uma reta, chegaria em Arapongas em cinco minutos. Para completar, minha água estava acabando e o pouco que restava mais parecia um chá quente. Ao longo do dia, minha raiva foi aumentando e quando, enfim encontrei os demais peregrinos do meu grupo, pude descarregar meus pensamentos. Acho que acabei contagiando todos com aqueles pensamentos e o clima ficou mais quente. Ao caminhar, quando sentíamos a mudança da direção do sol, ficávamos bem tensos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pela metade do dia, um carro aproximou-se de nós. Era um rapaz trazendo água e dizendo que ainda faltavam uns 10 quilômetros até Arapongas. Perguntou se alguém queria carona ou que levasse a mochila e, juro que pensei em pular na caçamba daquele carro! Tentei conter meus desejos, porque queria cumprir todas as etapas com a mochila nas costas e sem pegar caronas. Devia isso a mim mesma, devido à culpa que sentia por ter “burlado” a peregrinação em Santiago. O que me deixou mais p. da vida foi a resposta que o rapaz em deu ao perguntar por que estávamos andando em círculos:&lt;br /&gt;— “Acho que para a etapa poder ter a quilometragem ideal para o caminho”.&lt;br /&gt;Como assim?! — pensei. Quer dizer que realmente Arapongas era mais perto e estávamos andando em círculos só para que a etapa tivesse X quilômetros? Nossa! Como fiquei macha naquela hora! Comecei a gritar um monte de palavrões, achei tudo aquilo um absurdo, comecei a desferir ofensas para todo o lado. Eu estava morta de sede, cansaço e caminhando horas no meio do matagal (porque aquela cana para mim era um mato sem fim!) à toa? A única coisa boa daquele episódio todo foi que apertei o passo de um jeito, que cheguei no albergue super rápido.  Para completar o dia, Arapongas era um clube de campo de bocha e a escola que ficava apegada à sede era o lugar onde dormiríamos. Estava tudo muito bagunçado! Um monte de colchões no chão, mesas e cadeiras espalhadas por toda a sala e para completar o chuveiro que funcionava estava no banheiro do lado de fora da escola. Tomei um banho super rápido, pois estava ficando frio e a água que caía não dava conta de esquentar o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas só melhoraram para o meu lado quando sentei para jantar. O casal hospitaleiro foi muito simpático e nos recebeu com muita alegria. A comida estava maravilhosa e eu até tomei umas cervejinhas para relaxar. De resto, a noite que nos esperava era de muito frio e dormi muito mal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1- Hoje em dia, Arapongas deixou de ser escola e graças a um grupo maravilhosos conhecido por Anjos do Caminho, tornou-se um lugar aconchegante de pouso no caminho do Sol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-6371828238229579341?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/6371828238229579341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=6371828238229579341&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6371828238229579341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6371828238229579341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/10/mombuca-clube-arapongas-8-dia.html' title='MOMBUCA – CLUBE ARAPONGAS – 8º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-1920827188112027271</id><published>2008-08-25T10:28:00.000-03:00</published><updated>2008-08-25T10:29:09.067-03:00</updated><title type='text'>FAZENDA MILHÃ – MOMBUCA – 7º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de uma noite mal dormida e sentindo muito frio, acordei mal humorada. Sabe aqueles dias que você não deseja olhar para a cara de ninguém? Pois é, a Cristina, dona da Milhã, apareceu para se despedir de nós. Quando ela perguntou se havíamos passado a noite bem, todos, sem exceção, “soltaram as bruxas”. Pelo jeito, eu não era a única que havia acordado com o pé esquerdo. Depois, ao conhecer melhor a Cristina, me arrependi de ter participado do motim. Isso só aconteceu quando retornei ao caminho do Sol como voluntária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo da Milhã “a milhão”, não queria passar mais nem um segundo sequer ali, segui me perguntando o porquê de não ter desistido daquele Caminho lá em Cabreúva. Bom, já estava ali mesmo, o negócio era continuar. O pior foi constatar que a poucos quilômetros dali, tinha uma cidade. Aí sim, fiquei muito brava! Eu havia perguntado ao pessoal da Milhã se não havia um hotel ou pousada para dormir perto dali e todos me disseram que não. Cheguei à cidade em menos de uma hora caminhando, o que significava uns dez minutos de carro! Ali eu juro que quase desisti! Minha vontade era entrar em todas as lojas, fazer compras, gastar o meu cartão de crédito e voltar para o Rio carregada de lembrancinhas da minha viagem turística pelo interior de São Paulo. Porém, mesmo contrariando meus instintos consumistas e supérfluos, refleti que faltava muito pouco para chegar ao final do Caminho e resolvi mais uma vez que não iria “amarelar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Caminho resolveu dar uma forcinha e a saída de Capivari era bem bonitinha. Muito calor, sol forte, mas eu estava recuperando meu humor. Segui calada até a casa da família Bianchini, que conforme relatos, recebia os peregrinos com muito carinho. Naquele dia nada poderia dar muito certo. A família não se encontrava em casa, pois um parente havia falecido. Um rapaz nos recebeu e fez questão de nos mostrar o enorme alambique, as pingas produzidas por eles. Restou-me provar várias delas, até ficar meio tonta e seguir caminho “alegre”. Dali pra frente, nada mais me fez pensar em coisas ruins. Caminhei sozinha, calada e tentando descobrir por que aquele caminho me levava a enfrentar meus maiores defeitos. Ali estava eu: sem máscaras, totalmente nua, enxergando minha face mais horrenda.  Logo eu, a simpática, a falante, a mais bem humorada da turma, a mais querida. Como as pessoas conseguiam gostar de mim e me achar legal? Nem eu estava me agüentando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhada em meus defeitos, cheguei em Mombuca e fui recebida por Kátia, a hospitaleira. Logo vi as fotos na parede do albergue. Eram todas do caminho de Santiago. Era tudo que eu queria! Alguém para dividir minhas experiências do caminho espanhol! O albergue era super aconchegante, todo místico, colorido e arrumado. Não queria mais sair dali! Tomei um bom banho e subi para fazer um lanche. Kátia havia preparado bolo e outras guloseimas para acompanhar o cafezinho. Tudo delicioso! Saí para dar uma volta pela cidadezinha. É muito gostosa, daquelas que a gente tem vontade de passar os últimos anos de vida, acompanhada do companheiro, cheia de netinhos em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para o albergue e fiquei conversando com a Kátia sobre o Caminho de Santiago. Ela me mostrou os álbuns das peregrinações pela Espanha. Senti-me em casa. Zico aproximou-se e participou animado da conversa. Acho que ambos estávamos buscando esse elo. O grupo estava dividido e eu me sentia excluída. Logo eu, a simpática e querida por todos. Isso foi um duro golpe na minha vaidade. E eu nunca havia percebido que precisava desse tipo exclusivo de atenção. O Caminho do Sol começava a me ensinar as coisas da vida real. Por isso era tão duro! Mas, como dizem por aí: “Não há crescimento sem sofrimento”.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-1920827188112027271?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/1920827188112027271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=1920827188112027271&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1920827188112027271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1920827188112027271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/08/fazenda-milh-mombuca-7-dia.html' title='FAZENDA MILHÃ – MOMBUCA – 7º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-1312000166440288668</id><published>2008-08-08T23:41:00.001-03:00</published><updated>2008-08-08T23:41:59.563-03:00</updated><title type='text'>ELIAS FAUSTO – FAZENDA MILHÃ – 6º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda sobre a noite em Elias Fausto, na casa do Serra, uma coisa me chamou a atenção. Os vasos não tinham assento. O que para nós representava falta de higiene, para algumas pessoas do interior era justamente o contrário. Certa vez, visitei com o “Chefanjo” (um voluntário do Caminho do Sol) uma fazenda que poderia servir de albergue para o enorme número de peregrinos que fariam a caminhada de aniversário do Caminho do Sol e o dono do lugar nos contou que era anti-higiênico sentar-se num assento. Coisas do Caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao café da manhã, que por sinal estava demasiadamente gostoso, estávamos todos à mesa. O grupo começava a se unir um pouco mais. Ainda não era o companheirismo de Santiago. E eu sabia que era passada a hora de fazer comparações entre um caminho e outro, mas era inevitável. Naquele dia passaríamos pela casa que pertenceu a Assis Chateaubriant. Eu estava empolgada! Era um marco histórico no caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo do Serra, passamos por um pequeno comércio, um lago e lá estava ela: a famosa casa de Chateaubriant. Foi uma grande decepção! Eu havia criado uma grande expectativa, achando que encontraria uma espécie de museu ou, ao menos, uma casa com os móveis e um pedaço da vida do cara que pudesse ser visitada. Nada! Era apenas um lugar que pertenceu a ele, e só. Dali pra frente, a empolgação diminuiu. Para completar, adentramos o canavial, que estava bastante alto e não víamos nada além do caminho a seguir. Sem paisagens, sem história. Mas ainda seria pior. O sol começou a “rachar coco”, não agüentava mais de tanto calor! Tinha somente uma garrafinha de água e tive que fazer racionamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, surgiu uma clareira na paisagem e o que vi me remeteu à música de Zé Ramalho que fala assim:&lt;br /&gt;— “Ê, ô, ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz”.&lt;br /&gt;Eram vários bóias-frias sentados na beira da estrada de terra, descansando da primeira jornada de trabalho. Havia todo o tipo de gente: mulher, homem, senhor, senhora, menos crianças. Ainda bem! Era menos de onze da manhã e eles já tinham trabalhado, almoçado e se preparavam para o segundo tempo de “ralação”. Ali eu vi que estava de mau humor à toa. Eu estava caminhando por entre os pés de cana, por vontade própria, preocupada apenas em chegar no próximo albergue. Eu fazia turismo, meditação, peregrinação, seja lá que nome daria a isso, mas eu não tinha a mínima razão em reclamar. Sei que dali em diante, mesmo sob sol forte, morrendo de sede e fome, continuei pelo canavial até a fazenda Milhã pensando na dureza de vida que o nosso povo leva. Nós da cidade grande não nos damos conta que, para termos aquele açúcar refinado, branquinho e docinho em casa, aquela gente trabalha duro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda dei mil voltas pela estrada de terra cortando o canavial e logo após contornar um lindo lago cheguei à fazenda Milhã. Estava exausta! Zico estava sentado na varanda, descansando os pés. Tirei a mochila e fui direto até a geladeira e peguei uma cerveja! Afinal de contas, eu merecia! Em seguida, um refrigerante bem gelado e dois copos de água! Antes de relaxar o corpo, ainda tomei um belo banho frio! Estava pronta para provar a comida típica da fazenda e curtir o fim do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devidamente alimentada, segui com D. Ondina (uma simpática senhora, mãe da Cristina, dona da Milhã) até o jardim japonês. Nunca tinha visto nada tão fascinante. Muito menos imaginar que tal lugar fosse ao redor de uma casa. Era enorme e lindo! Tinha de tudo, bonsais, ponte, riozinho...&lt;br /&gt;Ainda visitando a fazenda, fomos até uma casa do século XVIII. Pé direito alto, aquelas janelas de madeira maciça e paredes grossas, tudo muito rústico e também um pouco abandonado. D. Ondina nos explicou que a casa seria reformada para breves “instalações peregrinas”. Era um lugar que eu gostaria de voltar. Ainda não sabia se caminhando ou de carro (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era noite e nos arrumamos para dormir. Diferentemente do que aconteceu de dia, passamos muito frio. Quase todos estavam sem dormir, irritados, reclamando que a casa não tinha forro. Os sacos de dormir não serviram de nada e os cobertores alugados pelas senhoras de Holambra tampouco. A noite foi longa e gelada!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-1312000166440288668?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/1312000166440288668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=1312000166440288668&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1312000166440288668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1312000166440288668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/08/elias-fausto-fazenda-milh-6-dia.html' title='ELIAS FAUSTO – FAZENDA MILHÃ – 6º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8082471815778738788</id><published>2008-07-22T14:53:00.000-03:00</published><updated>2008-07-22T14:56:12.206-03:00</updated><title type='text'>VESÚVIO – ELIAS FAUSTO – 5º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;O DIA DA CACHORRADA&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordei super bem disposta. A noite anterior tinha sido inspiradora e o visual da Fazenda Vesúvio no fim da tarde e ao amanhecer era incrível! Para completar (e variar um pouquinho – rsrsrs) o café da manhã estava delicioso. Muitas frutas, bolo e pães quentinhos, leite, queijo branco, manteiga, tudo muito fresco. Como é bom não ter comida industrializada na mesa, Tudo era muito mais saboroso! Nem preciso dizer que saí dali quase rolando, não é mesmo? Além disso, fui a última a deixar a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele dia reservava muitas surpresas para mim. Os primeiros momentos da caminhada, ainda na Vesúvio, tinham como cenário, um lago, um bosque e, ao final, uma casinha e um cachorro lindo. E muito bravo! A casa não era murada e o cachorro pôs-se a correr e latir na minha direção quando, de repente, ficou preso pela enorme coleira. Quase morri de susto! Mais adiante, perdi o rumo do Caminho, peguei a direção errada e após minutos caminhando, um senhor me avisou que eu estava na direção contrária. Lá ia eu, caminhando tudo outra vez. De resto, tudo bem, andava por entre estradinhas de terra, passando por casas e sítios. Muitas vezes, os cachorros vinham me receber “amigavelmente” no portal de suas casas. Eu fingia que nem era comigo, mas no fundo, rezava para que nenhum deles conseguisse pular o muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais a frente, encontrei o grupo fazendo um lanchinho. Juntei a eles. Todo mundo estava assustado com os cachorros. Todas as casas daquela região tinha um cachorro amigo no quintal. Dali, caminhamos juntos durante um longo tempo. Algumas vezes uns iam a frente, outras, todos conversando e curtindo o lindo dia de sol. Eu já estava mais solta, mas ainda existia um certo distanciamento da minha parte, porque, exceto Zico, todos viam o caminho de um jeito diferente. Eu tinha aquele “ideal peregrino compostelano”, que nos diz para não pegar carona, ter que carregar o peso da mochila, viver somente com o indispensável. Os outros levam o caminho mais “na flauta” curtindo a paisagem, os lanches, as conversas, mandando suas mochilas de táxi, alugando roupas de cama e banho. Para mim, era difícil engolir tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia foi ficando cada vez mais quente e nem sinal da cidade de Elias Fausto. Era a hora da pergunta fatídica: “O que eu estou fazendo aqui?” Aquele grupo que nada tinha a ver comigo, o caminho duro, real e ainda por cima um sol de 40 graus! Nem sabia mais o que eu queria: voltar no tempo e decidir por outro caminho, ter viajado para alguma praia paradisíaca, ter comprado um bilhete só de ida para a Espanha...&lt;br /&gt;Estava totalmente confusa. Enquanto eu fazia de tudo para reviver o Caminho de Santiago, mais o Caminho do Sol me colocava no rumo da vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, depois do longo e cansativo dia, cheguei à cidade. É claro que ainda nada era tão fácil como parecia. O albergue do Serra ainda estava bem distante. Fui distraindo a minha cabeça, admirando as casinhas, a rua quase deserta, o comércio fechado, tentando imaginar como é viver em Elias Fausto. Quais seriam as opções de lazer? Teria uma boate com aquelas músicas tipo bate-estaca? Como era a juventude local? Os “playboyzinhos” eram aqueles caras vestidos de caubóis e montados em suas picapes? Será que eu conseguiria viver num lugar sem shoppings, cinemas e boates?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhada naqueles loucos pensamentos, cheguei ao albergue do Serra. Fui recebida por ele e a esposa com a maior simpatia. Eles me avisaram que o Zico já havia chegado e comentado que era aniversário dele. Pediram que eu guardasse segredo, pois estavam fazendo um bolinho para cantar parabéns após o jantar. Prometi ficar de “bico calado” e segui para o quarto. Aproveitei o dia quente e tomei um banho gelado. Lavei minhas roupas e fui para a casa do Serra bater papo. Conversamos bastante sobre o caminho de Santiago, misticismo, religião e quando me dei conta já era noite. Jantamos e terminamos o dia com a comemoração do aniversário do Zico, que ficou emocionadíssimo.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8082471815778738788?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8082471815778738788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8082471815778738788&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8082471815778738788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8082471815778738788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/07/vesvio-elias-fausto-5-dia.html' title='VESÚVIO – ELIAS FAUSTO – 5º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8175522209989687389</id><published>2008-06-23T18:13:00.002-03:00</published><updated>2008-06-24T17:41:08.378-03:00</updated><title type='text'>CANA VERDE À VESÚVIO - 4º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SGFadpcfm3I/AAAAAAAAAVI/iT_AOWA5bQY/s1600-h/Digitalizar0012.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215549308859816818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SGFadpcfm3I/AAAAAAAAAVI/iT_AOWA5bQY/s400/Digitalizar0012.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Bosque de eucaliptos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dia amanheceu e após o belo café (como sempre!), partimos. A estrada de terra, as fazendas e o lindo bosque de eucaliptos me inspiravam. Estava começando a gostar do caminho do Sol. O dia estava bem úmido, parecia ter chovido durante a madrugada e o cheirinho de terra molhada me delicioso. Depois de algumas horas caminhando, cheguei a uma cidadezinha. Resolvi que daria uma volta, comeria alguma coisa e veria o movimento. Rosana decidiu ir comigo. Fizemos mil comprinhas e caminhamos até o final da avenida. Quase nos arriscamos a entrar num salão de beleza, mas aí seria exagerado. Perderia o sentido nossa peregrinação. As pessoas nos olhavam espantadas. Quem seriam as loucas de mochila nas costas andando em nossa terra? Algumas nos pararam para matar a curiosidade e não entenderam muito bem o motivo de estarmos andando desde Santana de Parnaíba. Mesmo com a explicação de que o Caminho do Sol era similar ao Caminho de Santiago de Compostela, alguns diziam que conheciam ou que tinham ouvido falar, mas sempre com aquela cara de interrogação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída da cidade, nos perdemos e passamos a caminhar no acostamento da rodovia, seguindo as placas para Salto, onde ficava a Fazenda Vesúvio. Andamos em círculos. Chegamos ao mesmo ponto de onde havíamos partido. Resolvemos voltar à cidade, até o local aonde a estrada de terra chegava à asfaltada e nada de sinalização. Resolvemos perguntar sobre a Fazenda Vesúvio e ninguém sabia nos informar. Ficamos um pouco preocupadas, mas não desistimos de perguntar até que um senhor nos ensinou o caminho seguindo pela rodovia. Lá fomos nós novamente! O barulho dos carros passando não nos deixava conversar direito. Eu contava à Rosana meus momentos perdida no Caminho de Santiago e a frustração de não ter passado em alguns lugares devido a minha ansiedade. Por isso eu tinha resolvido dar uma volta pela cidadezinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distraídas em nossos pensamentos em meio ao caos da estrada abarrotada de carros e caminhões, quase íamos passando pela entrada da Vesúvio. Já não agüentava mais caminhar e estava quase me arrependendo de ter desviado do caminho. Foi um alívio chegar ali. Porém, da entrada da fazenda até a casa onde ficaríamos, era uma bela distância. Me pareceu o “eterno bosque” antes de alcançar o pueblo de San Juan de Ortega no Caminho de Santiago. No fim, a recompensa: uma mesa farta, com bolo, suco, café e pães. Tudo fresquinho! Depois disso, era a hora do banho. Esse foi de matar! Já estava esfriando e a água do chuveiro mais parecia um conta-gotas! Quase apelei para os famosos lencinhos umedecidos!!! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215549308334573506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SGFadnfRB8I/AAAAAAAAAVQ/wOUjtRXoHp8/s400/Digitalizar0013.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fazenda Vesúvio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O clima na casa era aconchegante. O pessoal da Vesúvio nos fez companhia e nos sentíamos em casa. Era uma família simpática. A sala também ajudou para que saísse a primeira conversa em grupo, pois as três amigas eram bem fechadas, Zico vivia um momento ermitão, Ney era quase mudo, eu estava concentrada em reviver o Caminho de Santiago e a coitada da Rosana, que falava pra chuchu, não tinha quem a ouvisse. Aquele momento ao redor da mesa nos fez deixar as armaduras e abrir o coração, afinal, estávamos no mesmo barco (leia-se: caminho).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8175522209989687389?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8175522209989687389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8175522209989687389&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8175522209989687389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8175522209989687389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/06/cana-verde-vesvio-4-dia.html' title='CANA VERDE À VESÚVIO - 4º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SGFadpcfm3I/AAAAAAAAAVI/iT_AOWA5bQY/s72-c/Digitalizar0012.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-9126924388820456312</id><published>2008-06-17T19:09:00.002-03:00</published><updated>2008-06-17T19:09:53.429-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;VOLTO A POSTAR ASSIM QUE A GRIPE ME DEIXAR!!! rsrsrsrs&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;ABRAÇOS EM TODOS OS PEREGRINOS!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-9126924388820456312?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/9126924388820456312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=9126924388820456312&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/9126924388820456312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/9126924388820456312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/06/volto-postar-assim-que-gripe-me-deixar.html' title=''/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8894718053941516550</id><published>2008-06-10T21:35:00.004-03:00</published><updated>2008-06-15T14:25:58.104-03:00</updated><title type='text'>CAMINHO DO SOL - CABREÚVA - CANA VERDE - 3º DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8p2hCSV_I/AAAAAAAAAUM/UpQngtp_tg8/s1600-h/Digitalizar0007.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210429310448588786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8p2hCSV_I/AAAAAAAAAUM/UpQngtp_tg8/s400/Digitalizar0007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nem preciso repetir que o café da manhã daquelas bandas era maravilhoso, né? A comidinha do interior tem mais sabor. Era o que me fazia ficar de bom humor. Naquela manhã, eu caminharia até a estrada e, de lá, seguiria com a Márcia até a rodoviária. Havia desistido do Caminho do Sol, mas queria fazer companhia ao resto do grupo. Por via das dúvidas, levei minha mochila comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saída do camping é bem dura. Não é qualquer pessoa que pode percorrê-la. Uma subida muito íngreme, com algumas pequenas escaladas segurando as raízes das árvores. Para piorar a situação, comecei a sentir cólicas insuportáveis. Coisas de mulher! E se tinha alguma coisa para enterrar de vez meu humor e minha vontade de continuar no Caminho, apareceu uma dor de barriga daquelas. Mais uma vez eu iria usar o pior dos banheiros! Por sorte, Márcia, a dona do camping, havia levado papel higiênico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui segurar todas as dores até a estrada. Me despedi do grupo e fui ao “toillete”. Voltando ao camping com a Márcia, me ocorreu que eu estava me entregando muito facilmente às dificuldades do Caminho do Sol. Resolvi que ia continuar. Tentei achar uma solução para chegar à Fazenda Cana Verde, porque aquele dia realmente eu não tinha a mínima condição de andar. Contei à Márcia minha decisão e, de repente, ela viu um carro com um casal passar passando por nós e acenou pedindo para que parassem. Era a mensagem que eu esperava do Universo para ter certeza de que deveria percorrer o caminho do Sol até o fim. O casal me deu uma carona até a Cana Verde. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210429329717634242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8p3o0YpMI/AAAAAAAAAUc/rO8Of1uqlXA/s400/Digitalizar0006.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Não passamos pelo mesmo trajeto dos peregrinos, portanto, ninguém do grupo sabia que eu estaria na Cana Verde. Chegando à fazenda, tive uma sensação enorme de paz. É um lugar maravilhoso. E para completar, um cheirinho delicioso vinha do fogão à lenha. Esse pessoal queria me matar! Em qual Caminho eu iria perder peso. Impossível! Tomei um belo banho, deitei-me numa rede, bebi um chá para a cólica e dormi. Acordei com a voz dos peregrinos chegando. Havia chovido muito e todos pareciam pintos molhados. Quando me viram, não entenderam nada, mas Zico me pareceu feliz. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Jantamos todos juntos, conversamos bastante e fomos dormir. A noite foi de muito frio. As senhoras de Holambra alugaram cobertores e roupas de cama. Aliás, elas estavam fazendo isso em todos os albergues e, consequentemente, levavam pouco peso nas mochilas. Eu ficava incomodada com isso, elas não tinham o espírito peregrino, mas eu não podia julgar ninguém, até mesmo porque eu tinha acabado de pular uma etapa de carona. Bem aquecida, tive uma noite maravilhosa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210429322145637458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8p3MnFJFI/AAAAAAAAAUU/76QKt1gHjA8/s400/Digitalizar0009.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8894718053941516550?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8894718053941516550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8894718053941516550&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8894718053941516550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8894718053941516550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/06/caminho-do-sol-cabreva-cana-verde-3-dia.html' title='CAMINHO DO SOL - CABREÚVA - CANA VERDE - 3º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8p2hCSV_I/AAAAAAAAAUM/UpQngtp_tg8/s72-c/Digitalizar0007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-2480392225503321510</id><published>2008-06-09T16:16:00.004-03:00</published><updated>2008-06-10T20:59:31.385-03:00</updated><title type='text'>CAMINHO DO SOL - PIRAPORA À CABREÚVA - 2º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE3hhHI0t2I/AAAAAAAAATc/JtNvXd0dwTo/s1600-h/Digitalizar0005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210068302905522018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE3hhHI0t2I/AAAAAAAAATc/JtNvXd0dwTo/s400/Digitalizar0005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Café da manhã delicioso, como era de se esperar! Devidamente alimentados e descansados, na neblina que cobria a cidade, partimos. Zico, é claro, já tinha ido muito antes de nós. A saída era pela ponte que passava por sobre o rio Tietê. A espuma era tanta, que cobria a pequena ponte. Numa tinha visto coisa igual! Diante de nossa indignação, um morador que passava na hora nos contou que, certa vez, a poluição havia invadido Pirapora. Pensei novamente até quando estragaríamos o planeta em que vivemos? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210406522844504930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8VIGmGY2I/AAAAAAAAAUE/ycWWOxcucic/s400/Digitalizar0004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Atravessando a ponte, ganhamos novamente o asfalto, mas logo a estrada foi ganhando vida e chegamos em um ponto onde o rio Tietê ficava do lado esquerdo, as árvores eram frondosas e do lado direito tinham algumas propriedades. Parei para tirar algumas fotos da poluição do rio, porque apesar de triste, a cena era impressionante demais para passar sem registro. À frente, encontrei uma mesinha de pedra e parei para descansar. Do outro lado da estrada havia uma bica. Molhei a cabeça e o boné. Quando mergulhei em meus pensamentos, aproveitando o silêncio do lugar, apareceram os outros caminhantes. Aquilo me aborreceu um pouco, mas detive minha impaciência e deixei a conversa fluir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosana era uma moça bem falante e engraçada. Dei boas risadas com ela. Em alguns aspectos ela me lembrava a Mônica, pois era meio “patricinha”. Achei que dali sairia uma grande amizade. O resto do grupo ainda estava bem fechado e não se entregavam totalmente. Não podia fazer um pré-julgamento, pois eu também não estava à vontade com eles. Ficamos ali conversando durante uma meia hora, em seguida colocamos nossas mochilas nas costas e partimos. Após alguns metros, encontramos Zico descansando. Tentei puxar conversa, mas ele parecia querer ficar sozinho. Aquilo me incomodava, porque ele era o único do grupo que havia feito Santiago e eu julgava que tínhamos um laço que nos unia. Mas eu não desistiria! Iria conquistar a amizade dele a qualquer custo! Sabia que aquele não era o momento apropriado e segui viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente entrei em um chão de terra batida. Adiante, encontrei uma mercearia e lá estava um bar! Na mesma hora me lembrei do meu amigo Chico! Ele certamente tiraria calmamente a mochila e as botas, se sentaria em uma cadeira, colocaria os pés apoiados em outra para esticar as pernas e pediria um café com leite. Que falta ele me fazia! Sentei-me no chão, pedi um refrigerante e comi uma banana. De repente, achei que merecia uma “gelada”. E porque não? Eu mesma me espantei coma idéia, pois não sou de beber (tirando os ótimos vinhos da Espanha). Resolvi dar-me esse prazer. Como sou fraquinha para bebida, fiquei um pouco alegre e tudo ficou mais bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia ainda reservava muita dificuldade. Eu estava desacostumada a caminhar e com o passar das horas, o corpo começou a reclamar. Fui diminuindo o passo e parei inúmeras vezes para descansar. O sol não dava tréguas e a cidade de Cabreúva não chegava nunca! Quando vi a primeira placa sinalizando a entrada da cidade, entrei em êxtase! Mal sabia eu que teria mais de uma hora de caminhada até alcançar o camping.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, percebi que tudo era bom demais para ser verdade e comecei a cansar novamente. Dessa vez, o emocional também pesou bastante e a famosa pergunta “O que estou fazendo aqui” insistia em latejar na minha cabeça. Para piorar a situação, quando senti uma fisgadinha no meu pé, descobri uma bolha. No segundo dia?! Em Santiago tive uma bolhinha insignificante no penúltimo dia de Caminho! Que diachos!!! Bom, o jeito era sentar e tentar contornar a situação, mas à minha volta estava um grupo de mendigos mal-encarados que impediu-me de parar. Se é que ainda tinha como piorar, a estrada que dava acesso ao camping era uma enorme ladeira e, chegando ao camping, tinha outra subida ainda mais íngreme. Resultado: cheguei em frangalhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do banho, do jantar e do descanso à beira da piscina, pensei seriamente em desistir. Eu não conseguia reviver Santiago e não achava nada agradável a idéia de gastar meu dinheiro para caminhar por entre canaviais! Nessa hora, conversei com Zico, que não quis me aconselhar. Apenas me disse que nada seria como Santiago. E ele tinha toda razão. O Caminho do Sol ainda me surpreenderia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-2480392225503321510?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/2480392225503321510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=2480392225503321510&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2480392225503321510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2480392225503321510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/06/caminho-do-sol-pirapora-cabreva-2-dia.html' title='CAMINHO DO SOL - PIRAPORA À CABREÚVA - 2º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE3hhHI0t2I/AAAAAAAAATc/JtNvXd0dwTo/s72-c/Digitalizar0005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-3351293153809413335</id><published>2008-06-04T17:17:00.007-03:00</published><updated>2008-06-10T20:56:15.743-03:00</updated><title type='text'>CAMINHO DO SOL - PÉ NA ESTRADA (LITERALMENTE) - 1º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nos despedimos de Palma e descemos a ruazinha da Pousada 1896 em direção à saída da cidade. Os novos peregrinos queriam que, Zico e eu, fôssemos à frente por sermos os mais experientes a seguir setas amarelas. Zico deve ter percebido a cilada que seria guiar as pessoas e saiu um pouco mais cedo que nós. Confesso que não gostei muito da idéia, mas diante do “sumiço” de Zico, não tive escolha. Logo na primeira curva, me perdi. Não vi seta nenhuma. Escolhi ir reto, mas grupo me chamou a atenção. Meu deslize não foi proposital, mas foi muito bem-vindo! Assim eu teria uma desculpa para soltar as amarras que me arranjaram e fazer meu Caminho em paz. Foi a primeira lição que aprendi no Caminho de Santiago e eu não queria que se repetisse no Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertei o passo e fui embora, sempre acompanhada das minhas músicas! Pegamos uma pequena rodovia de mão dupla e sem acostamento. Isso me deixou um pouco frustrada. O que salvou aquele trecho foi o lindo bosque que ladeava a estrada. As sucessivas subidas e descidas, sempre pelo asfalto e o sol forte batendo na “caixola” me fizeram ficar mal-humorada. Já sabendo que um Caminho pode nos reservar momentos como esse, fiquei pensando o que poderia tirar de positivo da dureza daquele caminhar. Claro que não consegui. A experiência de Santiago também me ensinou que, às vezes, não aprendemos na mesma hora em que caminhamos. Com o passar do tempo é que vamos assimilando e reconhecendo erros e acertos. Isso aconteceu comigo durante todo o Caminho do Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia nos reservava mais surpresas. Algumas agradáveis e outras não. A constante “companhia” do asfalto não me agradava e, numa subida muito íngreme, veio à mente a famosa pergunta:&lt;br /&gt;— “O que eu vim fazer aqui?”&lt;br /&gt;Sentei no acostamento e, desolada, permaneci por mais de meia hora. Logo apareceram os outros peregrinos do grupo. Para eles, tudo era novidade, tudo era lindo! Lanchamos juntos, dei mais umas boas risadas com a Rosana e então, partimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210403671482617090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8SiIcczQI/AAAAAAAAAT0/5-Oo_h00Fx0/s400/Digitalizar0002.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;De repente, surgiu uma seta apontando para uma estrada de terra. Me enchi de esperança! Enfim, começaria a reviver o caminho de Santiago! Como rapadura é doce, mas não é mole, logo iniciou-se uma subida sem fim. Seria um Cebreiro? Quase isso, a vista que tive lá no topo valeu muito a pena! Era a primeira surpresa agradável: um platô de onde se via a cidade de Pirapora, que parecia de brinquedo! As casinhas coloridas e o rio Tietê ao fundo, cheio de espumas enormes de poluição. Não fosse a beleza daquela cidadezinha, ficaria desolada por ver o que estamos fazendo com nosso planeta. Até quando vamos ter esses pensamentos imediatos e resolver cuidar do futuro? &lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210403682905491314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8Siy_4B3I/AAAAAAAAAT8/RSaq1RhCVf4/s400/Digitalizar0003.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/span&gt;Seguindo viagem, passei por um corredor de árvores que me lembrou muito Santiago. Queria que aquela paisagem perdurasse pelos mais de 200 km que ainda tinha pela frente. Mas, cada caminho é único e eu ainda não tinha percebido isso de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando em Pirapora, me deu uma vontade danada de ir as compras. Queria comprar qualquer coisa! Foi quando lembrei que não estava ali só de férias. Carregava comigo uma mochila. Tive então que adaptar minha ânsia de consumo. Passei numa farmácia e comprei uma escovinha de dentes e um “micro desodorante”. Na papelaria, um “micro caderno”, na lojinha de roupas, um par de meias, na vendinha, umas barrinhas de cereal e por aí foi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satisfeita com minhas comprinhas, voltei à pousada. O pessoal já se preparava para o almoço. Ah, como é bom saborear uma comidinha caseira do interior! As mulheres têm mãos de fada! Tudo perfeito! Dali, segui para o quarto, tomei um bom banho e descansei. Como ainda tinha muito tempo pela frente, sentei-me na entrada da pousada para ver o movimento de Pirapora. Ao cair da tarde, dei mais uma volta pela cidade, contendo a vontade de comprar lembrancinhas, mas não resisti ao pastel e ao sorvete artesanais! Eu e meus caminhos gastronômicos!&lt;br /&gt; Hora de descansar para enfrentar o primeiro grande dia de caminhada, pois de Santana à Pirapora, foram somente 13 km. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-3351293153809413335?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/3351293153809413335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=3351293153809413335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3351293153809413335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3351293153809413335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/06/p-na-estrada-literalmente-1-dia.html' title='CAMINHO DO SOL - PÉ NA ESTRADA (LITERALMENTE) - 1º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE8SiIcczQI/AAAAAAAAAT0/5-Oo_h00Fx0/s72-c/Digitalizar0002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8284772417354868568</id><published>2008-06-03T22:44:00.005-03:00</published><updated>2008-06-09T23:08:35.746-03:00</updated><title type='text'>CAMINHO DO SOL - PONTO DE PARTIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE3iD7d6C8I/AAAAAAAAATs/duhh1JMmd4M/s1600-h/Digitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210068901068147650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE3iD7d6C8I/AAAAAAAAATs/duhh1JMmd4M/s400/Digitalizar0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo foi passando e dois anos após o Caminho de Santiago, surgiu a oportunidade de voltar a peregrinar. Eu até podia arriscar tudo e voltar para a Espanha, mas já estava novamente pensando "e se":&lt;br /&gt;-E se eu fosse embora de vez, ser peregrina, depois hospitaleira, daria certo? E se eu não me adaptasse ao estilo de vida "viver de donativos"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi ficar pelo Brasil, mas definitivamente faria outra peregrinação. Pesquisei várias opções e escolhi a mais acessível: Caminho do Sol. Era perto do Rio, daria para voltar rápido se surgisse algum trabalho. Não percebi que com esse tipo de pensamento, não estaria totalmente aberta à experiência do Caminho do Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa ida a São Paulo para fazer um trabalho, aproveitei para assistir à palestra sobre o Caminho do Sol, com o seu idealizador: Palma. Eu já o conhecia pela internet e pelos encontros dos Amigos do Caminho. Confesso que não dei muita importância para o que ele falou naquele dia. Não registrei que o Caminho do Sol era duro, não havia a mesma beleza histórica de Santiago, tínhamos um roteiro pré-estabelecido para seguir, pois não havia opções de albergues entre uma parada e outra. Eu queria reviver Santiago e achava que qualquer Caminho poderia me oferecer a mesma satisfação. Criei essa expectativa na minha cabeça e mergulhei fundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num domingo, refiz minha mochila com ansiedade. A mesma que vivi antes de ir a Santiago. Até aquele momento, tudo igual. As mesmas roupas, cajado, o tênis que comprei em Pamplona, as papetes, a mochila. Uma pequena diferença: o celular. Passei a noite em claro, imaginando todo o percurso. Será que os novos amigos matariam minha saudade do Chico, Calixto e Mônica? Encontraria alguém para me acompanhar nos cafézinhos, para me chamar de "véio do rio" ou me proteger de algum engraçadinho com as mãos bobas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira cedinho, embarquei no ônibus que me levaria a São Paulo, onde encontraria Palma. Já no guichê, fiz amizade com Felipe, um peregrino de Santiago, que estava indo ao Consulado Espanhol pegar sua cidadania e embarcara para Barcelona. Não poderia ser mais inspirador! Nas seis horas seguintes, conversamos sobre Santiago. Tudo estava conspirando para que eu revivesse o Caminho! Estava muito feliz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, encontrei o Palma e seguimos para Santana de Parnaíba, onde começa o Caminho do Sol. Tentamos comer a pizza mais famosa da cidade, mas chegamos tarde e tudo estava fechado. Santana de Parnaíba é uma cidadezinha simpática. Aquelas com igreja, pracinha e casarões antigos. Fomos para a Pousada 1896, onde Emanoel nos recebeu. Um homem simpático, cheio de história para contar. Fui acomodada em um quarto com outras pessoas que pernoitavam na cidade. Não me importei em não ficar somente com peregrinos, mas deveria. A noite foi uma sinfonia de roncos! Tive que colocar meu Cd Player para trabalhar. Dormi ao som de Gil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, como sempre fazia em Santiago, saboreei o café com leite e pão com manteiga. Enchi meu cantil e fiquei esperando pelo grupo de peregrinos: uma da capital, Rosana; um do interior, que já tinha feito Compostela, Zico; três mulheres do interior, da cidade de Holambra II, Petra, Cris e Shirley e Ney, também de São Paulo. Começava ali o meu Caminho do Sol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8284772417354868568?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8284772417354868568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8284772417354868568&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8284772417354868568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8284772417354868568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/06/caminho-do-sol-ponto-de-partida_03.html' title='CAMINHO DO SOL - PONTO DE PARTIDA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SE3iD7d6C8I/AAAAAAAAATs/duhh1JMmd4M/s72-c/Digitalizar0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8365454341549144433</id><published>2008-05-31T17:43:00.003-03:00</published><updated>2008-06-01T11:05:48.348-03:00</updated><title type='text'>FALAR PARA QUEM? - A VOLTA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Logo que cheguei ao Rio, em todos os lugares que ia, me perguntavam sobre a viagem. Eu ficava toda boba, contava cada detalhe e demorei a perceber que as pessoas perguntavam por educação. Quase ninguém queria saber realmente como era estar no Caminho de Santiago. Restava-me encher o saco dos que me perguntavam ou voltar para a lista de discussão na internet. Lá era minha casa, meu ambiente. Eu podia das dicas, contar as histórias, trocar informações. E foi numa dessas conversas que fiz uma grande amiga, que seria minha companheira nas madrugadas: Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte da minha volta ao Rio, fui à reuniçao da AACS na Casa de Espanha. Eu era uma das convidadas especiais, porque estava "fresquinha" e podia contar tudo sobre Compostela. Fui uma emoção enorme poder reviver por alguns minutos o Caminho de novo. Cada episódio que eu contava, eu via nos olhos dos espectadores aquela vontade de viver a mesma experiência. Naquele dia, eu estava do outro lado. Era eu que inspirava as pessoas a fazer o Caminho. Mesmo encontrando os amigos sa AACS, enturmada com quem queria ouvir sobre a minha viagem, ainda não estava satisfeita. Eu queria voltar ao Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha dinheiro para voltar, tampouco um projeto mirabolante que alguém patrocinasse.  Tive que me contentar com as noites na internet e com o relato que comecei a escrever. Fiquei pensando que nós deveríamos ser preparados para lidar com os sentimentos na volta. É a parte mais difícil da caminhada. Como viver o que foi aprendido no Caminho na vida atribulada e prática do dia a dia? Como lidar com a tristeza de estar longe da rotina de colocar a mochila nas costas e caminhar sem preocupações? De não ter setas, nem cajado para nos apoiarmos?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas madrugadas perdi conectada à camêra na Fonte de Irache, vendo os peregrinos passarem. A Ana sempre comigo, através do messenger. Aquela que visse o peregrino primeiro, passava logo uma mensagem para avisar à outra. Foi muito divertido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos se passaram e eu resolvi que era hora de voltar a caminhar. Escolhi um Caminho no Brasil, que era novo e considerado o caminho de Santiago Brasileiro - Caminho do Sol. Será que eu conseguiria reviver Santiago? Encontraria amigos como o Chico, Mônica, Fresia e Calixto? Veria tantas obras de arte e história?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8365454341549144433?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8365454341549144433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8365454341549144433&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8365454341549144433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8365454341549144433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/falar-para-quem-volta.html' title='FALAR PARA QUEM? - A VOLTA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-6280907131957026757</id><published>2008-05-29T22:59:00.003-03:00</published><updated>2008-05-29T23:05:26.965-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>AMIGOS, MAIS UMA VEZ, OBRIGADA POR ACOMPANHAR MINHA PEREGRINAÇÃO A COMPOSTELA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O BUSCAAPÉ CONTINUA! CONTAREI COMO FOI MEU ANO APÓS O CAMINHO E, EM BREVE O CAMINHO DO SOL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AOS QUE QUISEREM, AVISAREI ASSIM QUE POSTAR O PRIMEIRO CAPÍTULO DO RELATO AO CAMINHO DO SOL. É SÓ MANDAR SEU E-MAIL PARA &lt;a href="mailto:TISERPA@BOL.COM.BR"&gt;TISERPA@BOL.COM.BR&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITEM TAMBÉM O BLOG DA LETÍCIA SOBRE O CAMINHO PORTUGUÊS: vejaportugal.blog.terra.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ULTREYA!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-6280907131957026757?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/6280907131957026757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=6280907131957026757&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6280907131957026757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6280907131957026757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/amigos-mais-uma-vez-obrigada-por.html' title=''/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-4899831343700608226</id><published>2008-05-29T22:49:00.001-03:00</published><updated>2008-05-29T22:58:52.760-03:00</updated><title type='text'>EM BUSCA DO CAMINHO - A VOLTA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da janela do avião, avistei o Cristo Redentor, emocionada. Estava de volta em casa! Era o único lugar, fora o Caminho de Santiago, que me deixava feliz naquele momento. Imaginava que em poucos minutos encontraria minha família e meus amigos me esperando no saguão do aeroporto, com faixas de parabenização, banda (daquelas de cidade do interior, tocando marchinhas de carnaval), muita festa e todos ávidos para ouvir minhas aventuras. Não havia ninguém. Depois de um mês longe de casa, cansada, louca por um ombro amigo, encontrei um mundo vazio à minha espera. A decepção tomou conta de mim e senti um grande medo deste conhecido mundo desconhecido. Quando comecei a pensar porquê não havia ninguém me esperando, me dei conta de que eu mesma havia feito confusão com o horário de chegada do meu vôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei a mochila nas costas e segui até a lanchonete mais próxima para matar a saudade do nosso delicioso cafézinho. No trajeto até praça de alimentação, percebi que algumas pessoas olhavam-me espantadas. E com razão! Porque uma mulher tão magrinha e aparentemente fraca continuava carregando uma enorme mochila? Porque não colocá-la em um carrinho de bagagens? A todos que me ofereciam um carrinho eu respondia com um sorriso maroto nos lábios:&lt;br /&gt;— “Obrigada, mas aqui dentro está toda minha vida e eu tenho que carregá-la sozinha!”&lt;br /&gt;Claro que ninguém entendi nada! Andei durante algumas horas dentro do aeroporto, sem saber o que fazer. Decidi que seria melhor telefonar para casa. Para minha surpresa, estavam todos tomando café e sairíam em caravana para me buscar. Como eu pude estragar a minha própria festa de recepção? Ficaram todos surpresos e um pouco decepcionados também. O melhor então, seria pegar um táxi e chegar a tempo de acompanhá-los no desjejum. Foi o que fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é mesmo engraçada. Ao chegar no estacionamento reservado aos táxis, um dos motoristas veio em minha direção.&lt;br /&gt;— “Peregrina de Santiago?” – perguntou-me.&lt;br /&gt;— “Sim, como você sabe?” – respondi.&lt;br /&gt;— “Pelo sorriso nos olhos e a mochila nas costas.” – ele disse.&lt;br /&gt;Ele também havia feito o Caminho e ficou tão feliz ao ver-me, que fez questão de levar-me para casa “desde que eu enchesse seu coração de alegria com as histórias do Caminho”. Nunca mais o vi, mas o guardarei sempre em meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reencontro com a família foi estranho. Eram as pessoas que eu mais amava e, ao mesmo tempo, pareciam distantes e desconhecidas para mim. Entrar em casa, desfazer a mochila e retomar a rotina pareceram-me sem sentido. As reuniões da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago, que poderiam, de alguma forma, remeter-me de volta àqueles momentos felizes, não me satisfaziam plenamente. Os meses que se seguiram, foram muito difíceis. Tive que encarar o término do meu namoro, os trabalhos eram escassos, os problemas continuavam os mesmos e eu não sabia como agir. Estava sempre angustiada, à procura das setas amarelas, que um dia indicaram-me o rumo certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrisquei uma outra viagem, desta vez a trabalho, buscando sempre o espírito peregrino e aventureiro de antes. Até o nome da cidade que escolhi para passar uns tempos era o mesmo: Santiago. Passei um mês no Chile, tentando encontrar o Caminho. Não deu certo! Pensei que o Encontro Internacional de Peregrinos, programado para novembro, no Brasil, fosse a chance de revivê-lo. Não pensei duas vezes em deixar o Chile e voltar para o Rio de Janeiro, antes mesmo da hora prevista. Novamente enganei-me! Nem mesmo a presença de Jesus Jato e sua esposa, Acácio e outros hospitaleiros em minha casa, remetiam-me de volta ao Caminho de Santiago. Foi uma grande agonia! Tudo era totalmente diferente do que eu sonhara encontrar. Definitivamente, nada mais seria igual na minha vida! Pensei estar louca, mas no fundo, eu estava perdida. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205984241372116994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD9fFcVEOAI/AAAAAAAAASw/oUyubcKhHiQ/s400/Digitalizar0052.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda hoje, sigo em busca do meu Caminho.&lt;br /&gt;Quando sinto-me perdida, deixo que as setas amarelas da intuição me mostrem o rumo certo;&lt;br /&gt;Quando chega o cansaço, paro nos bares da alma e tomo um cafézinho;&lt;br /&gt;Quando o desânimo toma conta, eu abro a mochila da fé e sigo em frente;&lt;br /&gt;Quando o corpo padece, eu me apoio no cajado dos anjos e me levanto;&lt;br /&gt;Quando surge a geada repentina, eu uso a capa de chuva da experiência e protejo-me;&lt;br /&gt;Quando a chuva passa, eu abro os olhos do coração para apreciar o arco-íris;&lt;br /&gt;Quando surge um amigo, eu abro um bom vinho!&lt;br /&gt;Quando a vida parece não mais fazer sentido, eu lembro que eu e o Caminho nos tornamos um só.&lt;br /&gt;Eu sou o Caminho e o Caminho sou eu.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-4899831343700608226?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/4899831343700608226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=4899831343700608226&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/4899831343700608226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/4899831343700608226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/em-busca-do-caminho-volta.html' title='EM BUSCA DO CAMINHO - A VOLTA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD9fFcVEOAI/AAAAAAAAASw/oUyubcKhHiQ/s72-c/Digitalizar0052.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-5506312419109280613</id><published>2008-05-28T10:48:00.004-03:00</published><updated>2008-05-28T12:27:30.517-03:00</updated><title type='text'>A DESPEDIDA, REENCONTROS E TURISMO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD13mMVEN7I/AAAAAAAAASI/DsjaXT1A9mY/s1600-h/Digitalizar0051.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205448242338478002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD13mMVEN7I/AAAAAAAAASI/DsjaXT1A9mY/s400/Digitalizar0051.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois da festa de despedida, tudo me pareceu sem sentido. Eu não tinha mais uma grande meta a alcançar. Não tinha mais etapas a cumprir. Minha vontade era voltar até Roncesvalles e começar tudo de novo. Talvez até recomeçar de Saint Jean e cumprir a parte que, por comodidade ou falta de coragem, eu não havia percorrido. E talvez transformar minha vida em uma eterna peregrinação. Um ir e vir constante, ou ainda, viver em um albergue recebendo e prestando solidariedade aos peregrinos. Como seria viver sem a vaidade, o orgulho e a ambição? Faltava-me ainda a coragem de largar tudo para trás e viver aquela utopia, mas era uma idéia que não saía da minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para o albergue no Monte do Gozo. Tinha certeza que lá encontraria minha amiga Monica e com ela dividiria minha emoção. Foi muito emocionante reencontrá-la depois de viver a emoção da chegada. Duro foi ouvir o sermão dela por eu ter quebrado a promessa de esperar por ela no Monte do Gozo. Não resisti! Não conseguiria dormir tão perto do fim e, de quebra, ficar admirando a tão desejada cidade de Santiago de Compostela lá de cima! Tentação demais para uma simples mortal! No final das contas, acabou ficando tudo bem e prometi acompanhá-la no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos todos: eu, Mônica e nossos amigos em uma das mesas do refeitório e demos seqüência à “bebemoração”. Ficamos ali até tarde da noite, com exceção dos peregrinos “calouros”, que ainda teriam mais uma noite de descanso pela frente, até receber as bênçãos de Santiago. Deviam ser umas onze horas da noite, quando abriram a pista de dança. Já turbinados, nós “veteranos”, deixamos nossos corpos maltratados por tantos dias de peregrinação, relaxarem ao som das músicas. Sem pudores e sem regras. Cada um na sua viagem interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205447228726196066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD12rMVEN2I/AAAAAAAAARg/unaxm7OVy9g/s400/Digitalizar0049.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;                                                                                                                             Olha a cara das meninas!!! rsrsrs&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, acordei cedinho para acompanhar minha amiga Mônica até a Catedral. Fui um pouco na frente, fotografando as emoções dela. Dessa vez ela teria fotos mais decentes para colocar em seu álbum. E não seriam fotos de paisagem! A cada passo, parecia que eu estava chegando em Santiago pela primeira vez. Sentia as mesmas emoções, o mesmo choro, a mesma satisfação! Passamos pelo jovem da gaita e chegamos na Praça do Obradoiro. De novo o riso, o choro, os abraços. O cenário era um pouco diferente. A Catedral parecia mais bonita ainda, com os raios iluminando suas torres. Aos poucos, todos foram chegando. Meus amigos vinham repetir a dose e os outros festejavam o grande momento de suas vidas. Entramos todos juntos na Catedral, que por sorte estava bem mais vazia do que no dia anterior. Pude dar continuidade aos rituais do peregrino: abraçar a enorme imagem de Santiago no altar, ajoelhar-me diante de seu túmulo, agradecendo por ter realizado meu maior sonho e o mais importante de tudo: assistir à Missa em paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205447237316130690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD12rsVEN4I/AAAAAAAAARw/eAUyXf3sYEo/s400/Digitalizar0053.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhei a Mônica até a Oficina de peregrinos para que ela pegasse sua Compostelana. Depois disso, a magia do Caminho se perdeu novamente e tudo se transformou em uma grande visita turística. Hora de ir às compras, escolher os presentes dos amigos e familiares, pegar o que enviamos pelo correio (as tais coisas supérfluas, entre elas, minhas botas!) e decidir o que fazer com os dias que sobraram. Eu queira muito ir até Finisterre. Podíamos até continuar a peregrinação, mas fomos alertadas de que o Caminho até lá, não estava muito bem sinalizado. Era a hora de andar sobre rodas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos uma grande surpresa enquanto seguíamos de volta à Catedral. Vimos um peregrino subindo a rua, acompanhado de seu cajado com a bandeira do Brasil. Era Calixto! Corremos para abraçá-lo! Vinha caminhando com os olhos cheios de lágrimas, muito emocionado e pelo jeito, uns 15kg mais magro! Fizemos a maior festa! Era tanto escândalo, que formou-se uma multidão ao nosso redor! Flashs para todo o lado e muitos aplausos. Depois dos abraços, era a vez da enxurrada de perguntas! Eu queria saber do Chico, a Mônica queria notícias do Emerson, o Calixto perguntava por seu amigo Paco, enfim, ninguém se entendia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205447233021163378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD12rcVEN3I/AAAAAAAAARo/NRcuPTeBJyA/s400/Digitalizar0054.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Fomos com ele até o Parador dos Reyes Católicos, um luxuosíssimo hotel, bem ao lado da Catedral. Calixto sempre falava que queria hospedar-se no melhor hotel de Santiago, assim que terminasse o Caminho. E foi o que fez! Quando chegamos, fomos direto à recepção, seguidos por aqueles olhares cheios de preconceito. Logo de cara, o funcionário foi dizendo que não havia vagas para peregrinos, mas quando Calixto sacou de sua pochete um cartão de crédito douradinho, a expressão do tal funcionário mudou na mesma hora! Para comemorar (tudo era motivo para um drink!) seguimos até o bar (não é que eu terminei o Caminho em um bar? Só faltava o Chico!). Encontramos Leonardo (o homem do cavalo branco do primeiro dia) e juntos fizemos outra grande festa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim terminava meu sonho. Ao lado dos amigos, sempre rindo e comemorando, com fé de que a vida devia seguir com aquele espírito peregrino. Ainda encontraria outros amigos antes de voltar ao Brasil, mas se eu fosse contar cada um dos encontros e desencontros detalhadamente, este relato não teria fim. Deixei ainda um recado para meu amigo Chico, na entrada do albergue do Monte do Gozo e segui meu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205448259518347218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD13nMVEN9I/AAAAAAAAASY/oqu1qa-kUZc/s400/Digitalizar0058.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, fui com a Mônica para Finisterre, um lugar maravilhoso, cheio de histórias. Era lá que todos imaginavam ser o fim da terra. Dormimos no albergue local, caminhamos até o farol e tentamos fazer o ritual de queimar as roupas, mas havíamos esquecido o álcool. Que roupa pegaria fogo só com fósforo? Achei que isso era um sinal de que deveria guardar minhas roupas para uma futura volta ao Caminho. Quando voltávamos do farol, encontramos David, meu amigo inglês. Almoçamos juntos, trocamos contatos e desde então, só nos falamos por e-mail. À noite, quando chegamos no albergue para descansar, encontramos Carla, minha amiga Sul Africana. Ela resolveu descansar um dia em Finisterre, para só depois voltar ao Monte do Gozo e fazer a etapa final até Santiago. Curioso, não?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205448268108281826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD13nsVEN-I/AAAAAAAAASg/WVDs3cpipvg/s400/Digitalizar0062.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;                                                                                                                                     Carla e eu em Finisterre&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205447241611098018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD12r8VEN6I/AAAAAAAAASA/RXRWzwjDu4Q/s400/Digitalizar0061.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;De Finisterre, Mônica e eu pegamos um ônibus até Santiago e, de lá, até Madrid. Em 1994, eu havia passado dois meses lá, trabalhando como modelo. Conhecia bastante a cidade e estava com vontade de rever os lugares. Ficamos hospedadas na Porta do Sol. Passeamos por todos os pontos turísticos: Parque do Retiro, Museu do Prado, Palácio Real e também fomos até Toledo, um dos lugares mais bonitos que já vi na vida! Pude então, matar a saudade de Madrid e, de quebra, depois que a Mônica voltou ao Brasil, fiquei uns dias hospedada na casa da minha amiga Fresia, contando o que havia acontecido nos dias que se seguiram após sua despedida em Burgos, mas nada se comparava à magia de estar no Caminho. Era hora de voltar para casa!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205448272403249138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD13n8VEN_I/AAAAAAAAASo/d1U36hxgwUI/s400/Digitalizar0063.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;                                                                                                                          Mônica e eu na Plaza Mayor, MADRI&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-5506312419109280613?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/5506312419109280613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=5506312419109280613&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5506312419109280613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5506312419109280613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/despedida-reencontros-e-turismo.html' title='A DESPEDIDA, REENCONTROS E TURISMO'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SD13mMVEN7I/AAAAAAAAASI/DsjaXT1A9mY/s72-c/Digitalizar0051.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-5381562490289262366</id><published>2008-05-27T10:31:00.003-03:00</published><updated>2008-05-27T10:48:09.527-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;QUERIDOS AMIGOS,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O BUSCAAPÉ AINDA NÃO TERMINOU. OS PRÓXIMOS POSTS CONTARÃO MINHA DESPEDIDA DOS AMIGOS PEREGRINOS, REENCONTROS, A VOLTA AO BRASIL E, EM BREVE, RELATO DO CAMINHO DO SOL.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;NÃO PERCAM!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-5381562490289262366?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/5381562490289262366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=5381562490289262366&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5381562490289262366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5381562490289262366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/queridos-amigos-o-buscaap-ainda-no.html' title=''/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-7217105809286052082</id><published>2008-05-26T13:26:00.003-03:00</published><updated>2008-05-27T10:31:40.273-03:00</updated><title type='text'>CHEGANDO AO CAMPO DAS ESTRELAS - 24º DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDwMF8VENyI/AAAAAAAAAQs/jpPhecE2ulw/s1600-h/CREDENCIAL.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205048565566813986" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 409px; CURSOR: hand; HEIGHT: 93px; TEXT-ALIGN: center" height="103" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDwMF8VENyI/AAAAAAAAAQs/jpPhecE2ulw/s400/CREDENCIAL.jpg" width="451" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o coração transbordando de emoção e os olhos cheios de lágrimas, levei minha mochila para o lado de fora do quarto para não acordar meus companheiros. Minha preocupação era grande. Eu teria que andar quase 20km em plena madrugada, acompanhada somente de Deus. Verifiquei se haviam pilhas na lanterna, agasalhei o corpo, preparei uma xícara de café com leite bem quente, e sentei-me à mesa, degustando cada gole e cada momento; afinal, eram os últimos do Caminho e os mais importantes de toda minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava saindo, quando ouvi uma voz me chamando. Era David! Pediu-me que o esperasse, pois iria comigo. Também queria experimentar a loucura de caminhar durante a noite. Finalmente ele estava deixando de lado a formalidade e tentando estreitar os laços de amizade comigo! Fiquei honrada com a proposta! Resolvi aceitar sua companhia e, com nossas lanternas em punho, saímos pelas ruas de Pedrouzo. Seria uma jornada bem difícil, pois a noite estava chuvosa e mal conseguíamos enxergar as setas amarelas no asfalto. Seguimos por uma pequena estrada de terra e a escuridão era assustadora! Parecia que, a qualquer momento, seríamos pegos de surpresa por algum “bicho papão”. Isso me fez lembrar novamente os tempos de criança, quando ia para cama com medo do escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram horas andando no meio da floresta, debaixo de muita chuva e sem viva alma. David ficava assustado com o ruído dos pássaros nas árvores. A sensação era de estarmos sendo observados o tempo todo. Alguns quilômetros depois, vimos umas luzes ao longe. Alguma luz, enfim! Era uma estrada asfaltada que cortava a trilha. Mas depois de atravessá-la, entramos novamente no breu da floresta, dessa vez bem mais fechada e mais escura que a anterior. Até ali, estava tudo relativamente fácil. Até ali...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante, nos deparamos com um grande problema: uma bifurcação. Bifurcações no caminho da vida! Mais uma vez eu estava diante de uma escolha importante. Nossas lanternas tentavam iluminar as pedras, mas não conseguíamos achar nenhuma seta que nos apontasse a direção correta. Estávamos perdidos! Tínhamos duas opções: descansar ali mesmo e esperar amanhecer, ou arriscar alguma das duas direções. Escolhemos a primeira. Apagamos as lanternas e, enquanto arrumávamos as mochilas no chão, vi algumas luzes ao longe. Mudei de idéia! Propus seguirmos até lá e ver se encontrávamos uma estrada que nos levasse em direção a Santiago. Nada! A pequena cidade ainda dormia! Ninguém para nos dar uma informação, nenhuma seta amarela, nenhuma “luz no fim do túnel”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvemos seguir pelo asfalto, beirando o acostamento, enfrentando o vento forte que vinham dos carros em alta velocidade. Era a minha sina! Estradas asfaltadas! Um dia descobriria o porquê de tudo isso! Para que os motoristas não nos atropelassem, apontávamos as lanternas acesas em direção aos nossos rostos. Lá se foram três horas de caminhada! Sem nenhuma certeza, somente a intuição de que seguíamos na direção correta. Como em um passe de mágica, uma seta surgiu em minha frente! Como eu adorava aquelas setinhas saltitantes! Pude respirar aliviada! Já estava começando a me arrepender de ter tido a idéia maluca de caminhar na escuridão. Logo depois, ouvimos o som dos aviões cruzando o céu, acima de nós. Era a confirmação de que havia uma cidade grande e civilizada ali por perto! É claro que ainda pudemos contar com a sorte porque, uns metros adiante, encontramos uma placa, que indicava os quilômetros restantes até Santiago: treze! Número de azar? Não! A sorte estava realmente ao nosso lado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido à dificuldade de caminhar na escuridão, perdemos bastante tempo e, conseqüentemente, ficamos mais cansados que o normal. Eu ainda tinha um pequeno probleminha: a vontade de fazer xixi! O pior é que eu estava desprevenida! Esqueci-me de levar um pedaço de papel higiênico na mochila. O jeito era agüentar! Ao passar pelo aeroporto, o céu ainda estava escuro. A chuva também dificultava bastante, porque não conseguíamos ver quase nada e, para piorar, o barulho da água caindo no chão, deixava-me cada vez mais apertada. Quando David pediu licença, retirou-se para um cantinho escuro e começou a fazer xixi, foi demais! Àquela altura, eu já não suportava mais a vontade de ir ao banheiro e tive que correr para o matinho mesmo! Ah, como fazia falta o balde da velhinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhamos um pouco mais até chegarmos a um pueblo, cheios de esperança em encontrar um lugar para comer e descansar, mas estava tudo deserto. Decidimos seguir viagem. Voltei a achar que tudo aquilo era uma loucura! Caminhar no meio da madrugada, sem comida, sem visibilidade alguma; ora perdidos, ora “achados”... Que diachos estávamos fazendo ali? Poderíamos ter dormido um pouco mais e esperado o dia nascer! Pensando bem, se não fosse assim, hoje eu não teria histórias tão engraçadas para contar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos em frente. Já não tínhamos nenhum incômodo de ordem fisiológica e, tampouco, motivos para desistir depois de tanto esforço. Amanhecia e ainda não estávamos nem perto de alcançar a cidade de Santiago de Compostela. Os passos foram ficando mais lentos, arrastados. O corpo doído, a cabeça a mil! Ainda caminhamos por mais de uma hora até chegarmos ao Monte do Gozo, uma colina situada a apenas 5 km de Santiago. Nenhum de nós dois arriscava-se a dizer uma palavra sequer! Durante todo o percurso, desde que deixei Roncesvalles, sabia que chegaria ao final do Caminho um dia, mas a realidade da caminhada era tão maravilhosamente bela, que tornava-se quase que uma fantasia e eu já não tinha mais vontade de chegar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205048518322173666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDwMDMVENuI/AAAAAAAAAQM/yugyE4ofWK0/s400/Digitalizar0046.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Uma ansiedade enorme invadiu meu coração. Estávamos a pouco menos de uma hora do fim. Desviamo-nos para a estrada, e logo avistamos a Catedral, em meio aos prédios da cidade, imponente. Enfim, lá estava nosso destino, nossa meta cumprida, nosso sonho realizado! Era uma emoção indescritível! As lágrimas desceram sem controle, o coração disparou, a cabeça deu voltas e voltas. Todo o Caminho percorrido veio como um filme em minha memória. O embarque, o primeiro dia, Chico, Calixto, o “Trio Cometa”, as setas que não existiam, as setas que saltavam aos meus olhos, os encontros, os desencontros, Carla, Björn, as dores, as alegrias, a magia, a família peregrina, Fresia, Juan Andrés, os devaneios, Tuiv, a solidão, as pessoas especiais, Jus, Jesus, Acacio, Balbino, as igrejas, os pueblos, os Monastérios, Mônica, os jantares, Diego, Harrison, Klauss, David (o companheiro naquela madrugada) e tantas outras maravilhas. Todas as lembranças deixaram-me triste, nostálgica. Quanto mais perto de Santiago, mais longe eu estava do Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegui cumprir a promessa feita à minha amiga Mônica: esperar por ela e pernoitar no Monte do Gozo. Estava ansiosa demais para chegar a Santiago e faltavam apenas 5 km! Quando David e eu começamos a descer o Monte do Gozo, lembrei-me de ter lido que os peregrinos medievais ao avistar dali, pela primeira vez, a Catedral de Santiago, caíam de joelhos e cantavam uma música como forma de agradecimento. Antes de embarcar naquela aventura, fiquei imaginando qual seria minha reação ao chegar tão perto da Catedral, e qual seria a música que eu escolheria para aquela ocasião especial. O mais estranho foi que, depois de ter percorrido a maior parte do Caminho ao embalo de minhas músicas, na descida do Monte eu não tinha vontade nenhuma de cantar. Em lugar da música, uma oração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mãe Lua,&lt;br /&gt;Que surge através das nuvens, atrás de montanhas,&lt;br /&gt;Do fundo infinito,&lt;br /&gt;Iluminando parte de um escuro oceano,&lt;br /&gt;Reina soberana na noite, sobre mares e lares,&lt;br /&gt;Proteja-nos! Assim como fazes com as estrelas!&lt;br /&gt;Ascenda tua bola de fogo no céu e apague no horizonte, prateada,&lt;br /&gt;Conduzindo o começo ao fim,&lt;br /&gt;De sol a sol,&lt;br /&gt;Representando no céu, nossa vida na Terra.&lt;br /&gt;Tu, que és madrinha dos românticos,&lt;br /&gt;Prometa nunca deixar-nos,&lt;br /&gt;Seja no Rio, no frio ou qualquer lugar,&lt;br /&gt;Porque estamos sempre esperando pelo teu espetáculo,&lt;br /&gt;Onde teu palco é a natureza terrestre,&lt;br /&gt;E tua luz é a nossa fé,&lt;br /&gt;De que ela nunca se acabe.&lt;br /&gt;Mãe Lua, Pai Sol,&lt;br /&gt;Mulher noite, Homem dia,&lt;br /&gt;Que teus horizontes nunca se apaguem!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta oração foi escrita por mim aos doze anos de idade, em um momento de total sintonia com a energia maior que chamamos de Deus, Deusa, Buda, Alá, Rá...ou sei lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dali, nada mais nos tirava do Caminho. Ou quase nada! A fome e o cansaço foram maiores que a vontade de chegar. Paramos em um luxuoso hotel, na entrada da cidade. Senti-me como uma mendiga, sendo observada com desdém pelos hóspedes e funcionários, mas já estava vacinada! Sentamos confortavelmente nas poltronas do bar e pedimos nosso último café da manhã. Estava tudo tão bom, que não sentimos o tempo passar. Quando saímos, vimos nosso grupo de amigos descendo o Monte do Gozo: Diego, Klaus, Harrison, Luis Miguel, Edward e Michaela. Mesmo, David e eu, saindo de Pedrouzo no meio da madrugada, horas antes deles, a magia do Caminho acabara de nos unir novamente e acabaríamos chegando todos juntos à Catedral. Exatamente como sonhei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emoção era forte. As lágrimas guiavam meus passos. Já não controlava o corpo, minhas pernas seguiam por conta própria, meus pensamentos confundiam a realidade e a fantasia. Parecia um sonho! Não conseguia acreditar que tudo pudesse realmente estar acontecendo. Desliguei-me do mundo e já não sabia mais se havia algum amigo ao meu lado. Caminhava por entre os becos chorando muito, totalmente fora de órbita. Às vezes, era preciso sentar, pois não tinha forças para continuar caminhando, tamanha emoção! Minha cabeça girava, os pensamentos não tinham mais nenhum sentido. De repente, a mochila não tinha mais peso, o caminhar era leve; a alma, lavada! Aos poucos, venci os metros que distanciavam-me da Praça do Obradoiro, onde estava meu destino final: a Catedral de Santiago de Compostela. Desci uma rua, passei por um músico que tocava sua gaita de foles e ao som de sua gaita, desci algumas escadas e, alguns passos depois, deparei-me com a tão sonhada Catedral. Não sei explicar exatamente o que senti naquele dia! Sei que sentei-me no meio da praça e pus-me a chorar copiosamente. Era como se todas as emoções sentidas em todos os dias de Caminho estivessem ali presentes ao mesmo tempo. Chorei, pulei como uma criança, dancei, cantei, enfim, gritei bem alto:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205048544091977474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDwMEsVENwI/AAAAAAAAAQc/cA8cb3iEv3A/s400/Digitalizar0048.jpg" border="0" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;— “Venci! Venci!” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E senti uma mão amiga puxando-me para um abraço. Era Diego! E cada um que chegava, juntava-se a nós naquele abraço apertado e sem fim. De repente, todos estavam sentados, olhando admirados para a Catedral, sem saber qual seria nosso próximo passo. Talvez, devêssemos caminhar em busca da paz, do amor e da confraternização mundial. Talvez, devêssemos apenas levantar e caminhar até a igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi difícil recompôr-me para entrar na Catedral. Graças ao meu cajado, meu companheiro das horas mais difíceis, tive um apoio extra para seguir caminhando. Subi os degraus da escadaria com orgulho, como se cada um deles representasse uma etapa vencida na minha vida. Quando cheguei ao portal, parei um pouco, respirei fundo e agradeci a Deus, do fundo do meu coração, por ter transformado-me, tal como uma Fênix ressurgida das cinzas, em uma pessoa melhor. Ao atravessar a porta, a glória! Eu estava ali, dentro da grandiosa Catedral, bem perto do túmulo de Tiago, o Apóstolo. Era o fim, o objetivo havia sido alcançado! Impossível conter as lágrimas! Impossível descrever a emoção!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205048531207075570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDwMD8VENvI/AAAAAAAAAQU/GCLAfWzstrc/s400/Digitalizar0047.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Era domingo e a Catedral estava lotada! Fiquei um pouco perdida em meio à grande multidão de turistas no interior da igreja. Ia andando, esbarrando nas pessoas com a mochila, sem saber direito a direção certa para chegar até o altar. Àquela altura, já havia perdido-me de meus amigos. Confesso que fiquei perturbada com tanta gente! Achei que depois de tantos dias andando, enfrentando as dores e dificuldades do Caminho, teríamos um lugarzinho reservado para assistir à Missa. Pura ilusão! A realidade que encontrei era bem diferente! Tive que me contentar em assisti-la, ajoelhada em um cantinho, ouvindo as explicações dos guias de turismo que teimavam em atrapalhar o Sermão do Padre. Ao final da Missa, alguns padres juntaram-se em torno de um enorme incensário, chamado Botafumeiro. Eram uns dez homens a levantá-lo, fazendo com que percorresse o interior da Catedral como um pêndulo, de um lado a outro. O cheiro do incenso impregnava meu corpo e dava-me a sensação de paz. Lembrei-me do programa de TV que tanto me inspirou a estar lá. A repórter entrevistando os peregrinos, com um invejável brilho nos olhos e aquele incensário ao fundo. Não era sonho, não era mais o programa na televisão! Era a minha realidade! Eu era a protagonista daquela história, eu tinha o brilho nos olhos e na alma! Quando o espetáculo terminou, toda a magia se apagou com ele e eu estava novamente perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para a Praça do Obradoiro e fiquei olhando os peregrinos que iam chegando, pouco a pouco, emocionados. Percebi que do lado de fora da Catedral ainda existia o espírito do Caminho de Santiago. Não ignoro a importância da Catedral, tampouco o corpo do Apóstolo, mas a magia havia se transformado em turismo. Lá na praça era diferente! Sentia-me à vontade. Eu podia assistir aos abraços apertados, aos reencontros ou simplesmente a cumplicidade entre os peregrinos. Isso era o Caminho! A chuva no rosto, o peso do corpo, as dores nos joelhos, a alegria no coração e a benção de ter amigos verdadeiros ao meu lado! No mais, tudo parecia sem sentido. Isso me fez refletir na busca definitiva à uma religião que me desse satisfação plena e, por mais que eu tenha percorrido uma trilha totalmente católica, senti que estava cada vez mais voltada para a Natureza e para uma energia feminina, materna. O Caminho ensinou-me que meu caminho era outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205048561271846674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDwMFsVENxI/AAAAAAAAAQk/XZ5dMVXRZIg/s400/Digitalizar0064.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Depois de buscar minha Compostelana na Oficina de peregrinos, juntei-me aos amigos em um restaurante perto dali. Ainda lutávamos para preservar a alegria em nossa festa de despedida, mas era impossível. Todos nós sabíamos que, a partir dali, cada um seguiria seu rumo e nada mais seria como antes. Iniciava-se uma nova etapa no Caminho, onde não mais contaríamos com o apoio do cajado, das setas amarelas ou dos demais peregrinos. Chegaria o momento de confrontar-se com a dura realidade da vida. Voltariam os problemas, os conflitos, as contas, o trabalho e a falta de tempo. Ser peregrino no Caminho de Santiago é relativamente fácil. O difícil seria continuar com esse espírito diante dos desafios da vida e seguir adiante com força e fé inabaláveis. Essa era nossa missão a partir dali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-7217105809286052082?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/7217105809286052082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=7217105809286052082&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7217105809286052082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7217105809286052082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/chegando-ao-campo-das-estrelas-24-dia.html' title='CHEGANDO AO CAMPO DAS ESTRELAS - 24º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDwMF8VENyI/AAAAAAAAAQs/jpPhecE2ulw/s72-c/CREDENCIAL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-5040713854078872856</id><published>2008-05-26T12:50:00.006-03:00</published><updated>2008-05-27T09:40:07.815-03:00</updated><title type='text'>A ÚLTIMA CEIA - 23º DIA E NOITE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDreEMVENqI/AAAAAAAAAPs/g_uIpEOoqJs/s1600-h/Digitalizar0042.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204716482990454434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDreEMVENqI/AAAAAAAAAPs/g_uIpEOoqJs/s400/Digitalizar0042.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Encontrei Diego, Klaus, Harrison, Luís e Edgard (dois peregrinos espanhóis muito simpáticos) correndo em direção ao restaurante. Essa foi a cena que vi ao chegar em Pedrouzo, onde pernoitaríamos pela última vez, antes de chegar a Santiago. Gritaram para que eu deixasse minha mochila no albergue: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— “O mais rápido possível! O restaurante vai fechar para a siesta!” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Segui fielmente a ordem e fui encontrá-los no restaurante para acompanhá-los no almoço, mas a ansiedade impedia-me de comer. A emoção de estar tão perto de Santiago era forte demais para que eu pensasse em outra coisa, que não fosse a chegada. Pedi licença e voltei para o albergue aos prantos. Ao entrar no quarto, dei de cara com David, meu amigo inglês. Aí mesmo é que desatei a chorar! Contei que não estava mais conseguindo controlar a emoção. Abraçou-me com carinho e acalmou-me. Respirei fundo e parei de chorar. Só então conseguimos conversar um pouco. Já refeita da crise de choro, pedi licença e saí para tomar banho. Ele então me disse uma frase linda, que jamais esquecerei:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— “Vá ao segundo andar! Tem um banheiro individual, com uma banheira enorme e bastante água quente. Você poderá acalmar seu coração.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É ou não é uma frase maravilhosa para se ouvir depois de quase trinta dias tomando banhos com uma só mão, banhos mornos, banhos de lencinhos umedecidos, banhos de gato, enfim, todo o tipo de banho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me senti uma princesa! Acendi uma vela, um incenso e coloquei o restinho do meu xampu na água. Não fez espuma como esperava, mas, para mim, aquele foi o banho mais gostoso de toda minha vida! Fiquei horas dentro da banheira! Só saí de lá quando minha pele murchou. Parecia uma uva passa ambulante! Neste banho, resolvi que faria a próxima etapa durante a noite. Se minha família aqui no Brasil sonhasse com tal possibilidade, certamente hoje estaria internada em algum manicômio! Loucura sair perambulando sozinha no meio da madrugada? Talvez sim, mas já não ficava mais incomodada com minhas loucuras. Eu era livre e feliz! Estava prestes a concretizar meu sonho e cheia de esperança em uma nova vida! Isso era o mais importante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei um pouco na porta do albergue, para ver se minha amiga Mônica chegava e nada! Nem sinal da danadinha! Com certeza, devia estar caminhando ao lado de Irene, devagar, quase parando. Sentia falta dela, sempre me chamando de “véio do rio”. Estava doida que ela aparecesse logo, para mostrá-la a banheira que havia no segundo andar do albergue. Ela não ia acreditar! Já até ouvia sua voz dizendo:&lt;br /&gt;— “Véio do rio, conseguiu descobrir uma banheira neste albergue? Tô boba! Por isso é que eu não desgrudo ”de ocê”! Na minha próxima viagem, te levarei junto! Mas só se você se comportar direitinho! Com essa descoberta você ganha um pontinho...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saudade também do meu amigo Chico. Ele iria adorar a banheira. Se eu soubesse da existência dela antes, teria deixado um recado em algum albergue para que ele usufruísse daquele pequeno paraíso. Onde será que ele estaria? Talvez em algum bar, bebendo seu café com leite, acompanhado de seu amigo Enrique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ausência dos meus dois melhores amigos do Caminho, resolvi fazer uma surpresa para os demais, que mereciam um agrado. Fui ao mercado e comprei bastante comida e vinho. Fui para a cozinha e comecei a preparar o jantar e lá estava David, fazendo uns tremoços apimentados! Quando viu a quantidade de comida que eu trazia, perguntou se haveria um banquete. Eu respondi que sim, mas que ainda era uma surpresa. Então, propôs-me juntarmos nossas comidas. O pedido foi aceito na hora! Aos poucos, guiados pelo cheirinho vindo da cozinha, foram aparecendo os outros peregrinos. Contei que estávamos preparando um jantar de despedida. Logo, cada um foi contribuindo da sua maneira. Uns fizeram a salada, outros compraram a sobremesa e o pão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204716474400519810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDreDsVENoI/AAAAAAAAAPc/ZHCigJRsj-E/s400/Digitalizar0043.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Foi nossa última ceia. Todos pareciam estar sentindo o mesmo que eu. A tristeza estava visível no rosto de cada um. Tenho certeza de que se pudéssemos escolher, pararíamos o tempo ali e viveríamos este sonho por toda a eternidade! O Caminho de Santiago não é apenas uma estrada a seguir, não é apenas um lugar cheio de monumentos. É um chão realmente sagrado! Uma escola de vida! É onde aprendemos a ser verdadeiros, amorosos, caridosos, disciplinados e, acima de tudo, felizes e em paz com o mundo. Não seria exagero dizer que está no espírito do Caminho, o segredo do mundo perfeito. Quem o percorreu sabe muito bem o que estou dizendo! Infelizmente, é difícil explicar para as pessoas o que sentimos lá. Eles sempre pensarão que somos doidos por andar à pé quase 800km, com uma mochila nas costas. E, ao voltar para a vida “real”, o Caminho estará lá presente em nossas ações. Tentaremos pôr em prática a caridade, o não julgamento, a simplicidade, o amor e a paz. Essa é a grande lição do Caminho! Eu acabara de descobrir que ele estava apenas começando. O Caminho de Santiago era eterno e ninguém nunca o roubaria de mim! Bendita hora em que troquei o carro novo pela aventura!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204716478695487122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDreD8VENpI/AAAAAAAAAPk/mj4PeERJSic/s400/Digitalizar0045.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Da Esquerda par direita: Klaus, Diego, Luis Miguel, Diego, Harrison, Michaela e David&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-5040713854078872856?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/5040713854078872856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=5040713854078872856&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5040713854078872856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/5040713854078872856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/ltima-ceia-23-dia-e-noite.html' title='A ÚLTIMA CEIA - 23º DIA E NOITE'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDreEMVENqI/AAAAAAAAAPs/g_uIpEOoqJs/s72-c/Digitalizar0042.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8810442756637123405</id><published>2008-05-25T13:33:00.009-03:00</published><updated>2008-05-26T12:36:08.515-03:00</updated><title type='text'>QUASE LÁ - 22 E 23º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDmdiMVENjI/AAAAAAAAAO0/VNuv9maU2Bc/s1600-h/Digitalizar0035.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204364055154013746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDmdiMVENjI/AAAAAAAAAO0/VNuv9maU2Bc/s400/Digitalizar0035.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De Palas de Rei em diante, caminhei quase o tempo todo sozinha, envolvida em meus pensamentos, segura em saber que tinha minha “família peregrina” por perto. Nas horas de descanso, todos se reuniam e cantavam, dividiam experiências e ajudavam uns aos outros. Num desses encontros, senti a falta da minha amiga Mônica. Esperei um pouco, mas nada dela chegar! Decidi continuar sem ela. Certamente a veria no albergue de Árzua. Mas, ao encontrar meus amigos em um bar, um pouco mais adiante, Harrison e Diego disseram-me que seria melhor ficarmos em Ribadiso da Baixo. O que eu faria? Seguiria com o grupo que no dia anterior andou mais que o previsto só para me acompanhar, ou esperaria por minha amiga que estava junto comigo há dias? Fiquei no bar meditando um pouco a respeito, enquanto meus amigos seguiam viagem. Cheguei à conclusão de que cometeria o mesmo erro do início do Caminho, se retardasse meu ritmo para esperar a Mônica. Era hora de seguir meu rumo, sem amarras, sem dependências. Segui, portanto, em direção à Ribadiso da Baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da natureza exuberante, segui meu caminho, meditando. Parecia um filme! Minha vida toda passou diante dos meus pensamentos. A trilha sonora do dia era o cantar dos passarinhos. De repente, ouvi o que parecia ser batidas na madeira. Quando olhei para a árvore ao lado, vi um pica-pau. Que maravilha! Achei que nunca veria um pássaro desses ao vivo. Pensei no desenho animado, que eu acho um tanto cruel e achei que o bichinho não merecia levar a fama de espertinho. Mais à frente, adentrei um pueblo, onde tinha uma simpática igreja. Desde Roncesavalles, eu havia entrado em poucas durante o Caminho, mas aquela me chamou a atenção. Ainda bem que entrei! Foi a imagem de Jesus mais bonita que vi na vida. O nome do pueblo era Leboreiro e crucificado na cruz, aquele Jesus parecia estender a mão direita aos peregrinos. Muito interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204364046564079138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDmdhsVENiI/AAAAAAAAAOs/2dkuJTx5jQg/s400/Digitalizar0034.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Logo depois, parei para descansar em uma pedra à beira de um rio. Senti uma picadinha entre os dedos mindinhos e “seu vizinho” do pé esquerdo. Tirei o tênis para ver o que era. Parecia picada de formiga, mas acabei me deparando com a minha primeira bolha! Ah, eu tinha que perder a virgindade, né?! Sorte minha, ela era bem pequena, fiz um curativo e continuei sem problemas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204364059448981058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDmdicVENkI/AAAAAAAAAO8/HLLd69JHYig/s400/Digitalizar0036.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Na descida para Ribadiso, avistei Harrison e Klaus sentados à beira do rio, com os pés dentro d’água. Uma cena incomum até aquele momento. Que delícia passar o resto do dia descansando os pés na água de um rio! Juntei-me a eles e passamos ali o final de tarde, assistindo o espetáculo do pôr do sol, na mais santa paz. Fiquei esperando pela passagem da minha amiga Mônica, mas ela deve ter parado para dormir em Melide. Mais tarde, já ao cair da noite, juntamos a comida que cada um trazia consigo e fizemos um grande jantar. Tudo se transformou em uma grande festa novamente! As canções, os brindes, as histórias, as risadas, a felicidade. Diferentes nacionalidades, diferentes idiomas e um só objetivo: confraternizar, celebrar a paz e o amor. Este era o espírito do Caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, saímos bem cedo, logo ao amanhecer. Tirei várias fotos do nascer do sol e deixei-me contagiar por sua energia. O céu tinha cor alaranjada e os primeiros raios solares acariciavam meu rosto. Apesar do sono, conseguíamos manter a alegria e seguíamos cantando. Como boa brasileira, arrisquei até uns passos de samba, meio desequilibrados, devido ao peso da mochila em minhas costas. Tudo era motivo para que um sorriso tomasse conta de nossos rostos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204364815363225186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDmeOcVENmI/AAAAAAAAAPM/U4pLpaJY-3o/s400/Digitalizar0038.jpg" border="0" /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Já em Árzua, paramos para o café da manhã. Dali em diante, o grupo se separou. Tive meus momentos de solidão, de alegria, de tristeza. As emoções estavam à flor da pele. Era o penúltimo dia da jornada de um mês. O que encontraria em Santiago? Será que todo o esforço teria valido a pena? A minha vontade era de parar o tempo ou de começar tudo de novo. Talvez porque eu não tenha vivido plenamente o caminho ou porque o caminho é infinito? Mil perguntas povoavam meus pensamentos. Não queria que meu sonho terminasse. Eu ainda nem tinha outro sonho para buscar! Sentei no meio da trilha e chorei. Era um choro diferente, um mix de sentimentos: saudade, vontade de chegar a Santiago, nenhuma vontade de chegar a Santiago. Mesmo assim continuei, afinal, o caminho é para ser trilhado e tudo na vida tem início, meio e fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A paisagem era linda e me reconfortava. Aos poucos, voltei a curtir minha peregrinação, sem pensar na chegada. Realmente, a Galícia é a parte mais bonita do caminho. Passei por lugares encantados, saídos de conto de fadas. De repente, comecei a ouvir vozes e risos. Depois de uma curva, surgiu uma pequena cabana, onde estavam lanchando Mônica, Irene, Marc e os demais. Ah, nunca pensei que reencontraria a minha amiga antes de Santiago. Certamente ela deve ter dormido em Árzua, ou seja, a danada havia caminhado mais do que eu no dia anterior. Novamente foi uma festa! Combinamos, eu e Mônica, de dormir no Monte do Gozo, para chegarmos juntas a Santiago. Para variar, saí na frente deles e segui viagem sozinha novamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5204367491127850610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDmgqMVENnI/AAAAAAAAAPU/kruK1Hbb3Jw/s400/Digitalizar0044.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Marc, Mônica, eu e Irene&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8810442756637123405?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8810442756637123405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8810442756637123405&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8810442756637123405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8810442756637123405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/quase-l-22-e-23-dia.html' title='QUASE LÁ - 22 E 23º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDmdiMVENjI/AAAAAAAAAO0/VNuv9maU2Bc/s72-c/Digitalizar0035.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-2872389796613277417</id><published>2008-05-23T00:10:00.004-03:00</published><updated>2008-05-24T12:47:19.480-03:00</updated><title type='text'>UMA LINDA SURPRESA - 21º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mônica e eu, continuamos nossa rotina peregrina. Café da manhã reforçado e pé na estrada. Logo na saída de Portomarin, entramos em uma mata fechada. Parei para ajeitar meu cd player e disse para Monica que seguir na frente. De repente, uma mão tocou meu ombro. Levei um enorme susto! Para minha sorte, era um peregrino. Para minha má sorte, era um cara bem chato! Perguntou-me se eu tinha algum problema e respondi que não, mas ficou parado, esperando até que eu continuasse a andar. Eu, doida para ficar sozinha um pouco, curtindo minhas músicas e o danado falava sem parar! Inocentemente, ainda abri a boca para falar que era brasileira. Pronto! Estava feita a besteira! Era o motivo que ele queria para puxar assunto! Ser brasileiro no Caminho rende muita história. Ele começou a falar da feijoada, das namoradas brasileiras que colecionou e que nós éramos as mulheres mais quentes do mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— “Era tudo o que esperava ouvir nesse momento!” — pensei com meus botões...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vi que não tinha escapatória e desisti. Deixei que falasse à vontade. De vez em quando, eu respondia com monossílabos ‘não’ e ‘sim’! Sabia que não devia julgar as pessoas. Devia tentar perceber o que cada uma delas tinha a me acrescentar, mas não aprendi nada de especial com aquela conversa, pelo contrário, só me fez perder o humor. Vai ver ele só apareceu para exercitar minha paciência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203406493126144450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDY2ovy-scI/AAAAAAAAAOM/PsP2Mld3QEk/s400/Digitalizar0032.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Agradeci a Deus quando encontrei a Mônica mais à frente. Ela percebeu o que estava acontecendo, mas também não agüentou o papo e saiu em disparada. Era a vingança dela pela noite do gato! Talvez o homem tenha servido para dar uma forcinha ao seu caminhar (risos). Um tempo depois, chegamos a uma cidadezinha. O irmão do tagarela estava à sua espera em frente ao albergue. Foi aí que notei que não trazia consigo nenhuma mochila. Era um peregrino com carro de apoio, em busca de sua Compostelana&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Entrou no carro e seguiu seu Caminho. Com minha total aprovação, é claro! Fazia qualquer coisa para ver o rapaz bem longe de mim! Descansei os ouvidos e segui viagem. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com passos largos, acabei alcançando Mônica um pouco mais adiante. Paramos em um bar, a 12 km de Palas de Rei, onde dormiríamos. Um a um, foram chegando nossos amigos. Eu ainda estava com aquele sentimento confuso de final de sonho e fui tomada por uma nostalgia misturada com angústia. Resolvi telefonar para o Brasil novamente. Liguei para toda minha família, para alguns amigos, mas nada me fazia ficar completamente feliz. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203406497421111762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDY2o_y-sdI/AAAAAAAAAOU/N-3XfbFnmX4/s400/Digitalizar0033.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Àquela altura, os demais peregrinos já tinham voltado ao caminho e eu continuava ali, sem saber o que fazer com meus sentimentos, preparando o astral para continuar, quando ouvi vozes se aproximando. Era meu amigo Diego, o italiano que fazia parte do grupo que conheci em Sto. Domingo. Estava acompanhado de dois peregrinos. Um deles era o brasileiro Harrison, que já havia encontrado duas outras vezes, e o outro era um alemão chamado Klaus. Meu coração encheu-se de alegria! Uma surpresa maravilhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, meu desejo de reencontrar “minha família”, ou parte dela, seria realizado, não fosse um pequeno detalhe: eles estavam vindo de Ferreiros, ou seja, já haviam percorrido quase 25 km e deviam estar muito cansados para seguir até Palas de Rei. Com meu irresistível charme, modéstia à parte, consegui convencê-los a caminhar uns quilômetros a mais. Aos poucos, fomos juntando os amigos para chegarmos juntos a Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O albergue de Palas de Rei transformou-se em uma festa! Eu com meus amigos, Mônica com os dela, e mais um batalhão de peregrinos, lotamos todos os leitos e acabamos com a água quente! Os boxes não tinham cortinas, mas isso não importava. Não havia maldade entre nós. Enquanto eu tomava meu banho, alguns peregrinos circulavam pelo banheiro e até me cumprimentavam. Era uma bagunça total! Claro que algumas mulheres ainda não estavam à vontade, então improvisei uma cortina com o meu poderoso “varal”, feito com um extensor (aquele elástico que usamos nos racks dos carros) e a canga de praia. Tudo na maior normalidade. Pelo menos para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o jantar, cada um cantou uma música de seu país. Foi divertidíssimo ouvir as mais estranhas músicas, nas mais estranhas línguas. Algumas eu já conhecia, como “Sole mio”, cantada em italiano por Diego; mas imaginem como foi ouvir a música mais popular da Alemanha! Depois de algumas taças de vinho, arrisquei cantar “Aquarela do Brasil” e outras canções brasileiras não tão populares para eles. Enfim, era como eu sonhava! Uma grande família dividindo alegrias e tristezas.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Certificado de conclusão do Caminho de Santiago.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-2872389796613277417?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/2872389796613277417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=2872389796613277417&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2872389796613277417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2872389796613277417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/uma-linda-surpresa-21-dia.html' title='UMA LINDA SURPRESA - 21º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDY2ovy-scI/AAAAAAAAAOM/PsP2Mld3QEk/s72-c/Digitalizar0032.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-7558256477454357457</id><published>2008-05-22T23:44:00.000-03:00</published><updated>2008-05-22T23:52:04.534-03:00</updated><title type='text'>NEGRO GATO - 20ª NOITE</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;   Estávamos na cozinha, Mônica e eu, tomando uma xícara de café com leite. O albergue já estava todo na escuridão. A maioria das pessoas já dormia. Falávamos alegremente das nossas passagens do caminho, quando vi Mônica paralisada, com os olhos arregalados. Apontou para a cadeira ao lado, onde havia um gato preto, olhando fixamente para nós. Como adoro gatos, chamei-o para perto de mim, com grande reprovação por parte dela, que estava assustadíssima. Dei-lhe um pouco de leite e alguns pedacinhos de pão. A Mônica insistiu tanto para eu tirar o bichinho dali, que não pude recusar. Levei o gato para a rua e fechei a porta. Resolvido! Éramos só nós duas a fofocar. Um peregrino desavisado, que chegou mais tarde, deixou a porta entreaberta e o gato voltou. Mais uma vez, levei-o para fora e deixei no chão um pequeno pires cheio de leite, para que ele pudesse se distrair e não mais voltar. Só então fomos para cama em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Escolhemos o “andar térreo” dos beliches, para facilitar uma possível ida ao banheiro no meio da madrugada (fiquei traumatizada com baldes e pinicos!!!). Nossas camas ficavam uma ao lado da outra. Havia uma mesinha, encostada na cama da Mônica, onde coloquei minha mochila. Abri meu “varal” e aproveitei para estender as roupas, ainda úmidas, no estrado da cama. Eu havia levado um elástico e uma canga, com isso, montava um varal nas camas onde dormia. Dessa forma, além de minhas roupas secarem durante a noite, eu tinha um pouco de privacidade, pois ninguém conseguia me ver. Sem mais fofocas para pôr em dia, pus-me a dormir como um anjo. No auge do sono, uma luz forte pairou sobre meu rosto, acordando-me. Junto a essa luz, uma voz trêmula e suspirante dizia:&lt;br /&gt;— “Tilaaaaaaraa... Tilaaaaaaraa... O gaaaaaatooo... O gaaaaaaatooo... Ele está na sua mochilaaaaaaaa!!! Eu estou com meeeedoo...”&lt;br /&gt;Nem preciso dizer quem é, não é? Era a minha amiga Mônica com a lanterna apontada para mim. Segundo ela, o gato estava plantado, com os olhos arregalados a encará-la.&lt;br /&gt;— “Ah, Mônica... Deixa ele! Vai dormir e deixa o bichinho em paz! Ele só quer uma cama quentinha e confortável e não me importo se essa cama for a minha mochila!” — argumentei em vão.&lt;br /&gt;Foi a coisa mais engraçada do mundo! Um mulherão daqueles, cismada que o gato iria atacá-la a qualquer momento. E o medo dela era tanto, que me contagiou. E eu não podia “amarelar”, pois foi minha a idéia de mimar o gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Reuni força e coragem, e saí pelo quarto a assobiar chamando o gato. Graças a Deus, ele seguiu-me até a rua. Ao voltar, fechei a porta do quarto, segura de que o bichano não mais voltaria. Um peregrino, que voltava do banheiro, deixou a porta novamente entreaberta. Eu avisei a Monica de que minha parte estava feita e que se o gato voltasse, a culpa era do tal peregrino. É claro que ela quase me matou! Restou-me torcer para que o gato não encontrasse o caminho de volta, ou então, seria outro escândalo daqueles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Depois de tanta confusão, custei a pegar no sono de novo. Eu comecei a pensar no gato voltando, subindo na minha cama e me atacando. Tomei coragem e fui conferir se o bichinho estava mesmo do lado de fora. Para meu desespero, não encontrei nada. Nem sinal de gato! Voltei para a cama e passei a noite em claro. No final das contas, eu é que acabei sem dormir com medo do gato, enquanto a Mônica dormia como um anjinho.  Coisas do caminho...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-7558256477454357457?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/7558256477454357457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=7558256477454357457&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7558256477454357457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7558256477454357457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/negro-gato-20-noite.html' title='NEGRO GATO - 20ª NOITE'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-807762966913886886</id><published>2008-05-21T00:02:00.005-03:00</published><updated>2008-05-23T00:27:03.515-03:00</updated><title type='text'>PIPI ROOM - 20º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202667811843259186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDOWz1lGuzI/AAAAAAAAAN0/7_YHj0IFoUE/s400/86.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fomos todos: David, Mônica, Irene, Linda, Mark e eu, tomar café da manhã na casa de Carmem, que nos recebeu com muito amor. A comida era farta e, mais uma vez, deixei-me levar pelo olho grande. Fazer o quê? Era preciso muita energia para continuar (risos). Além disso, demorar-me um pouco mais no café da manhã significava retardar minha chegada a Santiago. Quanto mais tempo eu demorasse, mais duraria meu sonho. E porque não, fazê-lo durar para sempre? Era um pergunta que rondava meus pensamentos à toda hora. Infelizmente, ainda não estava pronta para deixar minhas vaidades, meu vícios e tampouco, deixar para trás toda uma vida. Seria uma mudança muito radical e, no fundo, eu ainda tinha medo de tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a última a deixar o restaurante de Carmem. Segui sozinha até o povoado de Ferreiros, onde estava o marco dos últimos 100 km. Foi a primeira vez que senti, de verdade, que o Caminho chegaria ao fim. Já estar acostumada àquela rotina e tinha esquecido que um dia chegaria a Santiago. O que seria de mim dali para frente? Eu encontraria as setas amarelas para me guiar por toda vida? Estava confusa, não queria mais chegar a Santiago, queria passar o resto da vida caminhando, conhecendo pessoas, compartilhando alegrias e dificuldades, sentindo-me em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Ferreiros, juntei-me a Mônica novamente. A chuva dos dias anteriores deu uma trégua e já dava para ver melhor a paisagem da Galícia. Passamos por entre árvores imensas, beirando pequenos riachos. Era como estar no bosque da “Chapeuzinho Vermelho”. Realmente o verde galego é algo indescritível. Tudo parecia uma pintura. Se pudesse emoldurar tudo o que via, daria um ótimo quadro. Sei que gastei um filme inteiro tirando fotos daquele dia. A Mônica não gostava muito de fotografar lugares. Repetia a toda hora que, se fosse para fotografar as paisagens, era melhor comprar cartão postal. Gostava mesmo era de colocar a carinha na frente de uma câmera. Parecia até que eu era a agente de viagens, e ela, a modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuamos clicando e andando pelos bosques encantados das histórias infantis. De repente, ao passar por uma casa, um filhote de pastor alemão veio em nossa direção. A Mônica quase infartou! Eu fiquei parada onde estava. Por mais fofinho que fosse o cão, não sabíamos se era amigo ou não. Por sorte, ele queria festa! Continuamos andando e o bichinho nos acompanhou por uns 10 km. Ora ia à frente, guiando nossos passos; ora ao lado, fiel escudeiro. Às vezes, espantava os passarinhos que, na visão dele, estavam a nos ameaçar. Só nos deixou, quando, ao cruzar uma estrada, um outro cachorro (esse nada amigável) o espantou. Cheguei a pensar na possibilidade de trazê-lo de volta ao Brasil comigo. Comentei com a Mônica que se ele nos seguisse até Portomarin, seria então meu mais novo bichinho de estimação. Foi uma lástima não ter dado um nome para meu amigo, por isso só posso referir-me a ele como “fiel”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti que a Mônica andava mais devagar que eu. Para não desrespeitar meu ritmo, pedi licença e apertei o passo. De repente, caiu uma chuva de granizo. Que loucura! Minutos antes, um sol de rachar côco, logo depois, lá estava eu, toda encolhida, sentindo os “tiros” vindos do céu. Era o exemplo perfeito para o que os budistas chamam de impermanência. Nada é para sempre igual, tudo muda, morre ou se vai, inclusive nós. E a chuva, é claro! Se o céu da Espanha, particularmente o da Galícia, tivessem um signo, arriscaria dizer que seria gêmeos, tamanha facilidade em ir, com extrema rapidez, de um extremo a outro. Eu, como boa virginiana, fui salva pela famosa capa do “véio do rio”. Ao menos valeu de alguma coisa agüentar tanta brincadeira da Monica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de enfrentar chuva e granizo, avistei uma cidadezinha, ou melhor, um povoadinho. Rezei para que tivesse um bar por perto. Estava, de novo, à procura de um bar! Dessa vez, não era pela gula e sim, por um lugar decente onde eu pudesse usar o banheiro (leia-se: número 2). Ao longe, avistei uma senhora, sentada em cima de uma coisa azul que não pude identificar.&lt;br /&gt;— “Que bom!” – pensei. “Posso perguntar se existe algum bar por aqui...”&lt;br /&gt;De repente, essa senhora levantou-se e aí, pude ver o que havia debaixo dela. Era um enorme balde! Já fiquei meio “cabreira”, mas ainda não tinha visto o bastante. Ela vestiu as calças, sem ao menos limpar-se, pegou o tal balde e jogou o que havia dentro dele no meio do mato.&lt;br /&gt;— “Nossa! Com certeza, não será aqui que encontrarei um banheiro!” — pensei.&lt;br /&gt;Fui aproximando-me, meio receosa, formulando a melhor maneira de perguntar por um banheiro, sem que a velha desconfiasse disso. Eu não queria sentar naquele “trono”! Para não ser tão direta, perguntei-a:&lt;br /&gt;— “A cidade mais próxima, onde eu possa encontrar um bar, está muito longe daqui?”&lt;br /&gt;Não me deixou esperando um minuto sequer! Sem que eu tivesse tempo de responder, ela me agarrou pelo braço e saiu arrastando-me pela rua, dizendo:&lt;br /&gt;— “Não se preocupe! Tenho bastante comida para você!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vi, já estava dentro de sua humilde casa. Bem modesta mesmo! O chão era de terra batida, havia um monte de roupas empilhadas em um canto, uma pequena mesa logo à direita, onde ficavam as comidas e utensílios de cozinha. O copo, onde me ofereceu vinho, era de plástico e estava bem sujo! Deu-me chorizo e pão para comer com o maior carinho do mundo, mas quando olhei suas mãos imundas, lembrei-me da cena que ela acabara de protagonizar. Tenho que confessar! Tive vontade de sair em disparada, com nojo de tudo aquilo! Pensei em como escapar daquela armadilha e percebi que o jeito era comer o mais depressa possível e correr até a cidade mais próxima. Foi o que fiz, mas, para meu desespero, ao ver-me comendo com tanta rapidez, a velha senhora pensou que eu ainda estivesse faminta. Não adiantava negar, pois ela achava que eu era tímida! Juro que desejei uma fralda descartável naquela hora! Entreguei os pontos. Ela havia vencido! Confessei estar com vontade de ir ao banheiro e aí ela me apresentou ao famoso?... Adivinhem!... Ao famoso... BALDE!!! É...depois de grande, voltei à fase do pinico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais aliviada e bem alimentada (aliás, ficaria dias sem comer depois de tanto pão!), voltei a “rolar” pelo Caminho. Acabei encontrando Mônica mais à frente. Estava acompanhada de sua amiga Irene. Ela estranhou o fato de eu ter ficado para trás e então contei o motivo da minha demora. Claro que ela quase morreu de tanto rir da minha cara! E ainda por cima, disse que eu havia encontrado meu par perfeito: a “véia da rua”! Brincadeiras à parte, tínhamos um problema sério: Irene quase não andava de tanta dor nos pés. Eram as famosas bolhas! Não sei o que foi mais nojento naquele dia: ver a Irene costurando bolhas de sangue ou o ter usado o balde da gentil senhora! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202667816138226498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDOW0FlGu0I/AAAAAAAAAN8/ylXgTeCNdHQ/s400/87.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Ainda fiquei um tempo com elas, mas meu ritmo continuava frenético e as duas estavam impossibilitadas de acompanhar-me. Mais uma vez disparei. Cheguei a Portomarin horas antes das duas. É uma cidade encantadora, diferente das demais, um pouco mais moderna e alegre. Para chegar até lá, atravessei uma enorme ponte sobre o rio Miño e, do outro lado, vi o albergue da juventude, construído quase sobre as águas do rio. O visual é maravilhoso! O albergue de peregrinos também era grande e confortável como o de Barbadelos, mas este estava bem cheio. Creio que quanto mais perto de Santiago, maior o número de peregrinos. Deu tempo de conhecer toda cidade antes que a Mônica chegasse com sua amiga Irene. Como de costume, arrumamos nossas camas e saímos para jantar. Passamos na igreja, onde peguei uma nova credencial. A outra estava repleta de carimbos de todos os bares do Caminho. Ainda acho que este livro deveria chamar-se “No Caminho de Santiago de bar em bar”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202667816138226514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDOW0FlGu1I/AAAAAAAAAOE/CY98dz7JrNA/s400/88.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para o albergue para os tradicionais afazeres: lavar roupa, preparar tudo para o dia seguinte e ter uma ótima noite de descanso, mas não foi bem isso que aconteceu...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-807762966913886886?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/807762966913886886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=807762966913886886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/807762966913886886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/807762966913886886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/fomos-todos-david-mnica-irene-linda.html' title='PIPI ROOM - 20º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDOWz1lGuzI/AAAAAAAAAN0/7_YHj0IFoUE/s72-c/86.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-1644346417120121673</id><published>2008-05-19T15:14:00.008-03:00</published><updated>2008-05-23T00:28:19.294-03:00</updated><title type='text'>"VÉIO DO RIO" - 19º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi um longo e chuvoso dia até Sarria. Para piorar, continuávamos beirando a estrada, sentindo o vento forte dos carros. Já não tínhamos mais novidades para contar uma à outra e o jeito foi seguir em silêncio. Andamos por mais de três horas seguidas! Não havia lugar para descansar, devido à forte chuva. Os poucos pontos de ônibus com cobertura que encontramos, estavam totalmente alagados. Logo percebi que minha amiga não agüentaria o tranco por muito tempo. Então, tratei de apressar o passo, para que pudéssemos chegar rápido em algum lugar para descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mônica estava um trapo quando chegamos à Sarria. Serei justa e não vou negar que eu também já não tinha quase mais forças para caminhar naquele dia. Faltavam alguns metros para a chegada, quando nos demos conta de que era hora da “siesta”. Foi difícil encontrar um bar aberto. Também ao encontrar, foi a glória! Sentamos confortavelmente à mesa e pedimos algo bem quente para beber. Combinamos descansar um pouco e depois continuar a jornada. Claro que nenhuma de nós conseguiu resistir ao pecado da gula e pedimos bolinhos de chocolate. Desde o começo, meu Caminho foi um eterno “come e descansa”. Enquanto nosso pedido não chegava, nossos corpos deslizavam delicadamente pela cadeira, até ficarmos quase deitadas. Se não fosse feio, juro que teria pedido para deitar-me um pouco no chão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi sair para comprar um cigarro. Até aquela hora não tinha sentido vontade de fumar, mas diante de tantos bolinhos e cafézinhos, foi impossível segurar meus instintos. Não sei se estava sob algum efeito alucinógeno, provocado talvez, pelos bolinhos de chocolate, mas ao retornar ao bar, imaginei ter visto o ator Claudio Marzo atravessando a rua onde eu estava. Quando contei isso à Monica, ela não perdeu tempo em tirar um sarro da minha cara:&lt;br /&gt;— “O que ele estaria fazendo aqui nessa cidade? Você deve é ter fumado alguma coisa um pouco mais forte do que esse cigarro e está delirando! Vai ver você viu o ‘véio do rio’!” – referindo-se à famosa personagem interpretada por ele na novela Pantanal.&lt;br /&gt;Daí para chamar-me o tempo todo de ‘véio do rio’, foi um pulo. Ainda mais que minha capa de chuva estava sempre amarrada ao meu pescoço, voando com o vento, deixando-me parecida com o tal ‘véio’. O apelido pegou e não consegui nenhum à altura para dar a ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202160765184162594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDHJp1lGuyI/AAAAAAAAANs/qGNgRPq4z30/s400/Digitalizar0005.bmp" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;RELEMBRANDO: FOTO TIRADA EM ZUBIRI - NÃO PAREÇO O "VÉIO DO RIO"?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entramos em Barbadelos, ficamos assustadas com a simplicidade exagerada do lugar. Parecia uma fazenda, mas depois vi que era um pueblo. Embora a cidadezinha não tivesse infra-estrutura, o seu albergue era grande e confortável. Todos os albergues da Galícia o são, mas os hospitaleiros são meros carimbadores de credencial. Não me recordo de nenhum que tenha sido simpático e de boa vontade. O espírito do Caminho havia se perdido. Tudo parecia ter virado um grande comércio. Pouco tempo depois de nos acomodarmos, um peregrino apareceu. Era David! O amigo inglês que eu havia encontrado em Burgos. Mas não fui só eu que tive surpresas. Alguns amigos da Mônica também chegaram: Linda, Irene e Mark. Realmente eram alegres e simpáticos como ela havia descrito. Enfim, reencontros e muita alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202159790226586386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDHIxFlGuxI/AAAAAAAAANk/tVt6-kK3XyI/s400/Digitalizar0031.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Éramos só nós cinco no albergue. Estávamos confraternizando, quando um ônibus de turismo parou na entrada do refúgio. Desceram umas 30 pessoas, todas “fantasiadas” de peregrinos, com cajados, roupas e mochilas iguais às nossas, porém, não havia sinal de uso. Pareciam recém tiradas do armário. Perguntaram pela hospitaleira para carimbar a credencial. Fiquei pensando em tudo aquilo. É como receber um diploma de curso superior sem ter estudado. Quando saí para informá-los de que a hospitaleira ainda não tinha chegado, vi o brilho nos olhos de uma senhora. Parei para conversar com ela. Perguntou-me tudo sobre o Caminho. Quantos quilômetros eu andava por dia, onde tinha iniciado a peregrinação, se eu estava sozinha, de onde eu era. Depois de terminar seu questionário, a senhora calou-se por uns instantes e algumas lágrimas desceram de seus olhos. Perguntei porque ela chorava.&lt;br /&gt;— “Gostaria de estar experimentando esses sentimentos também. Minha saúde é frágil e tenho que me contentar em fazer o Caminho de ônibus.”&lt;br /&gt;Por fim, pediu-me que não a esquecesse quando chegasse em Santiago. Fiquei comovida com aquilo! Não tinha percebido o tamanho da minha façanha. Eu estava realizando um sonho que não pertencia só a mim, era o sonho de muitos. Percebi que, em respeito a todos os peregrinos impossibilitados de percorrer o Caminho da forma tradicional, eu deveria agradecer a cada minuto, a benção que me foi concedida por Deus de estar ali, e doar-me de corpo e alma àquele sonho. E agradecer também pela humildade em reconhecer que estava errada novamente e que deveria para de julgar as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui sozinha jantar. Eu tinha me prometido uma noite de fartura! A companhia de Carmen, a dona do restaurante, foi agradabilíssima. Conversamos bastante. Contou-me que no ano anterior, um grupo de brasileiros havia passado por ali e feito uma grande festa. Gostara tanto deles que, dias depois, lá estava ela em Santiago, na Praça do Obradoiro, em frente à Catedral, esperando por todos de braços abertos. Largou o restaurante e passou alguns dias com o grupo festeiro. Mostrou-me as fotos de meus compatriotas e, para minha surpresa, quando li uma das mensagens no seu livro, descobri que um deles morava perto de mim. Quando eu disse isso, ela deu um salto de alegria. Até aquele momento, não tinha recebido notícias de todos do grupo e justamente do meu “quase-vizinho”. Escreveu uma enorme carta e pediu-me que a entregasse ao rapaz, o que foi cumprido logo que cheguei ao Rio, mas isso já é um capítulo à parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando voltei ao albergue, os demais peregrinos estavam em festa. Quase no final da peregrinação e os corações estavam apertados, ansiosos. Aquela noite foi super agradável. Banho quente para todos, camas confortáveis e o silêncio total, sem os roncos de sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-1644346417120121673?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/1644346417120121673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=1644346417120121673&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1644346417120121673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/1644346417120121673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/vio-do-rio-19-dia.html' title='&quot;VÉIO DO RIO&quot; - 19º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SDHJp1lGuyI/AAAAAAAAANs/qGNgRPq4z30/s72-c/Digitalizar0005.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8077450280321725547</id><published>2008-05-18T00:19:00.004-03:00</published><updated>2008-05-19T15:14:06.367-03:00</updated><title type='text'>O REENCONTRO - 18º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na manhã seguinte, ao deixarmos Triacastela bem cedinho, Gema, Gabriel e eu, havia dois caminhos a seguir: um passava pelo Monastério de Samos e o outro, por San Xil. O primeiro nos daria a chance de conhecer a história; o segundo, a natureza. Optamos pelo Monastério de Samos, afinal, um pouco de história não faz mal a ninguém! Mais uma vez, o Caminho encontrou a dureza do asfalto. Fomos driblando os carros que passavam em alta velocidade, sem que isso nos estressasse. Eu, particularmente, conseguia novamente ver beleza até mesmo na artificialidade de andar no asfalto. Definitivamente eu havia mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201555569932417762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SC-jO1lGuuI/AAAAAAAAANE/uVnUF9v5aM0/s400/Digitalizar0029.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito tempo até chegarmos a Samos. É um lugar maravilhoso, cheio de energia e de história. O Monastério ficava logo na entrada da cidade. Suas paredes eram cheias de arte, com pinturas das passagens bíblicas que, de tão perfeitas, muitas vezes, tínhamos a impressão de que eram reais. Depois de conhecer o seu interior, assistimos uma Missa com Canto gregoriano. Foi uma das coisas mais bonitas e tocantes que já vi em toda minha vida! A igreja que ficava do lado de fora era linda e aconchegante. Possuía muita riqueza também, o que me fez refletir se há a necessidade de ter tanto ouro em suas esculturas, enquanto no mundo, existem milhares de seres humanos passando fome. Mas, achei melhor seguir meu Caminho, sem julgamentos. &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201555574227385090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SC-jPFlGuwI/AAAAAAAAANU/auLOf6uAf8k/s400/Digitalizar0025.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente, ouvi uma voz de mulher chamando por mim. Virei-me e dei de cara com a brasileira mais engraçada de todo o Caminho: Mônica. Foi uma festa!!! Os gritinhos devem estar ecoando pelos corredores tranqüilos do Monastério de Samos até hoje. Bem coisa de mulher mesmo! A corridinha meio sem jeito, de braços abertos e as mãos abanando, o abraço apertado, e uns projetos de lágrimas quase rolando pelo rosto, unidos a muito escândalo, “pero no mucho”... Agora, imagine tudo isso, com uma mochila peregrina nas costas! É como se fosse um grande acidente envolvendo duas carretas, carregadas de mercadorias. As ruas de Samos nunca mais seriam as mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mônica era super animada, engraçada e uma grande companhia. Tinha um jeitinho todo especial de reclamar de tudo. O que ela mais odiava nos peregrinos era a simplicidade exagerada, principalmente daqueles que não eram chegados a um banho. A danadinha estava sempre impecável! Usar a mesma roupa do dia anterior, nunca! Muito menos sair sem usar um creminho no rosto! Ainda hoje dou boas risadas ao lembrar dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Caminho é uma maravilhosa fonte de informações da vida alheia! É incrível como sempre descobríamos onde estavam as pessoas que conhecíamos, o que faziam, quem continuou, quem parou, quem namorou quem... E olha que muita gente arranjou um caso de amor por lá. Infelizmente não aconteceu comigo. Adoraria encontrar minha alma gêmea, mas já é tão difícil encontrar a si próprio... Mônica contou-me as últimas notícias que teve do Calixto e do Emerson. Aparentemente, o Calixto tinha parado em algum albergue e estava prestes a abandonar a peregrinação, devido às fortes dores no joelho. O Emerson vinha devagar, mas bem. Sobre meu amigo Chico, ela nada sabia. Senti uma saudade danada daquele companheiro tão cheio de humor e energia. Tive vontade de parar em algum lugar (leia-se bar), à espera de todos que conheci, para nos reunirmos e chegarmos juntos a Santiago. Seria interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201555569932417778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SC-jO1lGuvI/AAAAAAAAANM/3zQX8_wL7d4/s400/Digitalizar0030.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Apresentei Mônica aos meus amigos espanhóis e voltamos para o albergue. O combinado era almoçarmos e seguirmos caminho, mas depois de tanto comer, fiquei novamente com preguiça e minha amiga Mônica também não era das mais animadas para caminhar. Não poderia ter outro resultado, que não fosse desistirmos de continuar o Caminho naquele dia. Decidimos, Mônica e eu, ficar ali mesmo no albergue do Monastério e seguir no dia seguinte. Despedimo-nos dos meus amigos espanhóis e fomos fazer turismo pela pequena cidade. Nosso “tour” não durou cinco minutos e ficamos sem ter o que fazer para ocupar o resto do nosso dia. Quase me arrependi de não ter seguido adiante! Não gosto de ficar sem fazer nada, esperando a vida passar por mim. Porém, a amizade foi mais importante que a vontade de chegar. Mais uma lição do Caminho. Às vezes deixamos para trás todas as pessoas que fizeram parte de nossas vidas, com o objetivo de alcançar um porto seguro, mas esse porto está justamente nos amigos, na família e no amor que eles nos proporcionam. E o melhor de tudo é que eu não estava deixando de caminhar por causa dela, e sim, por querer desfrutar de sua companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banho foi a parte mais engraçada do dia. A Mônica estava em um chuveiro ao lado do meu, reclamando sem parar que a água vinha em pouca quantidade, que estava fria, que não dava para tomar um banho decente e, a todo o momento, fazia questão de lembrar o maravilhoso banho que tomou em um hotel de Estella. Disse-me que, quando chegasse em Santiago, ficaria no melhor hotel da cidade para compensar todos os banhos mal tomados. Cômico foi vê-la arrumando a cama. Saía tudo de dentro daquela mochila! Protetor de colchão (segundo ela, comprados na lojinha de R$1,99), lenço de seda (que era usado como fronha)... Só faltou o ursinho de pelúcia! O saco de dormir, transformou-se em cobertor, porque ela não admitia dormir naquele “casulo” e logo depois vieram os cremes. Creme para as mãos, para os pés, para o rosto, para as dores. Nesse ponto, acho que eu era uma peregrina bem prática e desprovida de vaidade. Quando comentei com ela sobre o exagero de coisas em sua mochila, tinha a resposta na ponta da língua:&lt;br /&gt;— “Isso não é nada Fofolete! O pior foi uma gringa que levava um secador de cabelos e fazia escova todos os dias antes de sair caminhando por aí!”&lt;br /&gt;Diante de tal argumento, tive que concordar e calar-me. Cada um tem noção do que realmente é essencial para si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só conseguimos dormir depois de terminarmos nosso repertório de fofocas. O albergue era extremamente gelado e a noite para ela foi um terror. Graças à minha intuição, meu “casulo de dormir” agüentava temperaturas de até –5º, portanto, não tive problemas com as noites frias. Minha noite foi tranqüila, já a da minha amiga Monica, parece não ter sido das melhores. Seu “casulo” não devia suportar temperaturas baixas. Acordou de mau humor, reclamou do frio, do albergue, enfim, de tudo! Para compensar, só mesmo um delicioso café da manhã numa padaria em frente ao Monastério. Tivemos sorte. Na minha opinião, aquela foi a torrada mais gostosa que já comi, bem quentinha e com aquela manteiga derretendo...humm... Ainda assim, Monica conseguiu achar alguma coisa para reclamar: a conta!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8077450280321725547?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8077450280321725547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8077450280321725547&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8077450280321725547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8077450280321725547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/o-reencontro-17-dia.html' title='O REENCONTRO - 18º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SC-jO1lGuuI/AAAAAAAAANE/uVnUF9v5aM0/s72-c/Digitalizar0029.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-7571003760641673186</id><published>2008-05-16T12:07:00.004-03:00</published><updated>2008-05-19T15:13:50.433-03:00</updated><title type='text'>O CEBREIRO - 16º  e 17º DIAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SC2kWllGutI/AAAAAAAAAM8/xpXQMX5Vu8U/s1600-h/79.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200993852634610386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SC2kWllGutI/AAAAAAAAAM8/xpXQMX5Vu8U/s400/79.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acordei feliz, porém com vontade de caminhar sozinha. Deixei que todos saíssem um pouco antes de mim. Segui caminhando, até encontrar uma bifurcação. Na saída de Villafranca, havia duas alternativas para chegar ao Cebreiro: pela trilha dos peregrinos ou pela estrada de asfalto. A trilha era mais difícil, a subida muito íngreme e também mais longa. Pela facilidade, acabei escolhendo a estrada. Arrependi-me amargamente! Era grande o fluxo de carros e caminhões. Para completar, encontrei, muito a contragosto, uma companhia para aquele dia. Era uma peregrina da África do Sul. Lembrei-me da Carla, minha grande amiga. Apesar de não sentir-me tão à vontade com ela, fomos ajudando-nos, mutuamente, durante todo o percurso. Andávamos pelo acostamento, que era minúsculo, e sempre que algum veículo passava por nós, quase éramos lançadas para fora da estrada, devido ao deslocamento de ar. Não conseguia relaxar um minuto sequer e fiquei pensando no que as pessoas pensariam se soubessem do risco que eu estava correndo naquela hora. Imaginei minha família recebendo a notícia da minha morte numa estrada da Espanha! A notícia estampada nos jornais sensacionalistas do Brasil: “Peregrina brasileira atropelada no Caminho de Santiago de Compostela”. Graças a Santiago, nada disso aconteceu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após longas horas enfrentando a ventania provocada pelos carros na estrada, encontramos um bar em Trabadelo. Que felicidade! Senti saudade do Chico! Lembrei do nosso ‘projeto’ de escrever o livro “No Caminho de Santiago de bar em bar.” Claro que isso não passava de uma grande piada, mas era nosso jeito particular de rir da preguiça que tomava conta de nós. Depois dele, não encontrei outro companheiro para os cafés-com-leite. Enfim, tinha que seguir e o jeito era dar-me a chance de fazer novos amigos. Paramos um pouco, até que avistamos outros peregrinos chegando. Todos, sem exceção, reclamavam da estrada. A vontade era unânime: pedir carona ao primeiro que passasse. Estava triste, furiosa e estressada, o que me rendeu uma bela dor de cabeça. Pensei até em dormir em algum albergue antes de chegar ao Cebreiro, mas lembrei que minha mochila já tinha ido de carro (Jesus Jato leva as mochilas dos peregrinos, para que possam enfrentar a subida sem peso nas costas) e não teria roupas, tampouco saco de dormir. Não tive escolha. Era subir ou subir! Lembrei das palavras do Acácio:&lt;br /&gt;— “Para alcançar a sabedoria, você experimentará muita dor e tempestade! Crescer é difícil”.&lt;br /&gt;Depois de enrolarmos um bocado no bar, talvez adiando o confronto com a temida subida ao Cebreiro, juntamos os cacos e seguimos. Afinal, para chegar em Santiago, era preciso vencer um dia após o outro, um desafio de cada vez!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paisagem do Caminho começou a mudar desde então. Saímos da estrada e entramos em um vale lindo, cheio de árvores e bichos. Vaquinhas gordinhas, cavalos lindos e pássaros que cantavam o tempo todo. Por um momento, esqueci da subida que estava por vir. De repente, havia outra bifurcação. Esta separava o Caminho dos peregrinos e dos ciclistas. Novamente a escolha: a trilha ou a estrada. Resolvi contrariar tudo e todos e fui por onde vão os ciclistas. Era uma ótima chance de ficar sozinha na assustadora subida ao Cebreiro. No início, senti um alívio grande em não dividir com ninguém aquele momento. Logo depois, uma angústia igual a que experimentei no primeiro dia de Caminho se repetiu. Olhei para os lados e não vi viva alma. Não ouvi um barulhinho sequer! Aquilo me apavorou de tal forma, que comecei a perder as forças. Parei e comecei a chorar. Foi um choro longo, intenso. E então vi que, por mais que gostasse de estar sozinha, ainda sentia medo da solidão, porque ela me colocou frente a frente comigo mesma e era insuportável admitir que não era perfeita. Essa reflexão me fez ver que eu sempre fugi dos meus problemas, tentando resolver os dos outros. Senti como se estivesse saindo de um casulo. Foi ali que descobri quem eu realmente era, minha verdadeira essência, minhas preferências, medos, amores e dissabores. De uma hora para outra, senti-me pronta para enfrentar a subida. Parecia que tudo ao meu redor havia se transformado. Comecei a perceber o céu, o ar puro e a paisagem maravilhosa que tinha deixado passar desapercebida até então. Quando cheguei ao Cebreiro, parei diante daquele imenso vale e gritei como uma louca. Eram gritos de raiva, de dever cumprido, de satisfação e de alegria. Sentimentos que não conseguia entender direito, mas tinha uma única certeza: a felicidade de ser livre! Quebrei a casca e estava pronta para enfrentar a vida de frente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite no Cebreiro, tive muitos pesadelos e acordei várias vezes. Numa delas, resolvi dar uma olhada pela janela e o que vi foi assustador! As árvores balançando com o forte vento, chuva de gelo e vultos por toda a parte. Havia também um barulho ensurdecedor, que teimava em deixar meus ouvidos em paz. Vários rostos se formavam diante de mim. Resolvi fechar os olhos e dizer a mim mesma que tudo não passava de uma bobagem da minha cabeça. Concentrei-me na energia divina e, ao abrir os olhos, vi que a noite estava linda, com o céu estrelado, exatamente como o significado da palavra Compostela: um grande campo de estrelas. Preparei um café, saí, fumei meu cigarro e fiquei curtindo a solidão, que já não me amedrontava. Aliás, nada mais me incomodava, nem mesmo o fato de estar frio pra chuchu ali fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanheceu com muito frio e chuva. Em outra ocasião isso seria uma tragédia, mas meu espírito estava mais calmo, mais sereno e foi um dia maravilhoso! Só lamentei não ter visto a Galícia lá de cima e sentir-me dona do mundo de novo, como em El Acebo, porque as nuvens estavam encobrindo tudo. Quando a chuva apertou, ficou difícil caminhar. Os pingos chegavam a doer quando batiam em meu rosto, o vento forte desequilibrava-me o tempo todo e a visibilidade era quase nula. Já sentia na pele, literalmente, o clima louco da Galícia. Andei sozinha por muito tempo, até que ouvi vozes. Era um casal de peregrinos. Vinham batendo papo e rindo. Despertaram-me da fase ermitã que eu estava vivendo. Ambos eram espanhóis. A mulher chamava-se Gema e o homem, Gabriel. Juntei-me aos dois e entrei na conversa. Foi bom! Pude rever os conceitos de amizade e dependência outra vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram muitas horas de Caminho, sem nenhum lugar para descansar. O jeito foi segurar a vontade de ir ao banheiro e seguir. Já na descida, paramos para comer em um pueblo simpático, na metade da etapa até Triacastela. Foi uma boa idéia. Matamos a fome, mas a preguiça que sempre batia depois do almoço, foi fatal. Minha vontade era de ficar por ali até o final dos tempos. Depois de tanto comer e beber vinho, já não tinha mais vontade de andar. Acho que os espanhóis estão certíssimos em dar uma paradinha após o almoço! E viva a siesta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil mesmo foi reunir forças para levantar daquela mesa e continuar andando! Em frente e avante, seguimos nossos Caminhos! Gabriel seguia calado, enquanto eu conversava com a Gema. Falamos sobre ficarmos em silêncio em alguns momentos da vida. Ela tinha dificuldades em escutar a sua intuição e a si própria. Achei que devia contar-lhe o que aprendi:&lt;br /&gt;— “Às vezes, precisamos parar de fazer tudo e prestar atenção ao que está a nossa volta. Devido à correria da vida, muitas vezes isso se torna quase que impossível. Por isso, é tão difícil estar conectado a essa grande energia que nos rodeia e, por isso, deixamos escapar alguns sentimentos e pessoas, que seriam de grande importância para nós. Quantas vezes paramos para prestar atenção ao simples fato de escovar os dentes? Quase nunca! Nessa hora, já estamos pensando no que será servido para o café da manhã. Na hora de comer, já estamos preocupados com o trânsito que nos espera. E assim, nunca vivemos os momentos em sua plenitude! Estamos sempre pensando no que está por vir. Muitas vezes, deixei de ouvir a minha consciência, pelo medo de enfrentar os obstáculos, sinal de insegurança e dependência, por isso, é mais fácil resolver a vida alheia.”&lt;br /&gt;Olhou-me espantada.&lt;br /&gt;— “Você está me dizendo que sou insegura?” - disse-me com certa indignação.&lt;br /&gt;— “Sim! Exatamente como eu!” - respondi.&lt;br /&gt;Acho que a deixei um pouco chateada, mas já não era mais um problema meu. Tinha muita coisa dentro de mim para consertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vimos, já estávamos chegando em Triacastela. Como sempre, a primeira coisa que se faz ao chegar em um albergue é encostar a mochila ao lado de alguma cama e tomar um bom banho. Em alguns albergues do Caminho, como foi o caso desse, não existem torneiras. Para a água sair, temos que apertar um botão com uma das mãos. É ridículo, pois chega uma hora em que não sabemos se nos ensaboamos ou se apertamos o botão! Uma mão aqui e outra ali, o sabão caindo nos olhos e, quando tentamos nos enxaguar, a água pára até que, de olhos fechados, achemos o tal botão. Acho que fizeram assim de propósito! Para agradecermos a Deus o fato de termos as duas mãos! Talvez devesse mudar de opinião e mudar o nome do livro que escreveria com meu amigo Chico: “De bar em bar” para: “Manual prático de como tomar banho com uma só mão no Caminho de Santiago”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do regenerador banho de uma mão só, fomos comer. Resolvi ligar para casa e reparei que meu pai insistia em saber detalhes de onde eu estava. Quando dei minha direção, ele descreveu tudo o que havia perto de Triacastela. Quando o indaguei de onde ele tinha tirado tantas informações, disse-me que estava com um mapa da Espanha nas mãos. Engraçado como são as coisas, ele estava fazendo o Caminho junto comigo! E logo o meu pai, que sempre jurou não acreditar nessas coisas “místicas”! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-7571003760641673186?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/7571003760641673186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=7571003760641673186&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7571003760641673186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7571003760641673186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/acordei-feliz-porm-com-vontade-de.html' title='O CEBREIRO - 16º  e 17º DIAS'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SC2kWllGutI/AAAAAAAAAM8/xpXQMX5Vu8U/s72-c/79.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-2374099145386577740</id><published>2008-05-14T22:02:00.003-03:00</published><updated>2008-05-14T22:27:58.151-03:00</updated><title type='text'>QUE TUDO SEJA LUZ - 15º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após um longo dia de muito sol na cabeça e poucas paisagens bonitas para se ver, cheguei a Villafranca del Bierzo. Fui recepcionada por uma Kombi, na pequena estrada de terra que leva à cidade. Dentro dela, havia dois senhores. Um deles, muito atencioso, disse-me:&lt;br /&gt;— “Olá, boa tarde! Creio que você dormirá nesta cidade. Neste caso, você poderá escolher, pois existem dois albergues aqui em Villafranca. O albergue Municipal fica no final dessa estrada à esquerda, e o da família Jato, à direita. A escolha é sua! Os dois são bons. Mesmo que você escolha ficar no albergue Municipal, sugiro que vá ao albergue da família Jato à noite, acompanhar o ritual da Queimada.”&lt;br /&gt;Despediu-se e seguiu em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era claro para mim que não havia nenhuma possibilidade de eu ficar em outro lugar, que não fosse o albergue de Jesus. Todos no Brasil falaram-me muito dele. Diziam que era um homem especial e que seu albergue, era um dos mais tradicionais, fundado por sua falecida mãe. Não poderia dizer não à tradição e muito menos deixar de conhecê-lo. Lembro-me que quando adentrei o albergue, ansiosa para conhecer Jesus, e um senhor veio em minha direção. Para minha surpresa, era o mesmo que estava dirigindo a Kombi. Aproximou-se, colocou suas mãos sobre meus ombros e disse-me:&lt;br /&gt;— “Calma! Você já chegou.”&lt;br /&gt;Foi como um transe, fiquei completamente sem ação, sentindo a energia daquele senhor. Sabe quando sentimos um peso grande nas costas e não há massagem ou terapia que resolva? Pois era assim que eu estava me sentindo! Em questão de segundos, com o leve toque de suas mãos, meu coração acalmou-se e minha ansiedade foi embora de vez! O caridoso senhor era Jesus Jato em pessoa. O mais digno de sua parte foi não ter influenciado na minha escolha anteriormente. Ele poderia tê-lo feito, mas indicou-me os dois albergues e convidou-me para a Queimada. Realmente uma pessoa de bom coração, dessas que só encontramos no Caminho de Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um lugar simples. Notava-se que a casa ainda estava inacabada. A escada de madeira, com degraus irregulares, conduziam ao pequeno quarto, repleto de beliches. O teto era baixo, as telhas aparentes e nas laterais havia duas pequenas janelas de vidro. O chão era de tábuas corridas, bem velhas e descascadas. Em um canto perto da escada havia uma árvore, já sem galhos, que servia de “cabide” para um rolo de papel higiênico. Escolhi um beliche junto à janela, para dormir olhando as mesmas estrelas que um dia guiaram o peregrino Pelayo¹ até o corpo do apóstolo Tiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tantos dias sozinha, precisava mesmo sentir-me em casa. E o ar rústico do lugar deixou-me à vontade. Um homem aproximou-se para ajudar-me com a mochila. Era Acácio, um brasileiro que vive no Caminho de Santiago. Foi um momento especial para mim, porque estava conhecendo duas das mais importantes pessoas do Caminho. Fiquei mais feliz ao saber que Acácio já me aguardava naquela tarde (a peregrina com o chapéu do Brasil)! Tive a sensação, ao entrar naquele albergue, que estava em família. Arriscaria dizer até que era um reencontro, com amigos de outras vidas. A maioria das pessoas não acredita nisso, mas foi o que senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQp1lGupI/AAAAAAAAAMc/9NMM3q5jvwo/s1600-h/77.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200409243161115282" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQp1lGupI/AAAAAAAAAMc/9NMM3q5jvwo/s400/77.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um cheirinho de arroz e feijão vinha da cozinha. Pensei que poderia ser um devaneio meu, achando que já estava sentindo o aroma de comida caseira tipicamente brasileira. Para minha felicidade, eu estava certa! Preciso dizer que devorei uns três pratos? Nada contra a culinária espanhola, tampouco aos “Menus peregrinos”, mas depois de quase um mês de “bocadillos” e “tortillas”, não havia nada melhor no mundo que saborear nosso bom e velho arroz com feijão! Almoçamos alegremente. Eu então? Nem se fala... Estava nas nuvens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já refeita do pecado da gula, sentei-me do lado de fora do albergue para conversar com Acácio. Contei todas as passagens que tive durante o Caminho e as emoções que senti. Contou-me que o Caminho podia ser comparado às nossas vidas, com quatro fases diferentes, que correspondiam à nossa infância, adolescência, fase adulta e a sabedoria. Eu já havia trilhado as três primeiras. Por isso, sempre encontrava crianças recepcionando-me em quase todas as cidades entre Roncesvalles e Logroño. Houve também um roubo dos doces que levava em minha mochila em Zubiri, as cercas que lembraram-me da minha infância no primeiro dia, o arco-íris entre Puente la Reina e Estella. De lá até Burgos, seria a passagem da infância para a adolescência. Exatamente como na vida, foi uma fase que não vivi plenamente. Isso explica meus “delírios” com o anjo Tuiv e as mágoas que ainda estavam presas ao meu coração. De León até o Cebreiro, significava a fase adulta, a qual estava vivendo com certa dificuldade, mas sempre alegre e serena. O que eu poderia então, esperar do Cebreiro em diante? Qual seria o grande segredo para alcançar a sabedoria plena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui convidada a acompanhar Acácio e a filha de Jesus até Ponferrada, para resolver alguns assuntos de ordem burocrática do albergue. De carro, demoramos somente quinze minutos para atravessar a mesma etapa que me custou um dia inteiro! Isso me deixou muito confusa! A rota pareceu-me totalmente diferente e, ao mesmo tempo, era a mesma! Meu “amigo” Gilberto Gil soube expressar o que senti maravilhosamente bem, quando disse:&lt;br /&gt;“De jangada leva uma eternidade, de saveiro leva uma encarnação...&lt;br /&gt;... de avião, o tempo de uma saudade...”&lt;br /&gt;Hoje o mundo está em um ritmo tão alucinado, que não nos permitimos perder um minuto sequer de nossas vidas, para apreciar o que nos rodeia. O tempo para nós é sempre curto, nunca dá para resolver nada e estamos sempre correndo de um lado para o outro, fazendo uma coisa, já pensando em outra. Mas, o que significa o tempo? Depende da forma como você o enxerga. E era justamente esse tempo que eu havia perdido. Como dizia minha professora de expressão corporal, era o “tempo de olhar, ver e enxergar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltei para o albergue, Jesus estava massageando os peregrinos. Suas mãos eram tão mágicas e especiais, que bastava um simples toque para a pessoa sentir-se melhor. E não era só isso! A experiência que adquiriu em tantos anos como hospitaleiro, observando os peregrinos, misturada a um raro dom de premonição, Jesus conseguia até dizer o motivo de cada dor. Fiquei admirada com esse presente de Deus. Estava envolta em meus pensamentos, quando ele me chamou:&lt;br /&gt;— “Suba comigo ao meu quarto.” – disse ele.&lt;br /&gt;Estranhei o convite, olhei para o Acácio, sem graça, que logo falou:&lt;br /&gt;— “Vai menina, ele está te chamando! Deve ensinar-te alguma coisa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subimos. Jesus, uma peregrina alemã e eu. Lá chegando, deitou a moça em um colchão e a pediu que fechasse os olhos. Cobriu-a com um cobertor, dos pés à cabeça. Olhou-me e disse:&lt;br /&gt;— “Coloque suas mãos direcionadas para o lugar onde você acha que ela sente dores. Concentre-se em uma luz branca de amor, fluindo através de seu corpo e seguindo em direção às suas mãos. Não pense em nada, deixe sua mente livre.”&lt;br /&gt;Obedeci. Inexplicavelmente, ou não, senti necessidade de colocar minhas mãos na direção do estômago da peregrina. Uma onda de calor invadiu meu corpo. Minhas mãos tremiam muito e às vezes, faziam movimentos circulares. Pensei comigo mesma:&lt;br /&gt;— “Que estranho! Será que estou fazendo tudo certinho?”&lt;br /&gt;Aí, ouvi Jesus falar:&lt;br /&gt;— “Pare de pensar! Deixe a energia fluir sem julgamentos. Siga sua intuição!”&lt;br /&gt;Fiquei maravilhada com tudo aquilo! Eu o estava ajudando a melhorar o sofrimento alheio e isso enchia meu coração de alegria. Fizemos isso por mais de meia hora. Quando acabamos, a peregrina estava dormindo como uma criança. Deixamo-na descansando e descemos silenciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava em êxtase! Sentia-me leve. Quando cheguei ao saguão, encontrei Acácio sorrindo para mim.&lt;br /&gt;— “Viu sua boba! Eu sabia que você tinha algo especial a aprender! Seus olhos estão brilhando! Você está irradiando energia!”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQp1lGuqI/AAAAAAAAAMk/DLyhYYxcOkM/s1600-h/78.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200409243161115298" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQp1lGuqI/AAAAAAAAAMk/DLyhYYxcOkM/s400/78.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Logo formou-se uma roda de peregrinos curiosos, tentando arrancar alguma informação do que havia acontecido lá em cima. Fiquei um pouco zonza, perdida em meio a tantas pessoas. Para completar, depois de massagear todos os peregrinos, Jesus pediu-me para limpá-lo espiritualmente.&lt;br /&gt;— “Mas eu nem sei como se faz isso!” – disse eu.&lt;br /&gt;— “Da mesma maneira como fizestes lá no quarto” – foi a resposta.&lt;br /&gt;Novamente, concentrei-me na luz branca de amor e deixei minhas mãos passearem por sobre seu corpo, sob o olhar atento dos demais peregrinos. Naquele momento, ouvi a voz de Acácio dizendo:&lt;br /&gt;— “Agora você já está pronta.”&lt;br /&gt;Senti-me honrada! Era uma ocasião especial e única!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQp1lGurI/AAAAAAAAAMs/QmhqyA2-xgE/s1600-h/81.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200409243161115314" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQp1lGurI/AAAAAAAAAMs/QmhqyA2-xgE/s400/81.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na hora da Queimada&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; ainda estava excitadíssima com tudo que tinha acontecido, olhar perdido e a cabeça totalmente fora dali. Sentia-me leve e realizada! Não conseguia tirar do rosto o sorriso, a expressão de leveza e satisfação. Participei do ritual quase que flutuando. Ainda sentia a energia entrando em meu coração, exorcizando tudo de ruim de dentro da minha alma! As luzes se apagaram, Jesus misturou vários ingredientes em seu caldeirão e pôs fogo, enquanto dizia as palavras “mágicas”. Era mais ou menos assim: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQpllGuoI/AAAAAAAAAMU/NXThmLO0j40/s1600-h/76.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200409238866147970" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQpllGuoI/AAAAAAAAAMU/NXThmLO0j40/s400/76.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Peregrinos que andam ao engano, procurando refúgios de sauna, piscina e banho. Auuuuuuuuu... (uma vaia, repetida por todos nós)&lt;br /&gt;Peregrinos que montam aos montes em um carro de apoio. Auuuuuuuuu...&lt;br /&gt;Peregrinos que chegam ao Cebreiro, frescos e descansados, sem saber onde fica La Faba&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Auuuuuuuuu...&lt;br /&gt;O ônibus sai às cinco e meia da manhã. Auuuuuuuuu...&lt;br /&gt;‘Ciclogrinos’ pelo Caminho de Santiago. Auuuuuuuuu...&lt;br /&gt;Peregrinos com bolhites&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;... Auuuuuuuuu...&lt;br /&gt;Peregrinos com tendinites... Auuuuuuuuu...&lt;br /&gt;Peregrinos tontos que vão à pé, havendo ônibus, carros e trem... Auuuuuuuuu...&lt;br /&gt;Forças do ar, da Terra, do Mar, e da Lua, se é verdade que tem tanto poder como tantos humanos dizem, façam com que todos os amigos que estão fora, se unam conosco nesta Queimada, mas só em espírito, porque se vierem todos, nos deixam sem nada! E que tudo seja luz!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois serviu a bebida a todos e fizemos um brinde. Foi a noite mais especial de toda a minha vida.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Queimada – bebida típica da Galícia, feita em um caldeirão durante um ritual para as forças da Natureza.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; La Faba – Pueblo situado entre Villafranca del Bierzo e o Cebreiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Bolhites – muitas bolhas - Um trocadilho com a palavra tendinites, para que o texto tenha rima.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-2374099145386577740?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/2374099145386577740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=2374099145386577740&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2374099145386577740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2374099145386577740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/que-tudo-seja-luz-15-dia.html' title='QUE TUDO SEJA LUZ - 15º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCuQp1lGupI/AAAAAAAAAMc/9NMM3q5jvwo/s72-c/77.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-7374581902585619347</id><published>2008-05-13T13:59:00.004-03:00</published><updated>2008-05-13T14:19:55.935-03:00</updated><title type='text'>UM ANJO NO CAMINHO - 14º DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCnJXVlGulI/AAAAAAAAAL8/8ynN07QRmsg/s1600-h/Digitalizar0026.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199908647542897234" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCnJXVlGulI/AAAAAAAAAL8/8ynN07QRmsg/s400/Digitalizar0026.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Saída de El Acebo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda estava escuro quando acordei. Fazia tanto frio quanto no dia anterior. Agasalhei-me bem e desci para mais um belo café da manhã. Acho que a minha maior curtição no Caminho foram as comidas. Talvez por isso, eu tenha sido uma das poucas pessoas que voltaram para o Brasil, um pouco mais “fofinha”. Foi muito bom para que eu aprendesse a lidar com a vaidade. Na minha profissão a aparência é tudo e no Caminho, tive que deixá-la de lado e ser eu mesma. Voltando à comida...devidamente alimentada e saciada, me despedi dos fanáticos por futebol e segui caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei por lugares maravilhosos, bosques tão encantados quanto os que vi nos primeiros dias, pueblos com jardins repletos de flores e um grande rio que acompanhava a trilha. Para dar seqüência ao maravilhoso dia anterior, deixei de lado todo e qualquer tipo de preconceito e abri o coração, entrando totalmente em contato com a paisagem. As montanhas cobertas de neve ainda estavam lá para enfeitar o horizonte. Aos poucos, o frio foi dando lugar ao calor intenso e o dia foi ficando cada vez mais bonito. Ia descendo em direção a região de El Bierzo, onde encontraria em Ponferrada o Castelo dos Templários; em seguida, Villafranca e o albergue de Jesus Jato (o “bruxo” do Caminho) e logo depois, a temida subida ao Cebreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha caminhando por entre as montanhas, quando avistei um senhor sentado em uma pedra, numa planície bem abaixo de onde eu passava. No Caminho, costumamos cumprimentar a todos:&lt;br /&gt;— “Buenos dias, señor! Buenos dias, señora!”&lt;br /&gt;Lá de cima, acenei para ele. Enquanto descia, notei que estava chegando cada vez mais perto do solitário homem. Meu Caminho cruzaria o dele. Senti algo estranho, uma energia que não pude identificar. Não era uma energia ruim, mas senti um certo receio de encontrar aquele homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente nossos caminhos se cruzaram. Quando estava passando ao seu lado, ele me parou. Lançou-me um olhar enigmático e perguntou-me como estava a dor no joelho esquerdo. — “Puxa vida, ele acertou na mosca! Que coisa mais estranha!” – pensei.&lt;br /&gt;Não sabia ao certo se devia confiar nele, mas resolvi arriscar. Contei tudo o que havia acontecido desde o início e todas as dores que senti. Ele então pediu-me que levantasse a calça e começou a massagear meu joelho. Chorei de tanta dor! Depois fui relaxando e esqueci-me de tudo. Quando percebi, a dor havia ido embora. Seu nome era Balbino. Fazia isso sem cobrar nada, em nome da solidariedade.&lt;br /&gt;- “Um dia todos temos que retribuir.” – falou.&lt;br /&gt;Resolvi fotografar aquele momento também mágico. Para minha surpresa, ao revelar o filme, Balbino não aparece em minha foto. Foi a única das minhas 400 fotos que queimou. Só aparece um vulto envolto por uma luz branca. Não serei sensacionalista em acreditar que tenha sido um ser de outro planeta ou coisa parecida. Acho apenas que era um homem de aura brilhante e alma boa. Prefiro acreditar que sua luz era tão intensa, que não pôde ser captada por minha máquina. Para mim, ele foi um anjo que curou minhas dores, meus receios e acalmou meu coração para que eu seguisse em paz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCnMvFlGunI/AAAAAAAAAMM/_c_Uct8aMRU/s1600-h/Digitalizar0027.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199912354099673714" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCnMvFlGunI/AAAAAAAAAMM/_c_Uct8aMRU/s400/Digitalizar0027.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Coisa linda!!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Continuei pela trilha por entre as montanhas. Tudo parecia ter surgido de um sonho bom. O sol forte, as árvores, os pássaros, tudo! Olhava aquelas árvores e sentia-me parte delas. Eu sou um pouco como elas, pés fincados no chão e cabeça nas nuvens. Tive vontade de ficar ali, enraizada para sempre, ser parte fundamental do Caminho; porém, era preciso continuar. Santiago me aguardava! Aos poucos, fui deixando a floresta para trás e entrando de novo no asfalto. Já estava quase chegando em Molinaseca e ainda pensava naquele bom e velho homem. Tenho certeza de que um dia, todos nós seremos como ele, trabalhando por uma só causa: o amor ao próximo. Então, haverá paz na Terra e viveremos em eterna alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCnJXllGumI/AAAAAAAAAME/Qc2eipEXYmY/s1600-h/Digitalizar0028.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199908651837864546" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCnJXllGumI/AAAAAAAAAME/Qc2eipEXYmY/s400/Digitalizar0028.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Árvore da bruxa (veja se vc consegue ver o rosto de uma bruxa nessa árvore)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Na minha parada em Molinaseca, depois de um refrigerante ao sol e um sorriso eterno no rosto, fui abordada por um casal. Eram os hospitaleiros do albergue da cidade. Convidaram-me para beber uma limonada. Já tinha visto em quase todos os bares daquela região, placas dizendo: “Hay limonada”. Imaginei que fosse um mero suco de limão e nunca parei para experimentar. Sorte a minha aceitar o convite, pois tive a chance de degustar um delicioso preparado com vinho, limão e outras frutas cítricas. Parecia ser uma bebida inofensiva, mas, depois de alguns goles, fui ficando “alegre”. Conversei um pouco com o hospitaleiro e enquanto andávamos, mostrou-me a cidade. Conheci o lindo albergue, tive vontade de ficar, mas meu destino era mesmo Ponferrada, a terra do Castelo dos Templários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá até Ponferrada foram apenas 6 km. Encontrei um albergue grande e confortável, que mais parecia um hotel. Michel, o hospitaleiro, era muito simpático e atencioso. Recebeu-me com lanche e muito carinho. Conversamos bastante e quando perguntei sobre as dificuldades da subida ao Cebreiro, falou-me:&lt;br /&gt;— “O Cebreiro está lá e você terá que atravessá-lo para chegar a Santiago, então para quê pensar no que está por vir? Você não poderá mudar o futuro, então não tenha medo e enfrente os obstáculos da vida da melhor maneira possível, tentando extrair desses momentos o máximo de lições que puder.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez vi que, apesar ter aprendido que devia controlar minha ansiedade, ainda havia resquícios dela em mim e confesso ter dormido preocupada com o Cebreiro&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Detalhe importante desse capítulo. Ao perguntar a Michel sobre Balbino, ele me respondeu nunca ter ouvido falar sobre ele. Outros peregrinos não o encontraram na planície naquele dia e muitos amigos que já tinham feito o Caminho também desconheciam o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Cebreiro – Localidade situada a 1.300 m de altura. Uma das etapas mais comentadas do Caminho de Santiago, devido ao grande grau de dificuldade. Existem lugares, como a Cruz de Ferro e a antena de comunicações, situados a mais de 1500 m de altura; mas como subimos gradativamente, não sentimos tanto o esforço. Depois desses locais, descemos até Ponferrada e continuamos andando por dois dias em lugares planos. Só na etapa que nos leva ao Cebreiro enfrentamos uma subida tão abrupta, por isso ela é considerada a etapa mais difícil.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-7374581902585619347?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/7374581902585619347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=7374581902585619347&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7374581902585619347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7374581902585619347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/sada-de-el-acebo-ainda-estava-escuro.html' title='UM ANJO NO CAMINHO - 14º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCnJXVlGulI/AAAAAAAAAL8/8ynN07QRmsg/s72-c/Digitalizar0026.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-848020955495184187</id><published>2008-05-12T09:49:00.005-03:00</published><updated>2008-05-12T10:28:20.324-03:00</updated><title type='text'>RUMO A CRUZ DE FERRO - 13º DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChEVFlGukI/AAAAAAAAAL0/yc7a4vBj3EM/s1600-h/cruz+de+ferro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199480898864986690" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChEVFlGukI/AAAAAAAAAL0/yc7a4vBj3EM/s400/cruz+de+ferro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordei com aquele delicioso aroma de café invadindo o quarto. Ainda era noite lá fora. Um frio de lascar! Deu-me vontade de comer e voltar para a cama, ficar ali dias e dias, comendo e dormindo. Hibernando, literalmente! Felizmente, eu era uma peregrina e tive que espantar a preguiça e escrever minha história. Quando saí do albergue, tive mais uma linda surpresa: ouvi o cantar de uma caturrita igual ao assovio do meu pai. Ele sempre me chamava com um assovio especial e lá no Caminho, senti que ele estava me chamando. mnResolvi voltar e telefonar para casa. Coitadinho! Acordei-o no meio da madrugada para dizer que estava ouvindo o cantar de um passarinho. Se bem o conheço, ficou todo bobo, acordado a noite toda pensando nisso. E mais: no dia seguinte, deve ter contado para todo mundo. Pai coruja é assim mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo de Rabanal, senti tanto frio que tive a sensação de que meu nariz congelaria a qualquer momento e que um leve toque o partiria em pedaços. Passei a manhã toda cobrindo-o com as mãos. De vez em quando, um carro passava na direção contrária, sempre com aqueles acenos, incentivando-me. As montanhas ao redor estavam cobertas de neve, que refletiam a luz do sol, fazendo com que tudo ficasse com mais brilho. Era uma aquarela! O céu era de um azul vibrante e contrastava com o branco das nuvens, que mais pareciam algodão. O orvalho nas folhas das plantas à beira da estrada havia se transformado em gelo, deixando tudo branquinho, branquinho. Agradeci a Deus por ter saúde e por poder ver e apreciar aquela pintura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChETllGuhI/AAAAAAAAALc/OD6yelLKLNo/s1600-h/Digitalizar0020.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199480873095182866" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChETllGuhI/AAAAAAAAALc/OD6yelLKLNo/s400/Digitalizar0020.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;RUÍNAS DE FONCEBADÓN&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo a estrada, cheguei à cidade que todos acreditavam ser mal assombrada, Foncebadón. Foi ali que o escritor Paulo Coelho, em seu livro, diz ter sido atacado por cães. A maioria dos peregrinos temia atravessar aquele lugar sozinhos. Para mim foi muito tranqüilo. Nenhum sinal de cachorros por ali, muito menos, das tais assombrações; pelo contrário, era tudo muito bonito e cheio de vibrações boas. As ruínas remeteram-me para aquela época longínqua dos filmes da idade média. Entrei nas casas (ou no que restava delas!), debrucei-me nas janelas e tirei muitas fotos. Pena que esteja tudo tão abandonado! É um lugar maravilhoso para curtir uma casinha com lareira, um bom vinho, um livro, enfim, aquelas coisinhas que desejamos para um inesquecível final de semana a dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de contornar algumas curvas da estrada, pude ver ao longe a montanha de pedras aos pés da Cruz de Ferro. Era enorme! Imaginei a quantidade de peregrinos que havia passado por ali durante os muitos séculos de peregrinação. E eu era um deles! Contribuiria com mais uma pedrinha, ajudando a erguer um monumento sagrado. Meus olhos encheram-se de lágrimas! Eu havia vencido as barreiras da dor e do desânimo, enfrentado o frio e a solidão e estava escrevendo um novo e feliz capítulo da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei admirando a Cruz por muito tempo antes de escalar o monte de pedras e deixar ali minha pedrinha. Vi também muitos peregrinos passarem, quase direto, parando apenas para tirar uma foto. Outros juntaram-se a mim e admiraram tudo o que aquela Cruz simbolizava, emocionados. Quando subi o monte, deu-me vontade de assinar meu nome no poste da cruz. Foi o que fiz! Enfim, encontrei uma utilidade para o canivete suíço que tanto pesava em minha pochete! No início, achei que seria pecado, mas quando me deparei com outras assinaturas, não tive dúvida! Cravei meu nome eternamente na história do Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei alegremente meu Caminho, mergulhada em meus pensamentos. Só acordei ao ouvir o toque de um sino, vindo do albergue de Manjarín, do famoso hospitaleiro Thomás. Na entrada, uma placa indicava as distâncias dali até os muitos lugares sagrados em todo o mundo. É um albergue muito simples. Não havia calefação ou banheiros, só um mezanino com vários colchões velhos e, apesar da simplicidade, Thomás e seus companheiros nos receberam de braços abertos para um café e tocavam o sino para cada peregrino que passava diante de sua porta. Falou-me com muito orgulho de seus objetivos e da sua luta pela paz no mundo. Recebi carimbos do albergue e da Ordem dos Cavaleiros Templários. Essa Ordem foi muito importante na época das Cruzadas, pois eram guerreiros que defendiam com o próprio sangue o Cristianismo e os peregrinos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChEUllGuiI/AAAAAAAAALk/OjlglwGEQ7g/s1600-h/Digitalizar0023.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199480890275052066" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChEUllGuiI/AAAAAAAAALk/OjlglwGEQ7g/s400/Digitalizar0023.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;MANJARÍN&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fui convidada a participar da oração do meio dia. É um ritual muito bonito! A oração é feita com as espadas dos Templários e todos virados na direção do sol. Thomás contou-me a história de uma peregrina muito bonita, que em um dia de muito frio, abrigou-se em seu albergue. Era de uma beleza divina. Apesar de estar caminhando descalça, seus pés eram lisos e macios. Muitos anos depois, recebeu de presente um quadro, onde estava a imagem de uma Santa. Para seu espanto, a imagem que estava no quadro era a mesma da tal peregrina. Seria mais uma lenda do caminho? Lenda ou não, o que importava era a felicidade no rosto de Thomás ao contar-me aquela história. Era o tão esperado brilho nos olhos que eu tanto sonhava encontrar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descida até El Acebo era muito forte. Senti novamente aquela dorzinha chata no dedão do pé. Troquei o tênis pela papete, mas não adiantou muito. Com certa dificuldade, cheguei ao pequeno pueblo. Lembro-me como se fosse hoje do pôr do sol daquelas terras da Espanha e ainda sinto o prazer daqueles que foram os melhores dias sobre o “chão sagrado”. Eu estava no pequeno povoado, cansada, quase sem forças. Parei para um descanso, ainda em dúvidas sobre continuar ou não até Molinaseca ou Ponferrada. Aquele lugar parecia me chamar, pedir para que eu ficasse. Deixei-me levar pela intuição. Havia algo a aprender ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChEU1lGujI/AAAAAAAAALs/T4hKUvbj2kQ/s1600-h/Digitalizar0024.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199480894570019378" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChEU1lGujI/AAAAAAAAALs/T4hKUvbj2kQ/s400/Digitalizar0024.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;RUÍNAS EM EL ACEBO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após um longo banho, saí para curtir um pouco mais o fim de tarde. Desci pela rua principal do pueblo em direção a um bar. Havia uma ruazinha que desembocava em uma espécie de mirante, de onde tive a sensação de ser dona daquele mundão lá embaixo. De repente, um cachorro enorme veio correndo em minha direção. Tinha cara de poucos amigos e latia raivosamente. Minha primeira reação foi congelar e dar as costas para aquele monstro. Rezei muito durante o que eu julgava ser os últimos segundos de vida que me restavam. Imaginei meu lindo corpinho, no auto dos seus quinze aninhos, sendo devorado vorazmente por aquele monstro. Apesar de estar perto do bar, os latidos ensurdecedores do cão não chamaram a atenção de ninguém. Senti seus dentes mordiscando minhas pernas, ao mesmo tempo em que babava e rosnava para mim. Concentrei-me na imagem daquele cachorro indo embora e perdoando-me por ter invadido seu território. Deu certo! A fera entrou em sua casa, deitou-se no chão e fechou os olhos, como se nada tivesse acontecido. Normalmente eu sairia dali e nunca mais voltaria, mas resolvi enfrentar meu medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisei a situação e resolvi dar a volta. Entrei em uma rua paralela e cheguei no bar. Perguntei de quem era aquela “gracinha” de cachorro. O dono prontamente identificou-se. Aí, “rodei a baiana”! Dei uma bela bronca no homem, deixando-o sem reação. Tudo o que dizia-me era que o cão era mansinho e nunca havia atacado ninguém. Quanto mais repetia isso, mais revoltada eu ficava! Eu tinha acabado de sofrer uma “tentativa de assassinato” e o dono do bicho não conseguia ter uma atitude digna de um homem! De repente, ele começou a bater no cachorro! Fiquei com pena do pobre bichinho e percebi o quanto minha raiva o influenciou a fazer aquilo. Pedi que parasse e que me apresentasse ao cachorro.&lt;br /&gt;— “Como assim? Não compreendo, você é maluca?!” - falou.&lt;br /&gt;— “Não! Pensei melhor e vi que a raiva e a violência não ajudarão em nada! Quero que ele me conheça e seja meu amigo” – respondi, em um momento de total insanidade.&lt;br /&gt;E o monstro transformou-se em um cachorrinho dócil e carente. Deitou-se no chão com as patas para cima, pedindo-me carinho, sob o olhar admirado de todos. Só então, pude tomar meu café com leite tranqüila, na companhia de meu mais novo amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o final de noite assistindo futebol na TV com meus amigos do bar. Igualzinho a um homem! Queria sentir o que era ficar em frente a televisão assistindo onze homens correrem atrás de uma bola. Até que foi engraçado! Eles são um pouco grosseiros e barulhentos, mas diverti-me bastante. Estranho foi o fato de terem aceitado tão facilmente a presença de uma mulher compartilhando com eles um momento verdadeiramente masculino. Talvez por eu ser de um outro país, e esse país ser o berço do futebol. A Espanha é um país, pelo menos nas regiões em que passei, extremamente machista, pois as mulheres, em sua maioria, estão sempre na cozinha, nos campos ou arrumando a casa, enquanto os homens fumavam seus cigarros sentados na calçada. Acho que consegui romper as regras daquele lugar. Talvez El Acebo nunca mais seja a mesma. Ao menos para mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-848020955495184187?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/848020955495184187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=848020955495184187&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/848020955495184187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/848020955495184187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/acordei-com-aquele-delicioso-aroma-de.html' title='RUMO A CRUZ DE FERRO - 13º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SChEVFlGukI/AAAAAAAAAL0/yc7a4vBj3EM/s72-c/cruz+de+ferro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-9009676931197943414</id><published>2008-05-10T17:10:00.006-03:00</published><updated>2008-05-12T10:27:52.744-03:00</updated><title type='text'>ALEGRIA, ALEGRIA!!! - 12º DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZ0kVOHHEI/AAAAAAAAALU/CC-C_mjhoqM/s1600-h/Digitalizar0018.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198970987366259778" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZ0kVOHHEI/AAAAAAAAALU/CC-C_mjhoqM/s400/Digitalizar0018.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos dois dias seguintes, a alegria era, mais do que nunca, minha marca registrada. Mesmo quando enfrentei uma chuva forte na saída de Astorga, estava feliz e sorridente. Passei cantando e dançando pelos pequenos pueblos, arrancando risadas das pessoas. Foi batendo um quê de brasilidade em mim. Assobiei músicas brasileiras de todo o tipo, de samba à MPB. Com o decorrer do dia, a paisagem ia mostrando-se cada vez mais bela. Notei que estava andando por entre campos e cidades no topo de uma cadeia de montanhas. Por conta disso, senti muito frio. Aos pouquinhos, o tempo foi melhorando.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava ansiosa para chegar ao famoso Bar Cowboy de El Ganso, que vi numa foto, no guia de um peregrino. Ao chegar, para minha surpresa, encontrei uma pequena bandeira do Brasil pendurada na entrada. O dono recebeu-me com um certo receio. Era um pouco reservado demais para o que eu esperava. Fui puxando conversa e ele foi ficando mais à vontade. Disse-me que não costumava ver mulheres jovens como eu, sozinhas no Caminho. Sempre estavam acompanhadas de alguém. Ah...como fazia falta uma cara metade! Disse-me ainda que queria muito conhecer o Brasil, pois o povo era alegre e hospitaleiro. Fiquei feliz ao lembrar que apesar de todas as dificuldades que nós brasileiros enfrentamos todos os dias, continuamos alegres. É um povo que deixa marcas eternas no coração de todos. Tenho certeza que a minha marquinha ficou por lá. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-FOHHAI/AAAAAAAAAK0/HhcyQu9X9Us/s1600-h/Digitalizar0014.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198964832678124546" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-FOHHAI/AAAAAAAAAK0/HhcyQu9X9Us/s320/Digitalizar0014.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei minha marcha, distraída, cantarolando músicas do Gil. Por conta disso, quase fui atropelada por um peregrino de bicicleta. Dei um grito tão alto, que deve ter sido ouvido pelos quatro cantos do mundo! Eu e “meu Gilberto Gil” quase acabamos assustando o pobre coitado, que quase caiu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-FOHHBI/AAAAAAAAAK8/NSmgyp9-BsY/s1600-h/Digitalizar0015.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198964832678124562" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-FOHHBI/AAAAAAAAAK8/NSmgyp9-BsY/s320/Digitalizar0015.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais à frente, avistei uma placa escrito: Rabanal del Camino. Para meu espanto, havia um par de botas na ponta da madeira que a sustentava. Lembrei-me das minhas botas, esperando-me ansiosamente nos correios de Santiago. Agora era uma questão de honra! Eu tinha que chegar lá para resgatar aquelas que um dia, foram meu maior incentivo para fazê-lo. Lembrei da peregrinação às lojas de calçados, das pesquisas de preço e a compra da bota ideal, que me acompanharia nessa doce loucura. Foi paixão à primeira vista. Até dei um nome para ela: Kimberly. Meio americanizado, mas era o mais próximo do nome da marca. Minha mochila era a Tika. Seríamos três mulheres no Caminho de Santiago, mas fui traída por Kimberly, que pegou muito no meu pé. Tive que substituí-la por um tênis, que apelidei de Pluma, mais um trocadilho com o nome da marca, que ao mesmo tempo dava a idéia de ser muito leve. Loucuras da minha cabeça! Delírios... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-VOHHCI/AAAAAAAAALE/SYJCuCS9sWI/s1600-h/Digitalizar0016.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198964836973091874" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-VOHHCI/AAAAAAAAALE/SYJCuCS9sWI/s320/Digitalizar0016.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim cruzei a entrada de Rabanal. Um pueblo medieval muito simpático. Havia dois albergues. Por sorte escolhi o Gaucelmo. Era lindo! Bem ao lado da igrejinha local. Um casal de holandeses muito alegre recepcionou-me. Eu era a peregrina de número 4.999 a ficar lá naquele ano. Um peregrino venezuelano, que estava fazendo o Caminho pela quarta vez, recebeu a medalhinha do peregrino de número 5.000. Foi uma festa! Tinha uma planilha na parede com a quantidade de peregrinos de cada país. Nós brasileiros ocupávamos o quarto lugar, atrás apenas dos espanhóis, dos franceses e dos italianos. Uma bela colocação para um povo que vive do outro lado do mundo. Logo, o hospitaleiro informou-me sobre os horários e normas do albergue. O que me deixou mais feliz foi saber que às 7:00h, um belo café da manhã seria servido a todos os peregrinos. Para variar, estava sempre pensando em comida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei um banho maravilhoso e fui jantar em um restaurante perto dali. Senti-me mais uma vez, em um filme antigo, comendo e bebendo naquela taberna, toda em pedra, escura e aconchegante. Imaginei até a trilha sonora. Um violão ou coisa parecida, as pessoas cantando e dançando em torno dele, batendo palmas alegremente. Para que meu “filme” parecesse mais verdadeiro, comi como louca. Só faltou ter devorado as coxas de galinha com as mãos e limpá-las na própria roupa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-VOHHDI/AAAAAAAAALM/EBHZwAw2oDk/s1600-h/Digitalizar0017.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198964836973091890" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZu-VOHHDI/AAAAAAAAALM/EBHZwAw2oDk/s320/Digitalizar0017.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O próximo passo era descansar bastante para, no dia seguinte, chegar bem à Cruz de Ferro. É um dos pontos mais especiais de toda a rota, e um dos mais altos também. Está situada a 1.504 metros de altitude. Só perde para uma antena de comunicações, que fica logo depois. Dizem que a Cruz de Ferro foi instalada em cima de um altar romano dedicado a Mercúrio, Deus dos caminhos. Coincidência ou não, Mercúrio é o planeta regente do meu signo solar, Virgem. Na manhã seguinte eu estaria reverenciando o deus do meu signo e também depositando ali todas as pedrinhas que porventura tenham atravessado os caminhos da minha vida.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-9009676931197943414?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/9009676931197943414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=9009676931197943414&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/9009676931197943414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/9009676931197943414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/alegria-alegria.html' title='ALEGRIA, ALEGRIA!!! - 12º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCZ0kVOHHEI/AAAAAAAAALU/CC-C_mjhoqM/s72-c/Digitalizar0018.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-915610505868342844</id><published>2008-05-08T15:42:00.008-03:00</published><updated>2008-05-11T01:25:54.179-03:00</updated><title type='text'>AS BELEZAS DO CAMINHO - 11º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX85FOHG5I/AAAAAAAAAJ8/TeYtbpl-l2o/s1600-h/Digitalizar0003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198839402453212050" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX85FOHG5I/AAAAAAAAAJ8/TeYtbpl-l2o/s320/Digitalizar0003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;DESFILE DE PÁSCOA EM LEÓN&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei num albergue comum. Queria experimentar dormir num lugar sem peregrinos, conhecer pessoas novas, bater um papo diferente. Apesar da Páscoa, o albergue estava vazio e eu era a única peregrina do dia. Me colocaram num quarto especial, com todo o conforto. O banho era bem quente e a água farta. Troquei de roupa e fui conhecer a cidade. Era linda! Sua catedral era a mais bonita até então. A cidade estava repleta de gente e havia um desfile de Páscoa. Na volta ao albergue resolvi parar em um restaurante chinês. Me presenteei com um jantar bem chique! Afinal de contas, estava renascendo uma nova Tilara. Fechei minha noite com chave de ouro, com uma boa noite de sono e comecei meu dia com um maravilhoso café da manhã. Pronta para uma nova etapa no Caminho e na vida, reiniciei minha caminhada rumo a Santiago. A cidade de León era meu novo ponto de partida, como se o Caminho estivesse começando ali. Sem culpas e sem pressa. Tinha toda uma vida pela frente. Aprendi a aceitar melhor os momentos de solidão e estava gostando de conviver comigo mesma a cada passo, cada dia. Conseguia perceber melhor meu corpo e minha alma. Não havia máscaras. Era a versão mais verdadeira de mim mesma. Uma Tilara que eu desconhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX85VOHG6I/AAAAAAAAAKE/bTAKKTy4JQE/s1600-h/Digitalizar0008.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198839406748179362" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX85VOHG6I/AAAAAAAAAKE/bTAKKTy4JQE/s320/Digitalizar0008.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX84lOHG4I/AAAAAAAAAJ0/jvseINVRtC0/s1600-h/Digitalizar0008.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;CATEDRAL DE LEÓN&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A saída da cidade era longa, feia e vazia. Passei por bairros de periferia sem nada de interessante a oferecer. Mesmo assim, ainda consegui ver beleza nas pedras e na poeira da estrada. Nas coisas mais simples estava toda a essência do Caminho: nos acenos dos pedestres, nas buzinas dos motoristas, no gesto de incentivo daquelas pessoas, em cada etapa vencida, cada quilômetro andado. A mochila, os amigos do Caminho, o saco de dormir, os roncos, as dores; tudo me levava a ver a vida por um ângulo diferente, enchendo-me de satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei à Villadangos del Paramo bem cedo. Já haviam peregrinos deitados no gramado em frente ao albergue. Eram pessoas que eu ainda não tinha encontrado no Caminho. Seriam meus novos companheiros desde Burgos. Quanto ao albergue, não precisava ter chegado em um lugar tão feio e sujo. Foi o que estragou um pouco o meu dia. A hospitaleira nos recebeu rudemente. Cobrou-nos a “diária” e foi embora. Tudo estava conspirando para que eu mudasse de humor, mas a alegria era a minha marca registrada. Nem mesmo a falta de água quente, o pêlo branco misturado aos de tom marrom em minha sobrancelha ou o novo apelo aos lencinhos umedecidos deixavam-me chateada. Um banho a menos... um pêlo a mais... O importante era o reencontro comigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei pão, leite e café numa tenda próxima, mas esqueci o açúcar. O único jeito era ir até a casa da hospitaleira. Imaginei que ela me cobraria cada grão, mas acabei descobrindo que ela era uma mulher bondosa, porém triste. Não parecia a mesma pessoa que nos recepcionou. Contou-me que o marido era aposentado e vivia conversando com os amigos na rua. Seus filhos estavam casados e moravam em outra cidade. O albergue era sua única distração e os peregrinos, sua única companhia. No fundo, era uma mulher solitária e ao me ver, convidou-me para um chá. Quando percebi, tinha passado o resto da tarde divertindo-me bastante ouvindo suas histórias. Agradeci a Deus por ter esquecido de comprar o bendito açúcar, só assim pude notar que ainda tinha muito a aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de pernoitar em um albergue cheio de problemas, tive um sono tranqüilo. Acordei bem cedinho e já coloquei o pé na estrada. Eu me prometera andar só 15 ou 16 km, dormir em alguma cidade que ficasse entre Villandangos e Astorga, pois essa distância era de mais ou menos 32 km. Achei que não agüentaria, ou talvez, não quisesse agüentar percorrê-la. Costumamos subestimar nossa força e eu o fiz naquele dia. Antes mesmo de chegar ao final da etapa, já estava convencida de que não conseguiria vencê-la. O engraçado, é que eu nunca havia me dado conta de que estava sempre duvidando de mim mesma. Já estava enraizado no subconsciente. Eu tinha arranjado um monte de desculpas para mascarar o medo de não conseguir vencer a etapa, mas meu corpo me traiu. Conforme ia avançando, percebi que queria mais e mais, tanto que andei 15 km em apenas três horas! Muito rápido, se comparado à minha média dos dias anteriores. Ainda eram dez da manhã, quando cheguei em Hospital de Órbigo, metade do percurso. Era mais uma lição do Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um pueblo lindo! Na entrada, havia uma ponte medieval, talvez a mais bonita de todo o Caminho. Essa ponte era especial e foi cenário de mais uma lenda:&lt;br /&gt;“Dom Suero de Quiñones, desafiou para um torneio, todo e qualquer homem que quisesse passar por aquela ponte, devido à palavra que deu à uma dama. Durante um mês, Dom Suero e nove ajudantes lutaram contra 300 homens. Depois de terminada a luta, peregrinaram todos juntos a Santiago, para agradecer a vitória. Dom Suero ofereceu um bracelete de ouro de sua amada como oferenda ao Santo”. Ah, o amor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passar por um lugar tão especialmente romântico, pensei em quanto gostaria de poder ter vivido uma história de amor e honra como aquela. Inspirada em minhas músicas, atravessei várias plantações de milho em um ritmo alucinante, imaginando-me uma personagem daquela lenda. Sou uma pessoa sonhadora. Eu poderia ter sido um dos guerreiros de Dom Suero ou até mesmo a mulher que ele amava tanto. Ia imaginando as cenas, tentando descobrir o que levava um homem a arriscar a própria vida em nome de um grande amor. Alguma vez já lhe ocorreu poder viver uma história como essa? Talvez sim! Eu sempre tenho essas idéias malucas, principalmente quando saio de uma sessão de cinema. Às vezes, demoro um pouco para voltar à realidade. Fico sonhando com um final feliz para minha vida, uma música romântica embalando minhas paixões e no final, subindo na tela, os nomes das pessoas que fizeram parte da minha história. Exatamente como nos filmes! Às vezes acho que sou maluca! No duro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas horas, finalmente cheguei a Astorga. Fui carinhosamente recebida por Jus, o hospitaleiro. Ele parecia ter algum tipo de deficiência nas pernas e mãos, mas mesmo com suas dificuldades, levou-me para conhecer sua cidade, sua gente, a Igreja e sua fé. Falava-me de tudo com muito orgulho! Gosto quando as pessoas têm prazer em falar das suas origens. Quando me abraçam carinhosamente, sem preconceito e sem esperar nada em troca. Passeamos um pouco pela cidade. Conheci lugares fabulosos, inclusive um palácio episcopal, projetado por Gaudi&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; que abriga hoje um Museu do Caminho. Visitamos também a Catedral de Santa Maria, que demorou 300 anos para ser construída. Suas torres podem ser vistas à distância. Enfim, eu não sabia se estava mais feliz por conhecer uma pessoa linda como Jus ou pela oportunidade de admirar aquelas maravilhas.&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX_OFOHG7I/AAAAAAAAAKM/yvzGwn1IWh0/s1600-h/Digitalizar0011.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198841962253720498" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX_OFOHG7I/AAAAAAAAAKM/yvzGwn1IWh0/s320/Digitalizar0011.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;PALÁCIO EPISCOPAL PROJETADO POR GAUDÍ.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX_OlOHG9I/AAAAAAAAAKc/Ut66k2UuuNU/s1600-h/Digitalizar0010.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198841970843655122" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX_OlOHG9I/AAAAAAAAAKc/Ut66k2UuuNU/s320/Digitalizar0010.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX_O1OHG-I/AAAAAAAAAKk/2kv2zOhZG6E/s1600-h/Digitalizar0013.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198841975138622434" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX_O1OHG-I/AAAAAAAAAKk/2kv2zOhZG6E/s320/Digitalizar0013.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;MENSAGEM DO CAMINHO:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"PEREGRINO, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;QUE O CANSAÇO DO CAMINHO NUNCA TE IMPEÇA DE PENSAR. O MAIS IMPORTANTE É A META?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;NÃO SERÁ, ACASO, O ENCONTRO COM O MONTE, O RIO, COM O RUMO QUE PERDESTES...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;...COM O MESMO DEUS QUIÇÁ?"&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Gaudi – famoso arquiteto espanhol, criador de obras geniais, como a Igreja da Sagrada Família, Casa Millá (La Pedrera), Parque Güel ( todas em Barcelona ), entre outras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-915610505868342844?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/915610505868342844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=915610505868342844&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/915610505868342844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/915610505868342844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/as-belezas-do-caminho-11-dia.html' title='AS BELEZAS DO CAMINHO - 11º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCX85FOHG5I/AAAAAAAAAJ8/TeYtbpl-l2o/s72-c/Digitalizar0003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-4917137896476148376</id><published>2008-05-08T15:26:00.002-03:00</published><updated>2008-05-08T15:35:32.042-03:00</updated><title type='text'>A MORTE, O PERDÃO E A RESSURREIÇÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCNHmLJ1H4I/AAAAAAAAAJc/0YQgxQ5YNmg/s1600-h/44.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198077116070305666" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCNHmLJ1H4I/AAAAAAAAAJc/0YQgxQ5YNmg/s320/44.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;ALBERGUE DE BURGOS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCNHmbJ1H5I/AAAAAAAAAJk/WglDlVZrKAc/s1600-h/45.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Burgos. Fui a primeira a deixar o albergue. Saí sem comer nada, andei meio sem rumo em direção à cidade. Era uma manhã diferente. Havia algo estranho no ar, mas nada mais me amedrontava. Continuei caminhando, ainda meio sem rumo, para o lado oposto do Caminho. Estava sendo levada para aquela direção. De repente, ouvi uma voz chamando meu nome. Olhei em volta e não vi ninguém. A voz continuava chamando e era cada vez mais forte. Procurei de novo e nada. Até que senti uma tontura, um arrepio, tudo rodou e caí. Ainda ouvi o som das pessoas aglomerando-se para me ajudar. Fiquei desacordada por muito tempo. Perdi o contato com o mundo e uma sensação de paz invadiu meu corpo. Imaginei ter tido um ataque fulminante do coração e alegrava-me a idéia da morte ser tão tranqüila. Então, ouvi a mesma voz chamando-me de novo. Voltei a sentir o corpo. Estava leve como uma pluma. Aos poucos, fui despertando e abri os olhos. Para minha surpresa, dei de cara com um campo infinitamente florido. O céu era de um azul muito claro, mas de intensidade forte. Meus sentidos estavam mais aguçados que o normal. Ouvia com mais facilidade e via tudo com mais cor. Meu corpo parecia bailar no ar. Meus pés não tocavam o chão. Ouvi mais uma vez aquela voz chamando-me. Olhei para trás e vi Tuiv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuiv era o nome que eu dava para meu anjo protetor dos joelhos. Quando criança, toda vez que precisava correr, eu punha as mãos no joelho e dizia:&lt;br /&gt;— “Tuiv, meu anjo protetor dos joelhos, faz eu correr mais rápido que um cometa! Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.”&lt;br /&gt;E lá ia eu, cortando o espaço! Às vezes, antes de dormir, eu colocava uma música e ficava dançando no escuro do quarto com meus amigos imaginários. Eram todos anjos. E agora Tuiv estava ali ao meu lado. Não era uma criatura humana, mas sim um vulto, uma luz. Dentro de mim, sabia que era ele. Tantas vezes senti sua força! Senti meu corpo sendo abraçado, tomado por ele. Tornei-me tão grande e forte que pude ver o mundo lá de cima. E na velocidade do pensamento, voei. Era um cometa finalmente! Voei por sobre montanhas e desertos. Atravessei oceanos. A rapidez dos movimentos me fascinava. Tuiv começou a explicar-me o motivo de sua vinda. Trazia consigo minhas culpas e mágoas do passado, conseqüentes de coisas mal resolvidas, inacabadas. Algumas delas, ficaram tão enraizadas em meu interior, que fui incapaz de lembrá-las. E a vinda de Tuiv era a chance de resolvê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos viajando por lugares e momentos importantes da minha vida, onde ficaram os ressentimentos. Aterrissei em uma casa onde morava quando tinha dois anos apenas. Ficava em Pelotas, Rio Grande do Sul, terra natal da dos meus pais. Fiquei intrigada com a riqueza de detalhes dessa época, sempre presentes na minha memória e nos meus sonhos. A entrada da casa, o corredor, o quartinho onde ficava o berço do meu irmão recém-nascido. Lá estava eu, ajudando minha mãe a cuidar do bebê. Como eu ainda era muito pequena e fraquinha, ela nunca me deixava carregá-lo no colo. Com toda razão! Esse foi o motivo de uma de minhas culpas. Eu o peguei no colo, escondida da minha mãe, e ele caiu no chão. O pior foi que, mesmo com a queda, aquela criança, gordinha e calma, continuou calada. Foi como se ele estivesse acobertando meu erro, cúmplice da besteira que fiz. Acabei não sendo castigada por minha mãe, porque ela nunca soube o que aconteceu ali. O peso na consciência foi o maior castigo que eu poderia ter tido. Tuiv perguntou-me se eu estava arrependida. Respondi que sim.&lt;br /&gt;— “Se estás arrependida do fundo do seu coração, então estás perdoada. Perdoe-se!”&lt;br /&gt;Mais à frente lembrei da minha avó. Ela me escrevia cartas mesmo quando ainda estava no útero da minha mãe. Tenho todas essas cartas guardadas. Quando comecei a escrever, minha maior diversão era mandar cartas para ela. E quando chegava aquele envelope branquinho, com listras verdes e amarelas na borda, endereçados a mim, era a maior felicidade! Conforme os anos se passaram, fui descobrindo outras coisas na vida e deixei as cartas de lado. Ainda lembro dela falando que estava triste porque eu não escrevia com a mesma freqüência de antes. Era a mais pura verdade! E hoje, arrependo-me de tê-la deixado tão sozinha. Fiquei pensando no tempo que perdi, sem compartilhar com ela as alegrias de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fomos voando para outros lugares. Aterrissei em um estúdio de TV. Estava fazendo um teste para um comercial de refrigerante. Havia muitas crianças. Eu estava dentro do perfil que procuravam para o trabalho. Estava fascinada com tudo! As pessoas correndo de um lado para outro, as luzes, as câmeras. Quando chamaram meu nome, senti um frio na barriga. Entrei para o estúdio e gravei uma, duas, dezenas de vezes. Pude notar que gostavam da minha atuação. Fui aprovada na hora! Fizeram-me esperar um pouco, pois queriam gravar o comercial naquele momento. Era minha primeira grande conquista! Demorou um pouco até começarmos a filmagem. Já havia feito umas três vezes a mesma cena, quando adentrou o estúdio uma famosa atriz e sua filha. Depois disso, ouvi minha mãe chamar-me para irmos embora. Ela estava nervosa e revoltada. Em minha cabeça tudo estava confuso. Continuava feliz com tudo o que tinha acontecido e não havia me dado conta da real situação. Um dia, perguntei a ela porque tinha saído do estúdio tão chateada. A realidade caiu sobre mim como uma bomba! A tal menina, filha de pais influentes, havia roubado minha cena. Foi difícil admitir que fui aprovada no teste e tive que abandonar a filmagem, por causa de uma indicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos se passaram e surgiu um teste para um programa de televisão. Fui aprovada! O medo da rejeição, que eu havia experimentado quando pequena, foi vencido. Cheguei em casa com o contrato para minha mãe assinar. Ela nem sabia do teste e ficou surpresa. Eu tinha apenas treze anos. Foi essa a maneira que encontrei de superar o episódio vivido ainda criança e dizer:&lt;br /&gt;— “Consegui! E sem a ajuda de ninguém! Sou boa mesmo!”&lt;br /&gt;Precisava provar para mim mesma que era capaz. Envolvi-me naquele meio tão diferente, cheio de vaidades. Era um trabalho duro, sem hora para acabar. Muitas vezes voltei para casa sozinha, de ônibus, morrendo de medo, mas feliz! Dizia para minha mãe que voltava de carona. Tinha pena de acordá-la no meio da madrugada para buscar-me. Eu era a mais nova de todos do elenco e fui muito bem acolhida. Trabalhei neste programa durante cinco anos. Pude ver as múltiplas faces do mundo artístico. Aprendi muito e também tive decepções. O trabalho, a separação dos meus pais, a falta de grana, a árdua tarefa de ajudar minha mãe e ainda, servir de exemplo aos meus irmãos menores, fizeram-me amadurecer muito rápido. Foi uma época com os pés fincados no chão e a cabeça nas nuvens. E com a velocidade de um cometa, deixei a infância e a adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a voz de Tuiv chamando-me de volta ao Caminho. Antes de tudo, disse-me que eu teria que fazer um exercício de perdão. Refletir esses acontecimentos e identificar todas as pessoas que, de alguma forma, fizeram-me sofrer e então, perdoá-las. E acima de tudo, perdoar a mim mesma. Deveria aceitar minhas condições de ser humano imperfeito e tirar de minhas costas, toda e qualquer idéia de culpa. Eu não era a salvadora do mundo. Meus limites deveriam ser respeitados! Levou-me para o campo florido, onde passei dias e noites meditando isolada. Tuiv abraçou-me com suas asas e disse-me:&lt;br /&gt;— “Chore, ponha para fora todos esses ressentimentos. Você não precisa provar nada para ninguém e também não tem a obrigação de consertar o mundo. Livre-se desse peso. Ele não é seu, nunca foi! Perdoe-se e perdoe sua família. Só assim uma nova vida surgirá para você!”&lt;br /&gt;Quando já estava com tudo resolvido no fundo de minha alma, adormeci. Estava pronta para voltar com ele para o Caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti meu corpo pesado novamente e comecei a despertar. Abri os olhos e havia um homem ao meu lado. Estava dentro de um carro. Perguntou-me se eu estava bem e o que havia acontecido. Disse-lhe que havia desmaiado na saída do albergue em Burgos e passado muitos dias em um lugar florido e isolado. Olhou-me com estranheza e falou:&lt;br /&gt;— “Impossível! Eu vi quando você desmaiou. Você acordou com o olhar distante, falando León, León o tempo todo. Você agarrou o meu braço e falou de novo o mesmo nome León. Foi aí que achei que você queria ajuda para chegar até aqui. Desde então, você não falou mais nada. Entrou no carro, quase em transe. Durante toda a viagem permaneceu de olhos arregalados e fixos, sem falar mais.”&lt;br /&gt;Fiquei sem reação! O que havia acontecido? Quem seria aquele homem ao meu lado falando absurdos? Olhei em volta e vi a placa: albergue de León. O homem ajudou-me a sair do carro, pois estava em estado de choque! Não podia acreditar no que me havia acontecido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom homem perguntou-me se eu queria ir até um hospital. Eu disse que não, já estava mais calma. Como agradecimento, convidei-o para um café. Contei-lhe o que lembrava antes do desmaio e tudo sobre a viagem com meu anjo. Aquele homem olhava-me com ar de serenidade e paz. Sua voz era doce e sua aparência familiar. Despedimos-nos com um abraço caloroso e demorado e cada um seguiu para seu lado. Lembrei-me então, de que eu ainda não sabia seu nome. Quando virei-me para chamá-lo, ele ainda estava lá, parado, olhando para mim. Sorriu e perguntou-me:&lt;br /&gt;— “Qual é o seu nome?”&lt;br /&gt;— “Tilara” - respondi. — “E o seu?”&lt;br /&gt;— “Muito bonito o seu nome Tilara! O meu é Tuiv.”&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-4917137896476148376?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/4917137896476148376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=4917137896476148376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/4917137896476148376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/4917137896476148376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/morte-o-perdo-e-ressurreio.html' title='A MORTE, O PERDÃO E A RESSURREIÇÃO'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCNHmLJ1H4I/AAAAAAAAAJc/0YQgxQ5YNmg/s72-c/44.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-2512700275025537929</id><published>2008-05-07T22:19:00.004-03:00</published><updated>2008-05-07T23:39:36.418-03:00</updated><title type='text'>LONGO TRAJETO, DESPEDIDAS E ABRAÇOS - 10º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como bons boêmios que éramos, ficamos rolando na cama e levantamos fora do horário “normal” dos demais peregrinos. Foi uma manhã atípica. Três integrantes do grupo voltariam para casa e quase todo o restante andaria só até Burgos. Geralmente, os europeus aproveitam os feriados prolongados e fazem o Caminho por partes. Nós brasileiros temos que fazê-lo de uma só vez porque, além de longe, ficaria muito caro embarcar para a Europa mais de uma vez ao ano. Senti uma ponta de tristeza. Deixar os amigos para trás é sempre difícil. Pensar no restante da viagem era desanimador, mas a dificuldade de vencer os quase trinta quilômetros do dia, me fez esquecer um pouco a despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram algumas horas caminhando por uma trilha que cortava uma floresta, até encontrarmos um lindo platô, todo gramado, de onde podíamos admirar a paisagem lá embaixo. Juan Andrés levou um rádio, onde ouvia uma música que me pareceu perfeita para a imagem que vi naquele momento. Vários peregrinos marchando em paz pelos campos, ao som de “Age of Aquarius”, tema do filme Hair. A música no ar e aquela imagem diante dos meus olhos, me fizeram sentir que o mundo poderia transformar-se em um lugar melhor, bastando apenas um pouco de boa vontade de cada um. Totalmente envolvida por aquela atmosfera, continuei meu caminho bailando ao som da música que inspirou uma geração de sonhadores como eu. E meu sonho se tornava cada vez mais real, me fazendo descobrir que os sonhos são feitos para serem vividos e que eu não devia nunca parar de lutar pelo que quero. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCJZqbJ1H1I/AAAAAAAAAJE/8bw9b0e5sf8/s1600-h/CAMINHO013.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197815505317338962" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCJZqbJ1H1I/AAAAAAAAAJE/8bw9b0e5sf8/s320/CAMINHO013.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Age of Aquarius&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Descemos em direção ao pueblo de Atapuerca. Sabia que ao final do dia alguns peregrinos terminariam sua jornada e seria improvável encontrar alguém do grupo novamente. Por isso, desfrutei de cada palavra, cada gesto, cada ato de amor e carinho de todos. Tentei corresponder ao máximo e tenho certeza de que consegui deixar um pedacinho de mim dentro de todos aqueles corações. Consegui separar o companheirismo da dependência, pois via a diferença das duas coisas. Simplesmente, voltei à primeira lição do Caminho: respeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCJZqbJ1H2I/AAAAAAAAAJM/6y86-vYS6xk/s1600-h/CAMINHO014.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197815505317338978" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCJZqbJ1H2I/AAAAAAAAAJM/6y86-vYS6xk/s320/CAMINHO014.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Almas gêmeas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Do lindo campo para a feia entrada de Burgos. Nos sonhos também existe feiúra. Só assim podemos contemplar a beleza que eles nos trazem. De lá até o albergue seriam 9 exaustivos quilômetros. Uma eternidade! Paramos num restaurante logo no início da parte industrial da cidade. Estavam todos famintos, menos eu. Senti uma saudade incontrolável da minha família, o que justificava minha falta de apetite. Fico assim toda vez que estou um pouco nostálgica. Enquanto os outros sentaram-se para almoçar, corri para o telefone. Queria simplesmente ouvir a voz deles, saber como estavam as coisas. Não sabia o que dizer e não queria falar sobre o Caminho. É estranho, mas parecia que eu estava em uma prisão. De alguma forma, ficamos presos naquele mundo, sem notícias do que está se passando com as pessoas mais ligadas a nós. Despir-se do mundo real e entrar na utopia do Caminho não é uma tarefa fácil. Talvez por isso, o retorno seja tão difícil, porque acordamos do sonho bom e somos jogados de volta à realidade. Por isso, quem faz o Caminho, nunca conseguirá voltar a ser a mesma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao sonho, depois de ter matado a saudade da família, juntei-me ao grupo a tempo de acompanhá-los no cafézinho. Desculpei-me pela ausência e expliquei tudo o que estava sentindo. Todos compreenderam o que se passava e aceitaram minhas desculpas. Saímos do restaurante e continuamos pela avenida, até que finalmente alcançamos a cidade. A sinalização era ruim, não havia setas ou placas, mas fomos perguntando a um e outro e conseguimos chegar até a Catedral. Afinal, “quem tem boca vai à Roma” e porque não à Burgos?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Páscoa e a cidade estava repleta. Pessoas bonitas e bem vestidas, mas um pouco fechadas. Apesar de Burgos fazer parte do trajeto a Santiago, senti um preconceito grande no ar. Desdenhavam de nós peregrinos, como se fôssemos mendigos ou loucos. O Caminho encontrava o caos urbano. E como comportar-se diante do “mundo real” novamente? Como passear pela cidade grande, sem pensar em fazer compras, conhecer os lugares turísticos ou deixar-se contagiar pela energia estressante? Foi um grande choque para mim! Não sabia como enfrentar os olhares, os comentários e a desconfiança daquele povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia muito frio e achei que precisava comprar um agasalho. Em frente à Catedral havia várias lojas de souvenirs. Escolhi uma e entrei. Fiquei muito indecisa, pois os preços eram salgados. Dei várias voltas entre as prateleiras, sem notar que estava sendo observada. Um segurança estava olhando para mim, como se eu fosse roubar alguma coisa a qualquer momento. Não dei importância para ele e continuei procurando meu agasalho. De repente, ele aproximou-se e disse-me:&lt;br /&gt;— “Olha, se você não for comprar nada, vá embora logo, pois sua mochila está ocupando a passagem e atrapalhando os vendedores!”&lt;br /&gt;— “Eu não quero atrapalhar senhor, mas estou escolhendo uma blusa para comprar.” — respondi.&lt;br /&gt;— “Você não parece ter dinheiro suficiente para comprar nada nesta loja. Acompanhe-me até a porta.” — disse o brutamontes mal-encarado.&lt;br /&gt;Senti-me ofendida com aquilo! Como aquele homem poderia desconfiar logo de um peregrino. Éramos a essência de toda a história da cidade. Fiquei calada por alguns segundos, até que a indignação deu lugar ao sangue latino e respondi-lhe à altura:&lt;br /&gt;— “O senhor tem toda razão. Eu não tenho mesmo dinheiro para gastar neste estabelecimento. O que se vende aqui é de qualidade muito inferior ao que estou acostumada a vestir. Acho que devo retirar-me e comprar algo melhor em outra loja.”&lt;br /&gt;Então virei as costas e saí, de cabeça erguida. Entrei na loja ao lado e comprei um casaco bem bonito. Pensei em voltar na loja e mostrá-lo ao segurança, mas achei que não valia a pena perder meu precioso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCJZqrJ1H3I/AAAAAAAAAJU/TsBLKFBduPA/s1600-h/CAMINHO015.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197815509612306290" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCJZqrJ1H3I/AAAAAAAAAJU/TsBLKFBduPA/s320/CAMINHO015.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Na Praça dem Burgos: eu, Fresia e Juan Andrés&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Segui até a praça da Catedral e reencontrei meus amigos. Era a vez de Fresia e Juan Andrés terminarem seus Caminhos ali. Mais uma despedida. São tantas no Caminho, assim como na vida. Alguns se vão, outros ficam e tantos outros ainda fariam parte da família peregrina. Foi muito triste, mas tive a certeza de que sempre teria o apoio e a amizade verdadeira de todos que estavam ali e se algum dia eu precisasse de um teto, um ombro para chorar, alguém para compartilhar os bons e maus momentos da vida, esses amigos sem dúvida estariam prontos a ajudar-me. Depois dos abraços, os que restaram do grupo ficaram olhando Fresia e Juan Andrés sumirem na multidão. Meu consolo era saber que poderia vê-los depois do Caminho, em Madri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estávamos reunidos, quando um peregrino chegou com más notícias. Havia um boato de que o albergue estava lotado desde o dia anterior. O que faríamos? Os hotéis também estavam cheios e eu não tinha mais forças para chegar até a próxima cidade. Juntei-me a Mari José e seu marido à procura de uma pensão. Rodamos a cidade toda e nada! Quando estávamos quase desistindo, encontramos uma vizinha do casal. Não acreditei no que estava acontecendo! A cidade estava lotada e mesmo assim a encontramos? E a parte boa da história: ela tinha um apartamento vazio perto dali! Fez questão de nos emprestar. Melhor impossível! Justamente quando não tínhamos mais esperança, surgiu diante de nós, como um anjo caído do céu, aquela senhora bondosa, oferecendo-nos um teto. Coisas do Caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o banho mais gostoso, demorado e quente do Caminho. Sem a preocupação de deixar água quente para os outros peregrinos. Xampu, sabonete, perfume... Aproveitei também, para depilar-me, pois já parecia uma mulher das cavernas! Nunca agradeci tanto a Deus por um banho, porque na noite anterior eu havia apelado para os lencinhos umedecidos. Banho tomado, era hora de estrear o casaco novo e pronto! Estava produzida para a grande noite de Páscoa! Fomos a um restaurante super chique, pedimos um bom vinho, comemos peixe, torta de Santiago e tudo que tínhamos direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acordar, resolvi que ficaria em Burgos mais um dia. Seria o meu dia de folga do Caminho. Meus últimos amigos, Mari José e o marido, despediram-se de mim durante o café da manhã. Lá estava eu, sozinha novamente. Me senti perdida, sem saber o que fazer. Sentei no banco da praça e fiquei admirando a Catedral. Sem perceber, passei o dia todo ali, escrevendo no meu bloquinho, tomando sorvete, tirando fotos e conversando com os idosos. Já era hora da siesta quando avistei alguns peregrinos chegando. Vi que um deles era brasileiro, pela bandeirinha costurada à roupa, e vinha acompanhando a Mônica, uma peregrina que conheci no primeiro dia, ainda em Roncesvalles. Mais uma vez foi aquela alegria! Notícias do Calixto e novidades de cada um. O tal brasileiro era um famoso mineiro, muito simpático, de quem todos falavam: Emerson. Uma graça de pessoa. Da Catedral, seguimos juntos para o albergue. A recepção foi ainda mais calorosa, pois a hospitaleira era brasileira também. Maria havia deixado tudo e todos no Brasil para dedicar sua vida aos peregrinos. A meu ver, um ato de muita coragem, porque eu não deixaria minha vida para ficar no Caminho. Pelo menos era isso que eu pensava naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a sentir muito frio e percebi que estava com febre. Tomei um antitérmico, mas ela não baixava, então resolvi fazer uma “visita” ao hospital mais próximo. Fui muito bem atendida, mesmo tendo chegado depois do horário marcado para nós peregrinos. Era um hospital militar, muito limpo e bonito. Fiquei um pouco preocupada quando o médico disse-me que eu estava com uma gripe muito forte, que se mal curada, poderia transformar-se em pneumonia. Aconselhou-me a repousar por dois dias e só depois que a febre baixasse eu poderia seguir caminho. Fui medicada e voltei para o albergue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ainda reservava mais surpresas. Conforme foram chegando os peregrinos, encontrei meu amigo Björn. Mais tarde, foi a vez do David, um inglês que conheci em Los Arcos. Logo depois, chegou Cecília, uma peregrina escocesa que conheci em Cizur, quando eu ainda estava acompanhada do meu amigo Chico. Quando achei que estaria sozinha de novo, mais amigos vieram ao meu encontro. Eram os reencontros do Caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui jantar em um restaurante perto dali, onde encontrei David e Cecília. Sentei-me com eles e compartilhamos nossas experiências. Para o David era difícil entender nosso jeito extrovertido de ser e da facilidade que temos em abraçar o próximo. No fundo, ele queria ser como nós, mas sua educação foi diferente, bastante fria e distante. Disse-me que conheceu muitas pessoas especiais no Caminho, mas queria aprender a exteriorizar seus sentimentos. Realmente, deve ser difícil não conseguir demonstrar o que sente com a mesma naturalidade que nós brasileiros. Agradeci a Deus por fazer parte desse povo feliz, simples, alegre, amoroso e patriota! Sim, patriota! As maiores demonstrações de patriotismo que encontrei no Caminho, vieram dos brasileiros que conheci. Odair, um peregrino de São Paulo, costurou uma bandeira brasileira na mochila; Calixto pendurou uma bandeira no cajado; eu andava com um chapéu do Brasil (que ganhei de presente, de “livre e espontânea pressão” do meu melhor amigo – Alex) e nos cadernos de mensagens, a bandeira mais desenhada era a nossa. O Caminho estava coberto de brasilidade! E viva o Brasil!!!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na saída do restaurante, dei um forte abraço no David, deixando-o envergonhado. Disse-lhe que se quisesse aprender a exteriorizar os sentimentos, deveria aprender a abraçar as pessoas com mais freqüência. Chegando ao albergue, ele me retribuiu o abraço, desejando-me uma boa noite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-2512700275025537929?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/2512700275025537929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=2512700275025537929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2512700275025537929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2512700275025537929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/como-bons-bomios-que-ramos-ficamos.html' title='LONGO TRAJETO, DESPEDIDAS E ABRAÇOS - 10º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCJZqbJ1H1I/AAAAAAAAAJE/8bw9b0e5sf8/s72-c/CAMINHO013.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-3650954048256671508</id><published>2008-05-06T17:41:00.003-03:00</published><updated>2008-05-06T18:13:56.026-03:00</updated><title type='text'>Bumbum de “bebêbada” - 9º DIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI2wCUS6I/AAAAAAAAAIk/tltnma-byXg/s1600-h/36.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197374812918664098" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI2wCUS6I/AAAAAAAAAIk/tltnma-byXg/s320/36.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Saindo de Belorado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordamos todos bem cedo. Carla e eu distribuímos os sanduíches. Sabíamos que seria um dia muito puxado, cheio de subidas e sem lugares onde pudéssemos comprar comida ou descansar. Fiquei feliz em poder retribuir os jantares com os singelos lanches que havíamos preparado. Seria uma grande ajuda! Guardamos nossos sanduíches na mochila e partimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o mesmo grupo do dia anterior: Carla, Fresia, o menino Juan Andrés e eu. Os outros seguiram na frente. O dia estava bonito, mas, como sempre, o tempo por lá era imprevisível. E mais uma vez, a chuva nos pegou de surpresa! A cada momento, éramos colocados à prova. Chuva, barro, frio, sol forte, horas a fio sem comer, subidas horrorosas... Fomos em frente, persistentes! Paramos enfim, depois de muitas horas de uma longa e difícil caminhada. Conseguimos achar um bar recém aberto ao longo da jornada. Incrível como o caminho havia mudado de um ano para o outro! Os bares parecem brotar da terra já prevendo o lucro certo. Tiramos os sapatos e sentamos confortavelmente. Sem que percebêssemos, um cheiro horroroso foi tomando conta do lugar. Parecia queijo estragado. Depois de algum tempo reclamando e tentando descobrir de onde vinha o mau cheiro, Juan Andrés falou baixinho em meu ouvido:&lt;br /&gt;- “Acho que esse cheiro está vindo dos nossos pés”.&lt;br /&gt;Soltei uma indiscreta gargalhada. Ele estava certo. Nossos pés estavam realmente fedidos. Era uma mistura de chulé e suor insuportáveis. Resolvemos calçar os sapatos e sair de fininho para que ninguém percebesse que éramos os responsáveis pelo “quase-homicídio” por asfixia de todo o pessoal presente no bar. Mesmo que ninguém tivesse notado a “poluição”, minha cara delatou a culpa: mais vermelha que ela, só mesmo uma Ferrari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto seguíamos, conversando alegremente, uma cobra passou rente ao meu pé. Carla disse-me que as cobras simbolizam a sabedoria. Tudo que sempre li sobre a simbologia das cobras, dizia exatamente o contrário, mas preferi ver o lado positivo e acreditar que pudessem representar realmente a sabedoria. E porque não? De vez em quando, precisamos de um estímulo externo para acreditar e lutar por certas coisas. Eu buscava justamente isso: sabedoria para uma vida mais serena. Apostei no que ela me dizia e sabia que chegaria o momento de mudar e tomar rumos diferentes em minha vida. E a sabedoria viria trazendo tranqüilidade para enfrentar os obstáculos que me seriam impostos. Mesmo assim, rezei para não encontrar a progenitora da pequena cobrinha. Não era bom arriscar tanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI4ACUS9I/AAAAAAAAAI8/UluJYVUWNLw/s1600-h/37.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197374834393500626" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI4ACUS9I/AAAAAAAAAI8/UluJYVUWNLw/s320/37.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ermita Virgen La Peña&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfrentamos uma subida muito íngreme. Lembrei-me da mensagem, encontrada em um caderno de albergue, que dizia para termos uma atitude diferente diante da dor. Nada mais me pareceu tão difícil, justamente por não estar mais preocupada com os obstáculos que estavam por vir. Teria que superá-los de qualquer forma. Então, para quê a ansiedade? Tudo ficava tão mais simples quando tínhamos serenidade, paz, alegria. Deixar as dificuldades nos vencerem antes mesmo de enfrentá-las, definitivamente não era a melhor forma de viver a vida. O aprendizado do Caminho está exatamente nisso: simplesmente viver a vida, da melhor forma possível. Às vezes, ficamos tão cegos que não nos é possível enxergar a melhor saída, por isso, o melhor mesmo era confiar no destino e viver o presente. Era isso o que eu mais precisava aprender! Talvez esse tenha sido um dos maiores motivos da minha ida ao Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontramos o Jarc fazendo um pequeno piquenique no topo de uma montanha. Veio em nossa direção com lágrimas nos olhos agradecer o sanduíche que preparamos. Disse-nos que sem ele, teria ficado com fome até o final do dia. Este é o melhor presente que podemos ganhar na vida: a alegria no rosto de alguém que ajudamos! Muitas vezes, fazia algo por alguém, não pelo simples fato de fazer o bem, mas sim, para receber esse sorriso em troca, mesmo ficando incomodada por parecer uma forma de ostentação. Ajudar o próximo também faz bem ao nosso ego! E eu não seria hipócrita em afirmar que não gosto de sentir esse orgulho, pois tudo na vida é uma troca. Importante apenas que seja feita com amor e sem cobranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva, que já tinha dado lugar ao sol, veio novamente atrapalhar nosso dia. Parecia estar sempre me perseguindo! O meu maior desejo no Caminho era descansar ao sol, deitada no campo. Nunca consegui! Achei que poderia ficar descansando um pouco no mesmo lugar onde encontrei meu amigo Jarc. Eu tinha acabado de tirar a mochila, estender uma canga em um gramado, sob a sombra de uma grande árvore. Abri o papel que embrulhava o sanduíche e bem na hora que eu ia comer o primeiro pedaço, senti uma gota de chuva enorme caindo no meu rosto. Fiquei sem reação por uns dois segundos, com cara de idiota, pensando se voltava a embrulhar o sanduíche e seguir em frente, ou se continuava comendo, mesmo debaixo de chuva. Como de costume, preferi sucumbir à gula. E assim, comi prazerosamente aquele sanduíche de atum. E estava delicioso! Nunca um sanduíche de atum foi tão gostoso! A verdade era que eu estava faminta e nessas horas qualquer comida é bem-vinda, mesmo com molho de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, quase todos os peregrinos estavam reclamando de bolhas nos pés. Agradeci a Deus por não ter tido uma bolha sequer até então. Sem esquecer, é claro, de pedir para continuar sem tê-las até Santiago. Já me bastavam as dores nos joelhos! Peguei uma estrada de terra rodeada de árvores altas e muito verdes. Estava feliz, pois sabia que a cidade de San Juan de Ortega estava logo no final desta estrada. Acho que andei por mais de uma hora e a danada da estrada nunca chegava ao fim. Aquilo foi me dando uma irritação danada! Foi quando me perguntei (de novo!) o que estava fazendo ali. Coisa doida! Há poucas horas estava amando o Caminho e , de repente, comecei a achar que tudo aquilo era loucura! Tive vontade de jogar tudo para o alto e passear pelas ruas de Madri, fazer compras, gastar o cartão de crédito até não ter mais limite e viajar pela Europa. Que Caminho, que nada! Coisa mais sem graça passar dificuldade, sofrer de dores nos joelhos e andar o dia inteiro até o corpo pedir socorro! Eu queria o glamour de volta! Onde estavam os holofotes, os maquiladores, as câmeras e a correria do dia a dia? Senti saudade até mesmo da falsidade do mundo da moda, das frases feitas, dos sorrisos hipócritas, seguidos de um:&lt;br /&gt;— “Oi querida! Como você está bonita!”.&lt;br /&gt;Aí era demais! Não podia estar sentindo falta das coisas que mais me irritavam neste mundo! É a mesma coisa que cantar aquela música que você mais odeia, mas nunca sai da sua cabeça! Não estava certo! Eu tinha que fazer alguma coisa para me livrar daqueles pensamentos. Graças a Santiago, encontrei alguns peregrinos logo à frente e puxei conversa para distrair a mente. Em poucos instantes eu já estava integrada novamente ao Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase tive um ataque de riso quando avistei, ao longe, a pequena igreja de San Juan. Sabe quando ficamos tão felizes que o nervosismo toma conta e não nos conseguimos nos controlar? Não sabia se ria ou chorava, enfim, era o fim daquela estrada que parecia interminável! Claro que nem tudo na vida é perfeito. O lugar resumia-se a uma igreja, um albergue, um bar e algumas casinhas que podíamos contar nos dedos das mãos. O refúgio não era nada confortável. Para piorar não havia água quente e estava um frio de rachar! Confesso que enforquei o banho neste dia. Dei uma “disfarçada básica” com as toalhinhas umedecidas. Pode parecer meio porco, mas foi o único jeito que encontrei de fazer a higiene do dia. Senti-me como bumbum de nenê. Literalmente!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como de costume, fui conhecer o povoado e encontrei dois peregrinos brasileiros. Um deles, era o mesmo que conheci no primeiro dia, Harrison. O outro eu já havia encontrado em Cizur Menor. Sentei-me com eles no banquinho da praça em frente ao albergue para comemorar o encontro em verde e amarelo, regado a muito vinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI3ACUS7I/AAAAAAAAAIs/935z8TLrszk/s1600-h/38.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197374817213631410" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI3ACUS7I/AAAAAAAAAIs/935z8TLrszk/s320/38.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sopa de alho no albergue - no fundo da foto, a peregrina que vos escreve, sob a luz do sol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fomos chamados para provar a famosa sopa de alho, preparada pelo Padre José Maria, uma tradição de San Juan de Ortega. A sopa não é nenhum primor da culinária internacional, mas o importante era a reunião dos peregrinos para festejar. O Padre serviu todos, perguntou os nomes e países de cada um. Neste dia, havia pessoas de treze diferentes nacionalidades. Na verdade eram doze, mas o menino Juan Andrés disse que era do Nepal, arrancando gargalhadas dos demais peregrinos. De onde será que ele tirou a idéia de ser nepalês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sopa não matou minha fome de leão e fui para o bar com os brasileiros. Depois de me esbaldar, soube que um amigo de um dos peregrinos vinha vindo de Burgos, com comida para todos. Seria também a despedida dos meus amigos franceses Jarc, Emilie e Yolande. Voltei correndo para o refeitório da igreja e fartei-me com os maravilhosos frios, muito vinho e Orujo (um tipo de cachaça). Bebemos tanto, que fomos delicadamente expulsos pelo Padre. Já passavam de dez da noite e estávamos todos ligadíssimos e um pouco “alegres”. Tivemos uns contratempos por conta disso, porque aquele era o primeiro albergue onde tínhamos a companhia de outros peregrinos que não pertenciam ao nosso grupo e ninguém entendia nossa euforia. Naquela noite, os roncos deram lugar às risadas esporádicas de um lado e outro do quarto. Risos quase sem graça, abafados. Sempre acompanhados de um shshshshs...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI3QCUS8I/AAAAAAAAAI0/welCycf3p7s/s1600-h/39.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197374821508598722" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI3QCUS8I/AAAAAAAAAI0/welCycf3p7s/s320/39.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Yolande, eu e Jarc&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A vingança veio a cavalo. Antes mesmo de o sol nascer, os “estranhos” nos acordaram fazendo um barulho infernal com os saquinhos plásticos. Aliás, esse é um assunto interessante. Até hoje não descobri porquê levamos tudo separado em saquinhos plásticos. Uns diziam que é para proteger da chuva, mas havia a capa de chuva; outros diziam que era para separar a roupa suja da roupa limpa, mas, em geral, as mochilas são repletas de compartimentos. Acho que servem mesmo é para acordar os beberrões como nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-3650954048256671508?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/3650954048256671508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=3650954048256671508&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3650954048256671508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3650954048256671508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/bumbum-de-bebbada-9-dia.html' title='Bumbum de “bebêbada” - 9º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDI2wCUS6I/AAAAAAAAAIk/tltnma-byXg/s72-c/36.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-4074356781634236509</id><published>2008-05-06T17:37:00.001-03:00</published><updated>2008-05-06T18:07:22.097-03:00</updated><title type='text'>FAMÍLIA PEREGRINA - 8º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O grupo de peregrinos estava andando junto há dois dias e era muito unido e feliz. Haviam se conhecido ali mesmo, no Caminho, e já eram como uma família. Eu e Carla fazíamos parte dela agora. Era uma alegria constante. Cada um andava no seu ritmo, mas todos ficavam sempre atentos a seus companheiros. Sempre marcavam de encontrar-se no pueblo seguinte e ver se estavam todos bem. Saindo de Sto. Domingo, andamos juntos por algum tempo, e depois o grupo foi se separando. Quando cheguei no lugar marcado para a primeira parada, estava ardendo em febre e meus amigos me socorreram. Esperaram até que eu melhorasse um pouco para depois continuar a jornada. Fiquei emocionada com tudo aquilo. Senti-me amparada. Encontrei naquele grupo a força, o companheirismo, o real espírito da peregrinação. E o sonho pareceu-me muito mais colorido, mais vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desses peregrinos era um menino de onze anos, chamado Juan Andrés e fazia o Caminho com uma amiga de sua mãe, Fresia. Ela, uma chilena muito politizada, culta e amorosa. Ele, muito calado e distante, mas quando deixava de lado a falsa timidez, mostrava sabedoria em suas frases. Tinha perdido o pai há pouco tempo e sua força me surpreendeu. Dificilmente um garoto da sua idade estaria tão inteiro, diante de uma situação difícil como a morte. Fiquei impressionada ao saber que ele próprio escolhera passar suas férias no Caminho de Santiago. Era realmente um menino especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDIEwCUS3I/AAAAAAAAAIM/fiqRDCf7ox4/s1600-h/33.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197373953925204850" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDIEwCUS3I/AAAAAAAAAIM/fiqRDCf7ox4/s320/33.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A caminhada até Belorado foi alegre. Conversamos bastante sobre a situação de nossos países e dos motivos de peregrinação de cada um. Fazia sol e ao nosso redor podíamos ver as montanhas cobertas de neve, o que para mim foi uma novidade e tanto! Passando pelos pueblos, comecei a perceber novamente o mundo que estava à minha volta. O Caminho começava a despertar um interesse diferente em mim. Estranho dizer isso, mas deixei-me conhecer muito mais facilmente naquele momento. Com a companhia de gente tão especial, senti-me confortável em dar e receber carinho. Sou uma pessoa um tanto reservada e aprendi a doar-me sem preconceitos, sem desconfiança. A conversa fluía com naturalidade e os idiomas não atrapalhavam. A diversidade de objetivos, o poder, o dinheiro e a individualidade do ser humano, não existiam naquela utopia que estávamos experimentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos ao albergue, a hospitaleira nos esperava com uma mesa farta e um sorriso amigo no rosto. Tudo começava a fluir e fazer sentido para mim. Sentia-me à vontade e em família. Os amigos chegando, cheios de alegria, reunindo-se para providenciar um jantar para os demais. Fiquei um pouco constrangida quando não aceitaram minha colaboração. Eu me sentia na obrigação de agradecer todo o carinho e, de certa forma, me redimir da gafe do dia anterior, quando ofereci minha comida esperando que ninguém a aceitasse. Então, propus à Carla que fizéssemos lanches para o dia seguinte. Compramos pão, atum e queijo. Preparamos mais de vinte sanduíches. Embalamos tudo e guardamos na geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDIEwCUS4I/AAAAAAAAAIU/J6NCYEead7M/s1600-h/35.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197373953925204866" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDIEwCUS4I/AAAAAAAAAIU/J6NCYEead7M/s320/35.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, o jantar foi uma festa! Uma maravilhosa confraternização. Diego, um peregrino italiano, foi o responsável pela melhor massa que comi em minha vida. Costumes e nacionalidades diferentes interagiam entre si, com uma facilidade incomum. A exemplo da noite anterior, conversamos até tarde. Foi divertidíssimo! Cada um cantou uma música de seu país, contamos piadas e brindamos com muito vinho a felicidade de estar ali. Depois, deitei-me e dormi sob a luz do luar, que iluminava minha cama, através da janela.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-4074356781634236509?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/4074356781634236509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=4074356781634236509&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/4074356781634236509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/4074356781634236509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/famlia-peregrina-8-dia.html' title='FAMÍLIA PEREGRINA - 8º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDIEwCUS3I/AAAAAAAAAIM/fiqRDCf7ox4/s72-c/33.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8917314498013656149</id><published>2008-05-06T17:36:00.002-03:00</published><updated>2008-05-06T18:02:22.559-03:00</updated><title type='text'>QUEBRANDO AS REGRAS - 7º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordei um pouco triste por deixar meus amigos. Já estava acostumada com os papos do Chico e com a solidariedade de Björn. Talvez não os visse mais, mas apesar de toda a tristeza, sabia que nossa amizade seria eterna. Tomamos um belo café da manhã como despedida. Rimos bastante, Chico e eu, de nossas aventuras pelos bares do Caminho, combinamos de nos vermos de novo quando chegássemos ao Brasil e choramos muito. Engraçado como já éramos tão íntimos! Tinha acabado de conhecê-lo e talvez eu nunca tenha sido tão verdadeira e transparente com alguém como fui com ele. Difícil explicar! Todas aquelas pessoas, especialmente o Chico, compartilharam comigo os momentos mais preciosos da minha vida e tornaram-se parte de mim. Nunca mais conseguirei lembrar de qualquer pedacinho daquele chão, sem lembrar com carinho e emoção de cada peregrino que conheci. Ao mesmo tempo, sentia-me aliviada por estar desabrochando para uma nova etapa. Dali para frente estaria sozinha e teria que reconquistar tudo de novo. Novos amigos, novos lugares, novas experiências. O Caminho é assim! Eternos encontros, desencontros e reencontros. Não podíamos planejar! Só nos restava vivenciar o que nos fora oferecido. E da melhor maneira possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus chegou e, com lágrimas nos olhos, dei um último adeus aos meus amigos e parti. Carla, a peregrina sul-africana foi comigo. Fomos juntas até a cidade de Logroño. De lá, cada uma seguiria seu destino. Eu pegaria outro ônibus até Sto. Domingo de La Calzada, e ela até Nájera. Em Logroño, acompanhei-a aos correios para despacharmos as “coisas supérfluas” que teimavam em permanecer nas nossas mochilas. Ficou tudo mais leve! Nossas mochilas e nossas vidas. Carla sentia tinha muitas bolhas e sentia dores nos tornozelos e resolveu trocar as botas por tênis. Seguimos para uma sapataria, mas chegamos bem na hora da “siesta” e todo o comércio estava fechado. Ainda por cima essa! Tínhamos que nos programar baseadas naquele horário doido! Como não daria tempo de esperar as lojas reabrirem, voltamos para a rodoviária, tomamos um café juntas e nos separamos. Ela agradeceu-me várias vezes por tê-la ajudado. Às vezes, pequenos gestos, que para nós são insignificantes, tornam-se imprescindíveis para outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em Sto. Domingo de la Calzada muito feliz e fui recebida com o calor do sol. Aquelas ruas pareciam-me familiares. Sentia-me em casa! Fui andando em direção ao albergue distraidamente, quando tive a sensação de estar sendo observada. Olhei em volta e vi que um homem estava me seguindo. Sua aparência não era nada boa e aquilo me deu medo. Tentei despistá-lo, andando um pouco mais rápido, até que percebi que não adiantava fugir. Tinha que enfrentá-lo! Sabia que não poderia travar uma luta corporal, porque era bem mais fraca que ele. Eu teria que agir com cautela e inteligência. Comecei a rezar e visualizar um desfecho feliz para aquela situação. Parei, olhei para trás, esperei-o vir ao meu encontro e perguntei se poderia ajudá-lo de alguma forma. Encarou-me calado por uns segundos e foi embora. Porque estava me seguindo afinal? Fiquei pensando o que poderia significar tudo aquilo, mas desisti e preferi achar que ele só estava me achando bonitinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei sã e salva ao albergue. Preenchi minha ficha, carimbei minha credencial e subi. Deixei a mochila em cima de uma cama e fui lavar as roupas sujas. Havia um casal lavando suas meias. Mari José e o marido, ambos de Pamplona. Esperei um pouco até que desocupassem o tanque. Disseram-me que a água estava congelando. E estavam certos! Realmente a água estava de matar! Coloquei em prática uma dica dada por um peregrino brasileiro: usar as meias nas mãos, como se fossem luvas para protegê-las do frio. Quem será que teve a feliz idéia de “trocar os pés pelas mãos”? E não é que deu certo?! Os brasileiros são doidos mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de estender as roupas no varal, fui conhecer a cidade e a famosa Catedral, que curiosamente abriga um galinheiro com um galo e uma galinha em seu interior. Diz a lenda, que um casal de peregrinos alemães, acompanhado de seu filho, hospedou-se na pousada de Sto. Domingo. A criada apaixonou-se pelo rapaz, mas não foi correspondida. Para vingar-se dele, escondeu um objeto de prata entre seus pertences e depois o denunciou como ladrão. Ele foi preso, condenado e enforcado. Aflitos, seus pais, seguiram sua peregrinação até Santiago. Ao voltar, encontraram seu filho saudável e com vida. Foram contar ao corregedor e este não acreditou na história, dizendo: “Seu filho está tão vivo quanto esta galinha que estou comendo.” Naquele momento, a galinha, que estava morta e assada, levantou-se e cantou. Por isso existe uma frase muito conhecida por lá:&lt;br /&gt;— “Sto. Domingo de la Calzada, onde cantou a galinha depois de assada.”&lt;br /&gt;Dizem que quando cantam para você é sinal de sorte. Supersticiosa que sou, fiquei como uma louca dentro daquela igreja, fazendo cocoricós para que cantassem para mim. E os bichinhos nem aí! Parecia que eu era um ser inexistente! Mas não perdi as esperanças! Com canto ou sem canto, eu teria sorte mesmo assim! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDHFgCUS1I/AAAAAAAAAH8/wXujINtF520/s1600-h/30.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197372867298478930" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDHFgCUS1I/AAAAAAAAAH8/wXujINtF520/s320/30.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar para o albergue, tive uma surpresa! Carla estava lá. Disse-me que dormiu no ônibus e passou do ponto. Quando acordou, já estava em Sto. Domingo de la Calzada. Fiquei super feliz! Alguma coisa fez com que nos juntássemos outra vez. Fomos então, tentar comprar seu tênis. Eu a avisei que havia uma lojinha ali perto. Já tinha olhado alguns pares de tênis pensando nela, rezando para que ela encontrasse o melhor sapato e terminasse seu Caminho em paz. E por coincidência, ou não, ela ouviu meu recado. Foi uma verdadeira confusão dentro da loja. Carla falava em inglês, o vendedor não entendia, eu traduzia com meu “portunhol”; o vendedor falava em espanhol e eu tinha que traduzir de volta em “capeinglês” para ela. E põe sapato... E tira sapato... E anda com um... E anda com outro... Horas para escolher! Quase enlouqueci! Enfim, decidiu-se pelo primeiro par de tênis que havia experimentado. Vai entender as mulheres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidimos que não iríamos comer em restaurantes naquele dia. Compramos comida e voltamos para o albergue. Preparamos uns sanduíches e ainda achei uma panela de macarrão na geladeira. Esquentei tudo e dividi em dois pratos, um para mim e outro para ela. Enquanto estávamos comendo, outros peregrinos foram aparecendo. Ofereci minha comida, torcendo para que ninguém a aceitasse, pois era pouca. Enquanto isso, foram abrindo suas mochilas e colocando comida na mesa. Um deles começou a cozinhar para todo o grupo e os outros saíram para comprar vinho. Depois, sentaram-se e nos convidaram para comer. Foi o jantar mais alegre e também a situação mais desagradável de toda a viagem. Foram extremamente generosos conosco, enquanto eu tinha sido egoísta e mal educada. Sem perceber, ensinaram-me a caridade. Agradeci a Deus por ter pulado aquelas etapas de ônibus e conhecido todos eles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDHFwCUS2I/AAAAAAAAAIE/4I8ObIn6CDM/s1600-h/32.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197372871593446242" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDHFwCUS2I/AAAAAAAAAIE/4I8ObIn6CDM/s320/32.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8917314498013656149?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8917314498013656149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8917314498013656149&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8917314498013656149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8917314498013656149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/quebrando-as-regras-7-dia.html' title='QUEBRANDO AS REGRAS - 7º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SCDHFgCUS1I/AAAAAAAAAH8/wXujINtF520/s72-c/30.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-162079797197444733</id><published>2008-05-02T19:12:00.004-03:00</published><updated>2008-05-04T14:00:55.543-03:00</updated><title type='text'>PERDIDA NA SELVA - 6º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda era noite quando acordamos com o barulho dos saquinhos plásticos que os peregrinos levam para guardar as roupas sujas. Ai, como eu queria dormir até meio-dia! O único incentivo para sair da cama era o delicioso cheirinho de café vindo da cozinha. Foi o primeiro albergue que nos ofereceu café da manhã. É claro que não desperdicei nem um pouquinho! O maior desafio para mim era deixar aquela mesa, mas tinha que sair e continuar meu Caminho. Fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos quatro caminhando perto um do outro: Chico, Enrique, Björn e eu. Fui ficando um pouco para trás, pois as dores no joelho estavam voltando. Acho que com o frio ficavam piores. Fiquei poupando meu corpo e mandei que seguissem. O Enrique vinha logo depois de mim. Não demorou muito para que ele me alcançasse e continuássemos juntos por um tempo, conversando sobre as nossas dificuldades. De repente, deparamo-nos com uma bifurcação. Uma seta apontava para a direita e outra para a esquerda. Pelo jeito, qualquer uma delas, nos levaria à próxima cidade: Los Arcos. Eu teria seguido minha intuição e ido pela direita, mas surgiu um camponês, dizendo-nos que o certo era irmos pelo lado esquerdo. O Enrique parou para descansar e eu fui em frente, na direção apontada pelo camponês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fonte de Irache, onde podemos beber vinho à vontade, era um dos momentos mais aguardados por mim. Ficava logo na saída de Ayegui, um pueblo situado a 2 km de Estella. Estava doida para beber naquela fonte desde que comecei a pesquisar sobre o Caminho. Estranhei ao ver que já havia avançado mais de duas horas e nunca chegava lá. Passei por lugares de mata bem fechada, estradas de terra com muita lama e poucas setas, acompanhada de uma forte chuva. Não achava nunca a tal fonte, só terra e muito barro. Sabia que poderia estar perdida, mas já não tinha medo. Pensei comigo mesma que, o máximo que poderia acontecer se eu estivesse realmente perdida, era andar um pouco mais e, em algum momento, eu chegaria à uma cidade qualquer. Se esta cidade estava no roteiro do Caminho ou não, era irrelevante. No pior das hipóteses, eu gastaria um dinheiro extra com um táxi. Enfim, já não vestia mais a máscara fantasiosa de heroína e começava a ser uma pessoa normal novamente, simples e com os pés no chão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SB3iEQCUSyI/AAAAAAAAAHk/QcrNl409zS0/s1600-h/Digitalizar0004.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196558107707460386" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SB3iEQCUSyI/AAAAAAAAAHk/QcrNl409zS0/s320/Digitalizar0004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBudQwCUSwI/AAAAAAAAAHU/UMgWYrLlJIE/s1600-h/caminho0021.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Novamente passei por todas as estações do ano em um mesmo dia. Peguei sol, chuva, frio, vento, calor... A natureza pareceu ter percebido que estava sendo dura demais comigo e presenteou-me com um belo arco-íris. Eu o vi ao longe, no horizonte, colorindo o céu acinzentado. Lembrei-me das histórias que ouvia quando criança, onde no final de cada arco-íris havia um pote cheio de ouro! Aquela visão trouxe de volta toda uma pureza de sentimentos que deixei para trás junto com minha infância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SB3iEgCUSzI/AAAAAAAAAHs/D9Yuxzm31ug/s1600-h/Digitalizar0005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196558112002427698" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SB3iEgCUSzI/AAAAAAAAAHs/D9Yuxzm31ug/s320/Digitalizar0005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBudQgCUSvI/AAAAAAAAAHM/hSh2oJ2s6uM/s1600-h/caminho0020.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Àquela altura eu já sabia que estava perdida e segui então rumo ao tesouro no final do arco-íris. E ele não me enganou! Seguindo naquela direção, encontrei um pueblo. Parei para comer umas bananas e descansar em frente à igreja. Neste momento, ouvi alguém me chamar. Era o meu amigo Chico acompanhado de Björn. Os dois vinham felizes e acenando com garrafinhas cheias de vinho. Não acreditei! Onde estava a famosa fonte? Passei e não vi? E como foi que eles chegaram depois de mim, se eu estava bem atrás deles? Constatei que havia ido pela trilha errada. Puxa vida! Já havia me perdido no dia anterior, mas nem havia ficado chateada, mas deixar de provar aquele vinho... Me deu vontade de caminhar tudo de volta! Que pena! Talvez eu não estivesse preparada para beber...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei uns quinze minutos reclamando de tudo aquilo e os dois rindo de mim. Foi engraçado! Logo depois, chegou Enrique perguntando pela fonte. Acabei rindo também! Achei que tivesse sido a única perdida do dia, mas ele também havia seguido o mesmo trajeto maluco que eu. Estávamos confusos com o que tinha nos acontecido. Porque não encontramos a famosa fonte de Irache? Porque nos foi “tirado” o prazer de degustar o vinho que revigora os peregrinos? No meu caso, acabei entendendo que precisava enfrentar uma trilha sozinha, com todas as dificuldades que um peregrino poderia encontrar, tais como: chuva forte, os pés pesados, conseqüência do chão de terra molhada; e o mais temível de todos: a solidão. Descobri ainda, que eu havia seguido por uma variante do Caminho, por isso não encontrei a tal fonte de Irache. Por sorte, nossos amigos eram generosos e dividiram conosco o vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali, continuei sozinha. Só encontrei o Chico já na entrada de Villamayor de Monjardin, metade da etapa prevista para aquele dia. Ainda teríamos três horas de um longo percurso sem infra-estrutura, ou seja: nada de fontes de água ou bares. Para esquecer a fome, comecei a cantar e dançar. O Chico ria muito de mim, mas depois entrou na minha onda. Mais a frente, juntamo-nos ao Björn que nos olhava com espanto, pois não entendia nada do que cantávamos. Ainda assim, arriscou umas notas de “Amor i love you...” Foi engraçado ouvir aquele alemão cantando, ou tentando, cantar Marisa Monte. E lá fomos nós, cantando e dançando no meio do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só havia a estrada de terra e uma imensa plantação de trigo ao nosso redor. O sol nos queimava com toda sua força e o vento era forte. Tão forte que quase me carregava. Isso fez com que eu forçasse mais ainda meu joelho. Tentei me desligar da dor, imaginando as pessoas na idade média atravessando aquele campo, com aquelas roupas pesadas, enfrentando o frio e o calor. De repente, senti uma energia diferente em mim. Eu me sentia como um guerreiro. Senti meu corpo altivo, forte, meus cabelos voando com o vento. Minhas roupas eram duras como uma armadura e ouvia o galopar dos cavalos ao meu lado. Uma voz me dizia para continuar:&lt;br /&gt;“Tenha coragem, tudo ficará bem, na Santa paz de Deus, nosso pai. Você é um guerreiro e conseguirá vencer o medo e o Caminho.”&lt;br /&gt;Era uma voz feminina. Olhei para os lados assustada para ver de onde ela vinha. Para minha surpresa, não havia ninguém. Tentei, em vão, conseguir uma explicação plausível para o que estava acontecendo. Quando parei de julgar o que acontecia comigo, comecei a sentir de verdade aquela energia que todos falavam sobre o Caminho. Não havia a barreira do tempo, era como se meu corpo e minha alma estivessem mesclados com alguma energia do passado. Talvez, a energia de alguém que fui em uma outra vida. O que sei, é que tudo aquilo me deu forças para continuar sem dores e com muito amor e felicidade no coração. Sem perceber, tinha atravessado a estrada, deixado Chico e Björn para trás e já estava em Los Arcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei em frente, andando pelas estreitas ruas da cidade, meio fora do ar, sem saber direito o que fazer ou para onde seguir. Eis que surgiu, como havia acontecido anteriormente, “saltando” aos meus olhos, uma seta amarela. Ao lado dela, havia uma placa que dizia: Albergue de Los Arcos – massagem para peregrinos. Era tudo o que eu mais desejava ler naquela hora! Que reconfortante saber que a poucos metros dali, encontraria o merecido descanso e ainda por cima uma massagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBudRACUSxI/AAAAAAAAAHc/xx14HPl61Rg/s1600-h/caminho0022.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SB3iEwCUS0I/AAAAAAAAAH0/Y0oiIaV0oyM/s1600-h/Digitalizar0006.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196558116297395010" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SB3iEwCUS0I/AAAAAAAAAH0/Y0oiIaV0oyM/s320/Digitalizar0006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao virar uma esquina, dei de cara com a linda Catedral de Los Arcos e pertinho dali, o albergue. Cheguei chorando muito e em frangalhos. Acho que se eu tivesse que dar mais um passo, cairia dura no chão. Um casal de holandeses fazia as honras da casa. Muito alegres e falantes. Receberam-me com todo o carinho do mundo e fizeram massagem no meu joelho. Ah, a maravilhosa massagem! Ofereceram-me ainda, hospedagem por uns dias, até que meu joelho melhorasse. Gostavam muito de brasileiros e disseram-me que o Calixto havia dormido lá no dia anterior. Fiquei feliz em saber que meu amigo estava conseguindo vencer. Toda vez que tinha notícias dele era um incentivo a mais para que eu não desistisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpei meus tênis e os coloquei para “dormir” ao lado de vários pares de bota. Era o único par de tênis do albergue. Deu uma saudade danada das minhas botas! Enquanto estava mergulhada em meus pensamentos, em meus amigos, Chico e Björn chegaram. Eu já tinha reservado duas camas, bem perto da minha para os dois. Contei ao Chico as notícias de Calixto e também, que estava com uma idéia louca na cabeça: resolvi que, no dia seguinte, pularia uma parte de ônibus. Meus joelhos estavam inchados e eu temia não chegar a tempo em Santiago se parasse por uns dias. Sua reação foi de total espanto! Não entendeu o motivo de tudo aquilo, mas respeitou minha decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma decisão difícil, porque eu estaria matando o verdadeiro espírito peregrino ao embarcar em um ônibus e isso era imperdoável! Seria também uma grande oportunidade de aprender a não julgar-me com tanto rigor. Era importante que eu quebrasse as regras, assim deixaria de ser tão exigente comigo mesma! A vida toda sofri porque achava que tinha que salvar o mundo ou corrigir as pessoas. Que presunção a minha! Quem eu pensava que era para julgar ou dizer para os outros o que era certo ou errado? E quem foi que disse que pular um pedaço do Caminho de ônibus era pecado? Regras, regras e regras! Estava de saco cheio de tudo aquilo! Era hora de sair um pouco do convencional, do certinho. E seria duríssimo para mim, aceitar conscientemente, sem arrependimento e sem culpas, não seguir as “regras”. Novamente estava me colocando diante da situação conflitante de ser ou não heroína e isso seria decisivo para minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-162079797197444733?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/162079797197444733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=162079797197444733&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/162079797197444733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/162079797197444733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/ainda-era-noite-quando-acordamos-com-o.html' title='PERDIDA NA SELVA - 6º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SB3iEQCUSyI/AAAAAAAAAHk/QcrNl409zS0/s72-c/Digitalizar0004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-2581866086904654139</id><published>2008-05-01T09:31:00.004-03:00</published><updated>2008-05-01T10:21:25.606-03:00</updated><title type='text'>Algo misterioso no ar - 5º dia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; Acordei de bom humor!!! Tomei meu café da manhã, no meu ritmo, vi as notícias da tv e saí. Tinha apenas a companhia de minhas músicas, do sol, da natureza, da brisa gelada que insistia em acariciar meu rosto e, claro, do meu cajado! Durante muitas horas estive sozinha. Não havia ninguém ao meu lado para ditar o ritmo ou para interromper meus pensamentos. Sem o Chico, não havia também a companhia amiga e nem ajuda do seu guia e aí, em algumas vezes, julgava estar perdida, quando incrivelmente as setas amarelas pareciam saltar aos meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei uma calçada romana muito conhecida por lá: Cirauqui (pronuncia-se “tiráuqui”), que significa ninho de víboras. Dias depois, este seria meu apelido. Não que eu seja uma víbora, mas este foi o jeito mais fácil encontrado por meu amigo francês, Jarc, de pronunciar meu nome (Tilara). Realmente, tenho que concordar com ele, pois meu nome é um pouco incomum. Antigamente eu ficava bem chateada quando alguém me chamava de Filara, Silara, Tiara e outras tantas “laras” que já não lembro mais. Eu perdia um tempo enorme tentando convencer as pessoas que meu nome era Tilara, repetindo-o por várias vezes, mas não adiantava. Acabava entregando os pontos e dizendo que me chamava Patricia e ponto final! Hoje dou boas risadas ao lembrar da minha criatividade. Mas, voltando ao Caminho, Cirauqui já era um recorde para mim! De Puente la Reina até lá, foram quase 8 km andando sem parar, mas meus joelhos começaram a sentir a esticada. Tentava esquecer a dor olhando a linda paisagem e ouvindo minhas músicas. Naquele dia minha trilha sonora era bem clássica. No repertório, Vivaldi. Nada mais perfeito para representar o clima totalmente imprevisível da Espanha do que “As Quatro Estações”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBm74QCUSrI/AAAAAAAAAGs/9XL95j1eHUw/s1600-h/caminho0008.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195390220200331954" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBm74QCUSrI/AAAAAAAAAGs/9XL95j1eHUw/s320/caminho0008.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;CALÇADA ROMANA DE CIRAUQUI&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei o “Trio cometa” fazendo um piquenique. Uma jovem alemã os fazia companhia. Acenei e desejei-lhes um bom Caminho. Alguns minutos depois, encontrei uma enorme escadaria. Parei diante daquele que seria meu maior desafio do dia. Respirei fundo e escolhi qual seria o joelho que pouparia de um esforço maior na descida. Não adiantou! A dor veio com tanta força, que quase desmaiei. Estava enraizada, parecia esmagar meus nervos. Não conseguia ficar de pé! Dei um grito de dor que deve ter sido ouvido aqui no Brasil. Sentei-me no chão e pus-me a chorar! Não havia o que fazer. Tinha que esperar a dor passar, para seguir adiante. Pensei em descer devagar até a beira da estrada e pedir uma carona, mas não consegui. A dor foi mais forte do que a vontade de lutar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos do “Trio cometa” vinham vindo e um deles até brincou comigo, perguntando se eu estava sentada ali admirando a paisagem e pensando em Copacabana. Quando viram meu sofrimento, pararam na hora! Deram-me remédios, fizeram massagem nos meus joelhos, perguntaram-me se eu queria continuar ou se queria um carro para ir ao hospital. Foram muito caridosos. Nunca esquecerei!!! Dispensei a idéia do carro e disse que podiam seguir seus Caminhos. Eu ficaria ali descansando e iria até onde meu corpo agüentasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação era de total impotência. Só restava-me rezar para que a dor fosse embora, do contrário, meu Caminho estaria definitivamente ameaçado. Fiquei sentada ali por um bom tempo. Novamente vieram os pensamentos ruins. Eu já me via em um hospital, toda engessada e depois voltando para o Brasil sem completar o Caminho. Era o que eu precisava para levantar e seguir em frente! Imagine se eu me daria por vencida! Levantei em um impulso e desci gritando aos quatro ventos que nada me impediria de chegar, mesmo que fosse de muletas! E lá ia eu, mancando e gritando com ar de heroína! Ainda tinha muito que aprender...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei andando mais preocupada com as dores do que com as setas amarelas que indicavam o Caminho. Quando percebi, estava perdida. Olhei para um lado e outro e nada de setas. Resolvi seguir em frente assim mesmo. Mais à frente, quando olhei para o outro lado da rua, em uma mureta, havia uma flecha apontando para o sentido oposto. Pronto!!! Estava perdida, andando em círculos, sozinha e, ainda por cima, começava a chover (o que seria péssimo para meus joelhos pois, com o barro, os pés ficavam mais pesados e o risco de torção aumentaria). Dei a volta e, alguns minutos depois, encontrei a jovem alemã que estava no piquenique com o “Trio cometa”. Ela parecia não ter forças para andar e ardia em febre. Era a minha vez de ser solidária. Como Deus faz tudo certinho! Acho que a dor me fez retardar a caminhada justamente para encontrá-la. Dei-lhe um antitérmico, vitamina C e prometi acompanhá-la até o albergue de Estella.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda teríamos que achar o Caminho, pois estávamos perdidas. Ela conferiu seu guia e constatou que eu estava na direção certa e não sabia porque eu tinha voltado. Seguimos de acordo com o mapa e fiquei espantada ao ver que não havia seta amarela na mureta. Muito menos apontando para o sentido oposto, como eu vira antes. Teria sido alucinação? Prefiro acreditar que Deus colocou aquela seta ali, para que eu pudesse retribuir a ajuda recebida antes. Agradeci por ter tido a chance de ajudar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia nos surpreendia a cada instante. Ora chovia, ora o cansaço tomava conta de nossos corpos e às vezes, era o sol que teimava em queimar nossos rostos com toda sua força. A toda hora, eu pedia para dar uma olhada no guia da alemãzinha e via que, apesar de nossos esforços, havíamos avançado poucos km. Fiquei surpresa com a força de vontade daquela que, há poucos instantes, dependia de mim para continuar. Era um incentivo mútuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos juntas até um pueblo a poucos km de Estella. Ela já estava cansada e não conseguia mais andar. Aproveitei para descansar junto com ela. Sentamos no banquinho da pracinha e ficamos mergulhadas em nossos pensamentos. De repente, uma buzina ensurdecedora acordou-nos. Olhamos em volta e vimos surgir um pequeno furgão, adentrando a rua da praça. Ele parou a poucos metros de nós e um homem saiu, abriu as janelas laterais do carro e nos convidou para provar o sorvete mais gostoso das redondezas. Àquela altura do campeonato, o calor já havia dado lugar ao frio, mas eu nem me importei. Comprei um sorvete enorme, com várias bolas coloridas, de sabores diferentes. Lambuzei-me inteira! Aos poucos, minha camiseta branca foi ganhando cores e ficou parecendo uma obra de arte. Eu estava feliz novamente! Voltava aos tempos de criança, onde os pipoqueiros, os sorveteiros, os vendedores de cuscuz e outras guloseimas passavam buzinando na porta da minha casa. Logo as dores foram esquecidas e eu já me sentia em condições de voltar ao caminho. A alemã percebeu que eu estava querendo seguir viagem e disse-me:&lt;br /&gt;— “Siga seu Caminho. Já estou melhor e agradeço sua ajuda. Nos encontraremos em Estella.”&lt;br /&gt;Foi quando nos separamos. Ela já estava sem febre, bem melhor e achei que poderia seguir tranqüila. Continuei marchando rumo à Estella. Não sem antes enfrentar mais uma daquelas horrorosas descidas. Até pensei em rolar morro abaixo, como um barril de cerveja. Já estava parecendo uma bola mesmo, depois de tanto sorvete!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBnC0QCUSuI/AAAAAAAAAHE/XpsiGQGDf9c/s1600-h/CAMINHO012.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195397848062249698" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBnC0QCUSuI/AAAAAAAAAHE/XpsiGQGDf9c/s320/CAMINHO012.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;IGREJA DE SAN PEDRO DE LA RUA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Alguns minutos depois, já estava na cidade de Estella! Venci mais um dia! Foi a segunda vez que senti a emoção da vitória. Muito parecido com o que senti ao chegar no Alto do Perdão, só que com uma diferença: Estella era o final de uma etapa. Era a sensação de vitória, misturada à emoção da chegada. Difícil explicar, mas é como alcançar um objetivo que, a principio, me parecia impossível. O Caminho é assim: cada dia é um obstáculo a ser superado, um sonho a ser conquistado. O albergue era grande, bonito e limpo. Realmente muito acolhedor. Fui recepcionada pelo “Trio cometa”! Fizeram a maior festa quando cheguei! Ficaram espantados, porque não imaginaram que eu conseguiria andar até lá. Quando cheguei, cambaleando de tão cansada, os três já estavam arrumados e prontos para sair pela cidade. Eram realmente cheios de vida! Uma prova concreta de que as aparências enganam e a força de vontade independe da idade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBnCzgCUSsI/AAAAAAAAAG0/Ii1TqMrNk5s/s1600-h/Digitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195397835177347778" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBnCzgCUSsI/AAAAAAAAAG0/Ii1TqMrNk5s/s320/Digitalizar0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;PONTE EM ESTELLA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Depois de um banho regenerador, fui dar um passeio pela cidade. O pôr do sol era magnífico. Cobria as casas de um tom pastel, quase como uma obra de arte. Havia uma ponte antiga cruzando o rio, onde parei para meditar. Fiquei ali admirando a paisagem e pensando em como estava feliz por ter superado sozinha a etapa do dia! Mas minha maior alegria daquele fim de tarde, ainda estava por vir. Senti muita falta do meu amigo Chico e, enquanto estava analisando meu dia sem ele, ouvi uma voz dizendo:&lt;br /&gt;— “Tilara já está agitando a cidade!!!”&lt;br /&gt;Olhei para trás e o vi chegando com seu amigo Enrique. Fiz a maior festa! Corri em sua direção e dei-lhe um abraço forte. Enchi-o de perguntas! Acho que ficou até tonto de tanto que eu falei! Estava extremamente feliz porque, de certa forma, era a minha “família” que estava chegando! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBnCzwCUStI/AAAAAAAAAG8/GWz6Z-koNp0/s1600-h/Digitalizar0002.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195397839472315090" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBnCzwCUStI/AAAAAAAAAG8/GWz6Z-koNp0/s320/Digitalizar0002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;ENRIQUE E CHICO CHEGANDO EM ESTELLA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No Caminho, cada peregrino que passa acaba sendo parte de você, parte de sua história. Na vida é assim, são pessoas que passam e ficam por poucos minutos, outras ficam por mais tempo e aquelas que ficam para sempre. A diferença está na facilidade que temos no Caminho de virarmos amigos íntimos dos outros. É como se fôssemos parte de uma grande família, todos com o mesmo objetivo. Não havia motivo para discórdia, muito pelo contrário, havia motivação para a caridade, amor e união. A impressão que tive foi que, se um de nós falhasse na busca desse mundo utópico, todos os outros também falhariam. Era visível como um torcia pela vitória do outro e isso me enchia de segurança e paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantamos em um restaurante com mais dois peregrinos: Carla e Björn. Ela, uma sul-africana muito simpática e delicada. Reencontrar Björn seria a chance de descobrir o porquê da empatia mútua entre nós dois. Foi um jantar alegre! Eu, meu eterno amigo Chico e os dois peregrinos estrangeiros. Enfim, o Caminho começava a mostrar-me uma nova cara, cheia de vida e alegria! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-2581866086904654139?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/2581866086904654139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=2581866086904654139&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2581866086904654139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/2581866086904654139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/05/algo-misterioso-no-ar-5-dia.html' title='Algo misterioso no ar - 5º dia'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBm74QCUSrI/AAAAAAAAAGs/9XL95j1eHUw/s72-c/caminho0008.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8913224355542259178</id><published>2008-04-30T10:35:00.006-03:00</published><updated>2008-04-30T11:16:27.066-03:00</updated><title type='text'>Rumo ao Perdão - 4º dia</title><content type='html'>Por ter dormido muito mal, com medo dos ratos e dos roncos, acabei levantando cedo. Estava escuro e eu ainda tinha que pegar minhas roupas no varal, em um anexo do albergue. O Chico falou-me para esperar a hospitaleira acordar, pois ouvira dizer que havia um cachorro enorme naquele terreno. Mais uma vez, dominei meu medo e fui em busca de minhas roupas. Voltei carregando-as como se fossem troféus. E até hoje não sei se havia mesmo um cachorro ou se novamente meu amigo havia delirado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh4oACUSmI/AAAAAAAAAGE/3xznUcY2fnk/s1600-h/Amanhecer%20em%20Cizur%20Menor.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195034798771685986" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh4oACUSmI/AAAAAAAAAGE/3xznUcY2fnk/s320/Amanhecer%2520em%2520Cizur%2520Menor.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;AMANHECER EM CIZUR&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para meu desespero, a etapa seria mais difícil do que eu pensava. Além da forte subida ao Alto do Perdão, seriam 15 km sem fonte de água ou lugares para comer. E pelo amanhecer, o sol nos acompanharia o dia inteiro. Enchi meu cantil, tomei coragem e segui. Quase todos saíram ao mesmo tempo e caminhamos uma boa parte em grupo. Depois de alguns quilômetros, separei-me do Chico. Eu andava bem mais rápido que ele e pedi licença para seguir meu ritmo. E também queria testar a minha mais nova aquisição: meu CD player. Eu achava que era a peregrina mais “high tech” do Caminho, por estar usando um aparelhinho de som dos mais modernos, até que ouvi o toque de um celular. Pareceu-me tão fora de contexto! Imagina só: você fazendo o Caminho de Santiago, uma rota milenar, super mística e religiosa; um lugar para refletir, ver e analisar e, de repente, você acorda de seus pensamentos com aquela musiquinha chata que todo celular tem! Caminhando ao seu lado, uma pessoa atende com a maior naturalidade:&lt;br /&gt;— “Estou aqui em Cizur...É Cizur, logo saindo de Pamplona...O que eu estou fazendo aqui?...Não cara!...É que estou caminhando...é...fazendo o Caminho de Santiago...isso mesmo!...Ah, você não sabe o que é isso? Não, não é no Chile! É um Caminho na Espanha que leva ao túmulo do Apóstolo Tiago...Não sabe? Deixa pra lá...Olha, resolve esse negócio aí, vê se eles fazem um desconto...você sabe...dá uma pechinchada e seja duro!...Daqui a algumas horas eu chego em uma cidade maior e te ligo de um hotel...”&lt;br /&gt;Loucura, não? E que mal então meu toca CD’s poderia fazer? Pelo menos no meu caso, as pessoas não seriam incomodadas com algum barulho esquisito. Minto! Às vezes, eu me empolgava com as músicas que ouvia e soltava a voz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh7IQCUSoI/AAAAAAAAAGU/PfHxUNOZwnU/s1600-h/caminho0004.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195037551845722754" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh7IQCUSoI/AAAAAAAAAGU/PfHxUNOZwnU/s320/caminho0004.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;SUBIDA AO ALTO DO PERDÃO - AO FUNDO CIZUR &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A subida era forte, mas não tão íngreme como imaginei. Atravessei facilmente os pueblos em direção o monumento do Alto do Perdão. Ao chegar, parei por mais ou menos meia hora. Foi a primeira vez que chorei de emoção. Fiquei olhando o quanto havia caminhado para chegar até ali e tive a sensação da vitória, do dever cumprido. O Alto do Perdão é uma das partes mais famosas do Caminho. Existem fotos desse monumento em todos os guias do Caminho de Santiago. São vários peregrinos e seus animais de carga, esculpidos em ferro, no alto de uma montanha. De longe, parecem verdadeiros. E eu estava lá!!! Não era uma foto em um livro, era eu mesma!!! O que sentia era indescritível. Um momento único em minha vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh7IwCUSpI/AAAAAAAAAGc/rVQlMwZ_cvE/s1600-h/caminho0006.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195037560435657362" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh7IwCUSpI/AAAAAAAAAGc/rVQlMwZ_cvE/s320/caminho0006.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;ALTO DO PERDÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo curtindo a solidão, vi surgir meu amigo Chico. Estava emocionado também. Tiramos fotos e contamos nossas experiências daquelas horas que ficamos separados. Como ele sabia muito sobre cada parte do Caminho, explicou-me que aquele lugar era onde deveríamos pedir perdão, perdoar-se e perdoar. Deixaríamos todas as pendências para trás. Foi o que fiz. Ainda hoje, sinto dificuldade em perdoar-me, e cada vez que tenho que fazê-lo, penso naquele momento e aí, tudo fica mais fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descida foi a pior parte!!! Haviam muitas pedras soltas e um tombo era quase certo, se não tomássemos muito cuidado. Chico foi maravilhoso comigo. Apesar de sua dificuldade em descer a ladeira com todas as dores que sentia, emprestou-me seu cajado e acompanhou-me por todo o percurso. Em uma das cercas que passamos, encontramos, mais uma vez, uma marca deixada por nosso amigo Calixto, dizendo-nos para ter força e fé. Mais uma vez, lá estava ele! Sempre preocupado em nos deixar uma mensagem positiva!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na parte plana, paramos em mais um bar. Rimos bastante daquela nossa maneira particular de fazer o Caminho: “de bar em bar”. Sentamos um pouco do lado de fora, para sentir o calor do sol em nossos rostos. Era um dia maravilhoso de primavera e podíamos ver as flores desabrochando. Não havia uma nuvenzinha sequer no céu. Bebemos nossos refrigerantes e cafezinhos, fumei meu cigarro (eu e meu vício! Conseguiria largá-lo?) e seguimos juntos por um longo tempo. Passamos por um casal que apelidamos de “casal feiúra”. Cada vez que encontrava com eles, não podia olhar diretamente em seus olhos, que logo vinha uma vontade enorme de rir. E volta e meia, o casal passava por nós e acenava. Eu parava de andar, sentava-me no chão e dava gargalhadas! Nenhum dos dois podia imaginar o quanto era de mau gosto a nossa brincadeira. Estávamos julgando duas pessoas sem ao menos conhecê-las. No fundo, ao olhar para eles, de certa forma, eu os invejava. Senti falta de um companheiro que dividisse comigo aqueles momentos maravilhosos que eu estava vivendo. E afinal de contas, o que é a beleza? O embrulho não é a parte mais importante de um presente, por exemplo. Às vezes, até nos confunde um pouco, disfarçando um conteúdo não muito interessante. Os conceitos variam de pessoa para pessoa e acho que o mais importante é o que cada um tem de especial dentro de si. E logo eu, que muitas vezes na vida fiquei chateada porque as pessoas só olhavam o que eu tinha por fora; estava rindo de uma coisa supérflua, que é essa beleza imposta pela sociedade em que vivemos. Que dádiva de Deus eles estarem fazendo o Caminho juntos! Que presente poderem contar com o amor, o respeito, a amizade e o companheirismo um do outro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Murazabal, aborreci-me com o Chico. Eu queria continuar e ele queria parar de novo. Eu comprei umas bananas e comi de pé mesmo, para não deixar o corpo esfriar. Ele queria ficar ali mais um pouco e disse-me que daquele jeito eu não completaria o Caminho, meu joelho iria estourar, etc... Aí quem estourou fui eu!&lt;br /&gt;— “Você quer ficar? Então, tá! Eu vou seguir em frente, não estou com vontade de parar mais uma vez! Dane-se se meus joelhos não agüentarem! Eu sou forte e vou chegar até Santiago, mesmo que seja de muletas!” — gritei, sob o olhar espantado dos demais peregrinos.&lt;br /&gt;Virei as costas e saí mancando, com um cigarro na boca, mas a cabeça erguida. A cena foi hilária! Quem visse saberia que o Chico tinha toda razão do mundo em alertar-me! Mas eu era cabeça dura e não queria dar o braço a torcer. Não era por ele, mas por mim! Eu não admitia perder! Por isso fui do jeito que deu. Logo depois a dor voltou e chorei muito, mas não deixei de dar um passo sequer. Por um lado foi bom, pois havia chegado a hora da separação. Aconteceria mais cedo ou mais tarde. Eu e o Chico tínhamos Caminhos diferentes pela frente! Tentar seguir juntos seria um erro fatal e eu não estava disposta a perder um grande amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui caminhando, aos trancos e barrancos e passei como um cometa pela pequena cidade de Óbanos. Vi ao longe, a Ermita de Santa Maria de Eunate, cenário de uma importante e bonita história do Caminho. Diz a lenda que, Felícia e seu irmão Guillén, filhos de reis franceses; fizeram a peregrinação à Compostela. Ao voltarem, Felícia resolveu ficar trabalhando no Caminho como uma mera serviçal. Seu irmão continuou viagem até a corte e foi severamente advertido por seus pais, que ainda o obrigaram a buscá-la. Sua missão não foi bem sucedida, porque Felícia estava disposta a continuar seu trabalho, que já era reconhecido pelo povo local e considerado trabalho santo. No meio da discussão entre os dois, Guillén foi invadido por um sentimento de raiva incontrolável e golpeou a irmã com uma adaga, ocasionando sua morte. Arrependido, voltou a fazer o Caminho e na volta decidiu dar continuidade ao trabalho de Felícia. Ainda guardou o túmulo de sua irmã até os últimos momentos de sua vida. Tornou-se santo e seu crânio está guardado em um relicário de prata e só é retirado de lá, durante uma festa anual, onde o povo de Óbanos representa a lenda. Durante esta festa, o padre local oferece vinho aos peregrinos, não sem antes derramá-lo no crânio santo para consagrá-lo. Segundo a crença, este vinho tinha o poder de curar doenças. Eunate foi erguida no século XII pelos Templários, seguindo o desenho do templo de Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as condições físicas fossem diferentes, optaria por caminhar os dois km para visitá-la. O problema era que, para ir até lá, eu demoraria mais de uma hora caminhando e meus joelhos não agüentariam. A dor era insuportável. Eu mal conseguia caminhar. Novamente tirei forças não sei de onde e cheguei em Puente la Reina. Esta cidade é o ponto de encontro dos Caminhos Aragonês, que se inicia em Somport, e o Francês (o mais tradicional e o que eu estava percorrendo). O albergue estava fechado e havia uma reunião de peregrinos na porta decidindo o que fazer. Eu não estava disposta a pagar um hotel e não tinha condições de ir até a próxima cidade. Resolvi ficar e esperar para ver o que iria acontecer. Alguns diziam que o albergue abriria, outros, que haveria quartos extras em um hotel perto dali a preços populares. Fiquei descansando em meu colchonete até que as coisas se resolvessem. Um tempo depois, apareceu meu amigo Chico, acompanhado de um espanhol muito simpático chamado Enrique. Aproveitei para desculpar-me por ter sido tão mal educada com ele. Contei-lhes o que se passava e os dois resolveram seguir para uma pousada. Convidaram-me para seguir com eles, mas preferi esperar com os outros peregrinos. Foi uma tortura! Odeio esperar! Parece que cada minuto é uma eternidade. Comecei a ficar inquieta e voltou aquela sensação ruim de medo. Eu olhava para aquelas pessoas à minha volta e vinha à minha cabeça os mais loucos pensamentos. Quem eram aquelas pessoas? Será que eu podia confiar nelas? E que raios eu estava fazendo ali? Podia estar no Brasil dando uma voltinha no meu carro novo, fazendo algum teste para um comercial, dormindo na minha cama, saindo com os amigos, sei lá! O que me agoniava era a sensação de solidão, mesmo estando acompanhada. Resolvi levantar e sair um pouco. Ficar ali esperando, definitivamente não era a melhor solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh8UQCUSqI/AAAAAAAAAGk/vHernpbs6rI/s1600-h/caminho0007.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195038857515780770" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh8UQCUSqI/AAAAAAAAAGk/vHernpbs6rI/s320/caminho0007.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;PUENTE LA REINA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dei uma volta pela cidade para comprar um cajado e antiinflamatórios. No início, julguei ser desnecessário caminhar com um cajado, mas logo vieram as dores e percebi que sem ele não poderia prosseguir. Alguns peregrinos compram o seu cajado em lojas, ou então, de artesãos que os vendem nos povoados por onde passamos; outros, procuram o cajado no próprio Caminho, aproveitando galhos secos que estão no chão. Não entendia muito bem o porquê de tanta fantasia em torno de um simples pedaço de madeira, mas ao entrar em uma lojinha, demorei mais de meia hora para escolher o meu. O vendedor mostrou-me inúmeros cajados, de diversas formas e tamanhos, mas nunca achava algum que tivesse a minha cara (“cara de pau” – brincadeirinha...). Quando já estava quase desistindo e seguindo rumo à uma outra loja, vi um cajado pendurado no canto da vitrine. Pensei comigo mesma “Lá está ele, meu companheiro, meu porto seguro! Passei por ele e não o vi! Que distração a minha!” Precisei perder um tempo enorme procurando-o, enquanto ele estava mais perto do que eu imaginava! Era ele! Com ele, nada me impediria!!! Chegaria até Santiago!!! Comecei a tomar gosto pelo meu sonho. Visualizei cada etapa, cada pedacinho, cada obstáculo a vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos juntos, eu e meu cajado, à farmácia comprar o antiinflamatório. Já estava pronta para seguir, sem medo até Santiago! Voltei mais estimulada para o albergue e encontrei um verdadeiro “acampamento” na porta. Os peregrinos foram chegando e abrindo suas mochilas ali mesmo. Juntei-me a eles, fiz massagem no joelho e esperei até às 19:00h, quando, enfim, liberaram um quarto extra no hotel ao lado. Era a certeza de que o albergue não abriria suas portas naquele dia. Apesar de improvisado, foi um ótimo lugar para pernoitar, com todo o conforto que um hotel pode oferecer. Tínhamos banho super quente, banheiros individuais e camas boas e limpas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fui para o restaurante jantar. Um brasileiro fez-me companhia. Na mesa ao lado estava o “Trio Cometa” e mais um peregrino alemão: Björn. Não sei explicar, mas senti uma energia boa entre nós dois. Tentamos conversar um pouco, mas havia a dificuldade do idioma. Nenhum de nós falava muito bem inglês e, em algumas vezes, tivemos que apelar para a mímica. Quando acabei de jantar, chegou um pedaço enorme de pudim. Eu já não tinha mais espaço em meu estômago e deixei-o de lado. Percebi que Björn não desgrudava os olhos da minha sobremesa. Resolvi oferecê-la a ele. Ficou um pouco constrangido, mas depois aceitou o pudim e o devorou em questão de segundos. Rimos bastante de tudo aquilo, pois eu fiquei com receio de parecer mal educada em oferecer e ele ficou sem graça em aceitar o polêmico pudim. No final das contas, tudo se resolveu e ficamos muito amigos a partir daquele momento. Foi engraçado, parecia que eu já o conhecia há muito tempo! &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8913224355542259178?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8913224355542259178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8913224355542259178&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8913224355542259178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8913224355542259178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/rumoi-ao-perdo-4-dia.html' title='Rumo ao Perdão - 4º dia'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBh4oACUSmI/AAAAAAAAAGE/3xznUcY2fnk/s72-c/Amanhecer%2520em%2520Cizur%2520Menor.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-3204328912908733716</id><published>2008-04-29T00:42:00.005-03:00</published><updated>2008-04-29T00:55:46.395-03:00</updated><title type='text'>TOUROS, RATOS E DEVANEIOS - 3º DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordamos decididos a fazer algo por nossos corpos. Eu comprei uma tornozeleira e o Chico “pegou emprestado” algumas pomadas que estavam largadas no albergue. Nos dois dias de Caminho, devido à dor no dedão, apoiei meu pé de forma errada ao caminhar e aí, a dor resolveu mudar de lugar e foi parar no tornozelo. O Chico estava todo dolorido, cada hora uma dor diferente, em um lugar diferente, mas nenhuma tão intensa quanto a minha. Voltamos para tomar café no albergue e encontramos o mesmo padre que havia nos recebido. Disse para deixarmos de ser preguiçosos e fazermos o possível para andar mais do que no dia anterior. Saímos rindo daquela “gafe”. Éramos os peregrinos mais descansados do Caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não contava que fosse ficar tão impaciente com o Chico a partir daquele dia. Não que ele fosse chato ou inconveniente, mas porque eu já estava em outro estado de espírito. Cada um de nós tinha uma prioridade. Eu queria parar em uma loja para comprar um cd player (levei vários cds do Brasil escolhidos a dedo) e ele queria tomar seu café com leite. Acabei cedendo e fomos comer. Teria que tomar uma decisão rápida. Não podia mais aceitar depender de uma outra pessoa para fazer as coisas. Afinal de contas, eu escolhi fazer o Caminho sozinha! Havia deixado tudo e todos no Brasil, justamente para conhecer a mim mesma. Estava deixando de fazer minhas coisas por alguém e no final eu é que estava infeliz. Foi ali que percebi o quanto estava sendo dependente do Chico e ele de mim. Precisávamos nos separar, mas ainda não tinha coragem de deixar meu amigo e seguir sem ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBab0wCUSlI/AAAAAAAAAF8/3VHPM1usWVs/s1600-h/0009.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194510550768568914" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBab0wCUSlI/AAAAAAAAAF8/3VHPM1usWVs/s320/0009.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muralhas rodeavam Pamplona. Para entrarmos na cidade, tivemos que contorná-las, como se tivéssemos seguindo as paredes de um labirinto. Eram incrivelmente altas e belas! Uma das coisas mais lindas que já vi. Logo depois, subimos uma ladeira de pedras, não muito íngreme, cruzamos uma espécie de portal e entramos em Pamplona. Paramos um pouco para admirar a paisagem lá de cima e um senhor veio em nossa direção. Conversamos um pouco. Aquelas perguntas de praxe “De onde vocês são? Onde começaram o Caminho?”... Ouvíamos isso em todos os lugares por onde passávamos. Perguntamos onde ficava a catedral e o senhor fez questão de nos acompanhar. Mostrou-nos a igreja, os museus, os palácios do governo local. Contou-nos que naquelas ruas o povo faz corridas de touros em maio. A manada corre atrás de um bando de malucos dispostos a fugir dos ferozes animais! Fiquei imaginando como seria fugir de um touro arisco e nada simpático por aquelas ruelas e, ainda por cima, com uma mochila nas costas. Ainda bem que estávamos em abril!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente Pamplona é uma cidade incrivelmente bela. Em volta da Plaza del Castillo, a principal da cidade, vários “cafés” onde as pessoas jogavam conversa fora ou simplesmente sentavam-se tranqüilamente para ler um jornal. Era tudo muito colorido, apesar do tempo nublado. Talvez fossem meus olhos que simpatizavam com aquele lugar, pois as árvores que rodeavam a praça estavam todas desfolhadas e com uma cor acinzentada. Eu já via magia e beleza em tudo! Todos muitos bem arrumados, com seus sobretudos e casacos de pele e, apesar de todo o frio, era quase impossível não encontrar alguém com um sorvete nas mãos. Tive a sorte de encontrar meu doce favorito: Gofres. É uma espécie de waffle, um pouco mais adocicado e crocante que o nosso, coberto com uma generosa porção de chantilly e calda de chocolate quente. Um manjar dos deuses!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi licença ao meu amigo Chico e fui em busca de um novo companheiro de Caminho: um tênis! Tinha cismado com as botas e precisava de um calçado mais maleável. Havia muitas lojas ali perto e não foi muito difícil encontrá-lo. Mais uma vez tive sorte, porque depois de encontrar meu doce favorito, encontrei o calçado perfeito a um preço bem mais acessível. Consegui livrar-me de mais um problema e estava feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos enviar coisas para Santiago em nosso próprio nome e pegá-las na agência central dos correios no local de destino. Tinha que arranjar uma caixa onde pudesse colocar minhas botas e enviá-las para Santiago. Achei que estava bem familiarizada com a língua local e tentei, inúmeras vezes, comprar a bendita caixa. Tudo em vão! Então, pensei em pedir ajuda ao senhor que nos acompanhou pelas ruas da cidade quando chegamos. Consegui encontrá-lo no mesmo lugar, parado, talvez à espera de outros peregrinos. É claro que não encontraria mais ninguém, pois pelo jeito eu e o Chico éramos os últimos a passar por ali naquele dia. Imagina se a dupla mais boêmia e preguiçosa deixaria a “lanterna” para outros andarilhos! Pedi que me acompanhasse e ajudou-me com prazer a despachar as botas para Santiago e não deixou-me pagar a conta da papelaria, onde comprei a pequena caixa. Até hoje não sei seu nome, mas no fundo do coração eu o agradeço por sua amabilidade. Só faltava o meu cd player! Era impossível imaginar-me mais um dia sem minha “trilha sonora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei à praça para encontrar o Chico e partirmos rumo à Cizur Menor, que é na outra extremidade de Pamplona. Passamos pelo campus da Universidade de Navarra, onde as pessoas se exercitavam e passeavam com seus filhos. Num desses lugares, vimos três peregrinos de cabelos brancos. Aqueles que julgávamos ser mais frágeis por serem mais velhos, eram justamente os que caminhavam mais rapidamente, nos fazendo comer poeira!!! Aquele trio nos acompanharia durante alguns dias. Foi o maior exemplo de força e determinação que tive no Caminho. Eram de uma solidariedade singular e super amorosos! Fico emocionada só de lembrá-los! Por não saber seus nomes, apelidei-os de “Trio Cometa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase chegando a Cizur, muitos peregrinos iam juntando-se à nossa marcha. A maioria deles era de algum lugar da Europa e estava começando o Caminho ali em Pamplona. O grupo foi crescendo e minha preocupação também. Durante a primeira semana, quase não curti o Caminho, com medo de não ter lugar para dormir nos albergues. Isso foi estragando a minha viagem, porque eu andava no ritmo das outras pessoas. Desde então, a dor no tornozelo passou para os dois joelhos com uma intensidade tão grande, que quase me impediu de continuar. Não imaginava ter tanta força para transpor aqueles obstáculos tão duros e que eu própria havia criado. Percebi que na vida, a maior parte de nossos problemas são criados por nós mesmos. Uma bela lição, mas difícil de ser seguida no nosso dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegarmos no albergue, Chico, eu e uma peregrina escocesa, ocupamos as três últimas vagas existentes. O que me corroeu foi ver o “Trio Cometa” bater de cara na porta. Talvez por nossa culpa, talvez não. Aprendi então outra lição, um pouco cruel, é verdade, mas é a lei da vida, a lei do mais forte, do mais rápido. Mesmo assim, não me senti bem com todo o esforço que fiz para garantir uma vaga em um albergue. Será que valeu a pena ter corrido tanto? Meu corpo disse-me que não. E minha consciência concordou. Não era só o fato de três peregrinos terem ficado sem lugar para dormir, mas também o fato de não ter a mínima importância um lugar para dormir, se comparado a tudo que deixei passar em branco durante o percurso. Eu poderia ter seguido para um hotel ou até ter dormido no jardim do albergue. Foi ali que percebi o que geralmente buscava, erradamente, a vida inteira: chegar na frente, ser a melhor, ser perfeita. Ganhei a “corrida” daquele dia. Em compensação, meu dia poderia ter sido mais alegre e sem dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O albergue era particular e a hospitaleira um pouco rude. Bem diferente do espírito do Caminho de Santiago. Senti-me em um hotel, pagando caro e recebendo as chaves de meu quarto, se é que posso chamar aquilo de quarto! Mesmo assim, encontrei algo que valia a pena: um belo jardim, onde pude descansar, sentindo o sol em meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da tarde, depois de lavar as roupas do dia, resolvi voltar à cidade para comprar o meu CD player. Andei quase 5 km e a dor era insuportável. Valeu a pena! De quebra, achei uma lojinha com internet e escrevi para os meus amigos no Brasil. Voltei mancando muito, mas toda feliz porque, enfim, estava ouvindo minhas músicas. De certa forma, elas distraíam minha cabeça e eu acabava esquecendo as dores nos joelhos. Cheguei ao albergue com um sorrisão no rosto. Não encontrei ninguém. Todos os peregrinos já haviam saído para jantar. Segui então para o restaurante, na esperança de encontrá-los. Por sorte, só havia um lugar para comer ali perto e jantei com meu amigo Chico e um casal de argentinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devidamente alimentados, voltamos para o albergue e fomos dormir, pois o dia seguinte seria muito duro, com uma subida forte ao Alto do Perdão. Nossa noite foi pavorosa!!! Difícil saber quem roncava mais naquele pequeno quarto. No meio da madrugada, deu-me vontade de ir ao banheiro e o Chico quase me matou de susto, dizendo que havia um rato circulando pelo chão. A vontade foi mais forte que o medo, e nada me aconteceu. Até hoje, eu não sei ao certo, se realmente havia um rato no quarto, ou se foi um devaneio do meu amigo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBab0gCUSkI/AAAAAAAAAF0/KIasEYYNruc/s1600-h/0008.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194510546473601602" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBab0gCUSkI/AAAAAAAAAF0/KIasEYYNruc/s320/0008.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBaacQCUSiI/AAAAAAAAAFk/qJTqRirWVcQ/s1600-h/0008.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBaacQCUSjI/AAAAAAAAAFs/WjDUOOAfL8s/s1600-h/0009.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-3204328912908733716?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/3204328912908733716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=3204328912908733716&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3204328912908733716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3204328912908733716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/acordamos-decididos-fazer-algo-por.html' title='TOUROS, RATOS E DEVANEIOS - 3º DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBab0wCUSlI/AAAAAAAAAF8/3VHPM1usWVs/s72-c/0009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-876002750217189022</id><published>2008-04-28T12:59:00.003-03:00</published><updated>2008-04-29T00:39:12.304-03:00</updated><title type='text'>Poucos km, muito tempo - o segundo dia.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A chuva nos esperava impacientemente naquele dia. Não sei o que foi pior: chuva no primeiro dia, para irmos nos acostumando, finíssima, preparada para nos dar um banho daqueles! Visibilidade zero! Temperatura, a meu ver, também! Antes de sair do albergue, deixei algumas coisas de lado, pois , ou no dia seguinte, com os músculos doendo e cansados pra chuchu! Ela estava lá, imponente minha mochila estava muita pesada. Imagem vocês que a louca aqui levou ao Caminho um guia que tinha ganhado de presente! Pois é, ainda bem que tinha discernimento para escolher o que era dispensável logo no segundo dia! Além do guia, ficaram também, o xampu, o creme hidratante e um moletom. Depois do pequeno desapego era hora de seguir em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico e eu, os “lanterninhas solitários do Caminho”, paramos em uma padaria maravilhosa (para variar!!!) e tomei um dos cafés da manhã mais saborosos de toda a minha vida! Café com leite acompanhado de um croissant generosamente recheado de chocolate. Um não! Dois, porque eu não sou boba!!! Assim, devidamente alimentados, voltamos para nossa “rotina”. À medida que íamos caminhando, víamos o quanto seria mesmo impossível ter seguido até Larrasoaña na tarde anterior. Demos graças a Deus por termos dormido em Zubiri! Com a chuva, a dificuldade aumentava. Meus pés afundavam na lama, escorregavam a toda hora. Ainda tinha que equilibrar o corpo para não rolar uma ribanceira e cair dentro do rio. E havia também o “põe e tira capa de chuva” constantemente. Seria um passeio maravilhoso sem dúvida, e sem chuva, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos a Larrasoaña...bar aberto...parada na certa!!! O senhor que nos atendeu conversou muito conosco sobre o Brasil. Disse-nos ser Zangalo, primo de uma “cantante brasileira de Bahia”. Nada mais, nada menos que Ivete Sangalo (Aí Ivete: tens um primo no Caminho e aposto que você não sabia! Ou sabia?). Dessa vez não era o famoso Paulo Coelho o assunto da conversa. O homem era tão gentil e amoroso, que perdemos a noção do tempo (o que já era comum para nós) e ficamos enrolando, curtindo a preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo em frente, minutos depois, lembrei-me das rodovias de São Paulo, ao deparar com uma imensa área de descanso na beira da estrada. Algumas mesinhas e cadeiras, churrasqueira e até banheiro! Perfeito! A única diferença é que, aparentemente, na Espanha é seguro parar ali, já no Brasil... Vi alguns motoristas chegando com seus lanches e parando para comer. O café da manhã já estava fazendo efeito e deu-me uma dor de barriga daquelas! Não sou muito fã dos banheiros públicos, mas tive que apelar. Fiz todo aquele ritual: forrar bem o vaso com papel higiênico, sentar-me confortavelmente, acender um cigarrinho (que ajuda bastante!!!) e se tivesse um gibi, teria sido perfeito. Na falta de algo interessante para ler, concentrei-me nas mensagens deixadas na porta do banheiro e acabei encontrando uma assinatura do Calixto. Comecei a gritar como uma louca lá de dentro. O Chico foi correndo, apavorado, achando que eu estava em apuros. E eu, sentada no “trono”, dizia para o Chico:&lt;br /&gt;- “Caramba, você não imagina o que eu estou vendo aqui dentro! Estou diante da assinatura do Calixto!&lt;br /&gt;Coisa mais doida para se fazer em um lugar tão místico... Sentar-se na privada e ficar de conversa fiada com uma pessoa do lado de fora do banheiro, sobre a simples assinatura de um outro peregrino. Era intimidade demais para poucos dias de convivência. Só faltava abrir a porta para que ele entrasse e visse os rabiscos com os próprios olhos, enquanto eu fazia um “descarrego”. Como diz uma amiga minha: “A intimidade é um caminho sem volta”! Voltando à assinatura: fiquei feliz em saber que Calixto estava bem. Ele havia sofrido uma cirurgia nos dois joelhos, pouco antes de ir ao Caminho. Ainda devia estar em fase de recuperação. Achei que ele estava cometendo uma loucura, mas cada um sabe de si. Não podia julgá-lo, mesmo porque, eu também não estava em plena forma física, era fumante e estava lá no Caminho firme e forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBX1xwCUSgI/AAAAAAAAAFU/8W-CH4mPnSk/s1600-h/Digitalizar0006.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194327980298750466" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBX1xwCUSgI/AAAAAAAAAFU/8W-CH4mPnSk/s320/Digitalizar0006.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ponte na entrada de Trinidad de Arre&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos à Trinidad de Arre, uma extensão da cidade de Pamplona (aquela do aeroporto cheio de executivos onde desembarcamos), não resistimos aos apelos daquele simpático albergue junto à ponte. Resolvemos bater na porta e entrar para dar uma olhadinha. Um padre apareceu e nos disse que o albergue ainda estava fechado, só abriria em 15 minutos. Esperamos um pouco ali por perto e voltamos. O mesmo padre nos recebeu. Perguntou de onde tínhamos vindo e ao responder que havíamos passado a noite anterior em Zubiri, (que ficava a apenas 16km dali) deu boas risadas e até nos chamou de preguiçosos! Disfarçamos um pouco, dizendo que íamos só descansar um pouquinho, mas acho que o padre não acreditou na gente. O conforto do albergue não nos deixou dúvidas, era tudo muito acolhedor e super equipado! Máquina disso, máquina daquilo, água quente à vontade...&lt;br /&gt;...Altamente tentador! Resolvemos ficar, é claro! Voltamos para a recepção e o padre riu de novo, já desconfiando que iríamos pedir para ficar. Que vexame! Pelo andar da carruagem, levaríamos mais de um ano para chegar a Santiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez estávamos a sós. Conseguimos lavar as roupas cheias de barro, descansar, tomar chá, café, salgadinhos, curtir um banho bem quente e demorado, com direito a canções debaixo do chuveiro; tudo sem sair do albergue. Para completar a noite de regalias, resolvemos jantar dignamente em um restaurante. Exageramos um pouco na comida. A fartura era tanta que voltei para o albergue em “slow motion”. O peso da mochila era fichinha! O Chico deu muitas risadas quando eu disse que havia trocado a mochila pela “panchete”, mistura de pança com pochete. Estava feliz em ter encontrado um amigo especial como ele! Estávamos compartilhando tudo: os medos, a companhia, a alegria, os sonhos e a esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos sentados na sala de estar, conversando sobre os dois dias de Caminho, o que buscávamos e os motivos que nos levaram a estar ali. Foi quando parei para ler as mensagens no caderno do albergue (quase todos os albergues têm um livro de mensagens). Gosto muito de ler essas coisas! Em casa, costumo ler cartas antigas de amigos e elas me fazem viajar no tempo e, em muitas vezes, enxergar melhor a vida. Esse caderno me fez ver que aquele sofrimento não era só meu e, apesar de toda e qualquer dificuldade, estar no Caminho era um grande prazer. Cada um que passava por ali contava o seu dia, seus sentimentos, deixava um alô para os amigos do mesmo país, desenhavam algo ou agradeciam a Deus e a Santiago por tudo.&lt;br /&gt;Neste mesmo caderno li uma mensagem que dizia: “Não podemos evitar a dor, mas podemos ter uma atitude diferente perante ela.” É verdade! Podemos deixar que ela nos derrube ou simplesmente podemos ignorá-la e seguir adiante. E a vida é assim mesmo. Os problemas sempre estarão presentes, só nos resta mudar a maneira de encará-los. Para mim, era importantíssimo refletir sobre essa questão, pois sou a rainha da ansiedade. Meus problemas ficam muito maiores do que realmente são e acabo sendo a pessoa mais chata do mundo. Meu amigo Chico que o diga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da leitura, fomos dormir. Foi uma noite agradável e de muitos sonhos. Os pesadelos haviam me deixado em paz. Já não existia mais medo e sentia-me segura ao lado do Chico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBX1yQCUShI/AAAAAAAAAFc/mFO3Wkz7pBM/s1600-h/Digitalizar0007.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194327988888685074" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBX1yQCUShI/AAAAAAAAAFc/mFO3Wkz7pBM/s320/Digitalizar0007.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Trinidad de Arre&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-876002750217189022?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/876002750217189022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=876002750217189022&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/876002750217189022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/876002750217189022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/poucos-km-muito-tempo-o-segundo-dia.html' title='Poucos km, muito tempo - o segundo dia.'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBX1xwCUSgI/AAAAAAAAAFU/8W-CH4mPnSk/s72-c/Digitalizar0006.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-3525080905993728423</id><published>2008-04-27T01:08:00.003-03:00</published><updated>2008-04-27T01:18:55.210-03:00</updated><title type='text'>DE BAR EM BAR - O PRIMEIRO DIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não demorou muito até que Chico e Calixto aparecessem para o café. Chico e eu combinamos desayunar&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; tranqüilamente adiando, talvez, a hora do confronto. Calixto resolveu partir na frente, pois queria começar o Caminho sozinho. Antes, deixou-me seu maço de cigarros, dizendo que dali para frente não fumaria mais. Mesmo assim, resolvi guardá-lo em minha mochila, caso houvesse uma recaída da parte dele. Despediu-se de nós e caiu na estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muito enrolar naquela mesa de café da manhã, Chico e eu tomamos coragem, ajustamos nossas mochilas e partimos. Minhas previsões estavam certas, realmente fomos presenteados com um dia de muito sol e com isso a paisagem mostrava-se bem mais bonita que no dia anterior. Passamos por cavalo branco “estacionado” em frente à outra pousada. Parecia o cavalo de um príncipe! Achei que pertencia a um homem do povoado, mas depois descobri que era de um peregrino. Ele estava fazendo o Caminho com seu cavalo, que já era bem velho, e essa talvez fosse a última viagem do fiel animal. Sem dúvida, uma despedida especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ovelhinhas no pasto, árvores cheias de galhos secos e a névoa do amanhecer me faziam lembrar do filme “As brumas de Avalon”. Por um momento esqueci de que estava ali para caminhar e enfrentar uma etapa difícil, com longos trechos e subidas fortes. Fomos avançando floresta adentro, respirando o ar puro e gelado das montanhas Navarras. Eu estava acostumada com o clima tropical do Rio de Janeiro e aquele ar gelado fazia arder minhas narinas. Apesar de bem agasalhada, ao respirar, meu corpo todo parecia congelar e o frio corroía os ossos. Mesmo assim, estava feliz! Caminhamos por entre árvores enormes, que jogavam sobre nós suas folhas secas, tal qual uma chuva de confetes, como se estivessem nos saudando por estar entre elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Íamos encontrando, ao longo do Caminho, pequenas cercas que dividiam as fazendas da região. Lembrei da minha infância, quando ia com meus pais visitar meus avós na fazenda. A todo momento, tínhamos que descer do carro e abrir as porteiras da estradinha de terra para chegar em sua casa. Foi meu primeiro momento de nostalgia! Ao passar por uma delas, vi que muitos peregrinos haviam cravado seus nomes na madeira. Eram tantos rabiscos, alguns mais recentes, outros mais apagados, que não vi problema em acrescentar mais uma assinatura! Não poderia deixar de colocar minha marca! Era a forma de dizer para meus avós que lembrei dos dois. E de onde eles estivessem, no “Céu”, na “Terra do Verão”, no “Paraíso”, ou em outra “Dimensão”, estariam compartilhando aquelas memórias comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhamos até Zubiri. Fiquei fascinada com os pueblos que íamos passando. Já os tínhamos visto, quando fomos de táxi para Roncesvalles, mas entrar em um pueblo antigo foi uma experiência incrível! Caminhando, podíamos ver todos os detalhes, falar com as pessoas, sentir o perfume das flores e absorver a energia do lugar. O presente misturava-se ao passado. Nós representávamos o presente. Buscávamos a renovação da alma, no mesmo chão que os Celtas, os Templários, Carlos Magno e os seguidores de Santiago Apóstolo um dia pisaram. E isso era mágico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro pueblo por onde passamos, chamava-se Burguete. Foi o mais bonito que vi naquele dia. Suas ruas eram estreitas e suas calçadas, pequeninas. Mal dava para andar com minha enorme mochila. Tudo muito organizado e limpo. Ao passar pela igreja local, encontramos dois peregrinos lanchando: Harrison e Paco. Um brasileiro e um Mexicano. Acenamos para eles, conversamos um pouco e fomos adiante. O segundo pueblo chamava-se Espinal. Não era tão bonito como o primeiro, mas também tinha seu encanto. Fizemos então, nossa primeira parada em um bar. Tive uma vontade enorme de beber um refrigerante e fumar um cigarro. Pelo visto o Caminho não resolveria vício, e eu ainda não percebia que a solução estava dentro de mim mesma. O Chico ficou no seu café com leite. Toda vez que parávamos era assim: eu e meus vícios e Chico e seus cafés com leite. Até brinquei com ele que deveríamos escrever um livro chamado “Guia do Caminho de Santiago de bar em bar”. Seria engraçado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar mais credibilidade ao “futuro livro”, teríamos que parar em todos os bares do Caminho. Foi exatamente o que fizemos no pueblo seguinte, Viscarret. Paramos em um bar e matamos a fome com um bocadillo&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Foi uma longa parada. Até então, não imaginávamos que as paradas deveriam ser breves, para que nossos músculos não esfriassem. Ao levantar da cadeira, quase caí. As pernas estavam bambas e doloridas. Não agüentava mais caminhar! E ainda nem tínhamos chegado na metade da etapa prevista para aquele dia. O pouco que andamos, pareceu-me uma eternidade. Foi a primeira vez que me perguntei o motivo de estar ali. Estava experimentando o mesmo sofrimento dos peregrinos que vi na tv, mas ainda não havia encontrado a minha fé, por isso o Caminho não era tão mágico quanto eu esperava. Queria a fantasia e o que encontrei foi uma grande dose de esforço físico, dores e o peso da mochila em minhas costas. Nada que justificasse ter atravessado o oceano. Espantei os maus pensamentos e segui buscando a magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando para o campo, uma música nos fez parar. Olhamos em volta e não víamos ninguém. De onde viria a música? Seria um ermitão, um peregrino? Que instrumento teria aquele som tão gostoso? Acabamos descobrindo mais à frente. Eram apenas indefesas ovelhinhas no pasto, com sininhos no pescoço para afugentar os lobos. Já estávamos imaginando poder ser um homem, descrente na vida e desiludido no amor que havia abandonando sua casa e família e havia se isolado na floresta, tocando seu instrumento, símbolo de seu lamento; ou talvez, um ser de outra dimensão, um elfo ou uma fada. Não era nada disso! Tão simples! Nós é que buscávamos o lado encantado em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco antes da subida ao Alto de Erro, minha dor no dedão voltou (a mesma que senti no treinamento no Rio). Não acreditei que meu sonho estava ameaçado! Logo no primeiro dia? Fiquei arrependida de não ter investido em outra bota, mas já era tarde. Eu estava no Caminho e teria que resolver o problema de qualquer maneira e continuar a jornada. Felizmente, tive a louca idéia de colocar um protetor de calo no local da dor. Deu certo! É claro que ainda doía muito, mas dava para suportar. Logo depois, tive que enfrentar uma forte subida. Achei que não agüentaria chegar até Larrasoaña. Tirei forças não sei de onde, não sei como, mas o resultado foi que consegui enfrentar os obstáculos daquele dia. Experimentei pela primeira vez a tal fé inabalável que um dia inspirou-me a buscar aquela aventura. Essa era a verdadeira mágica do Caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos ao Alto do Erro, encontramos uma casa abandonada. Era da época medieval. Defronte a casa, havia uma espécie de platô, de onde se via toda a cadeia de montanhas por onde passa o Caminho. Na falta de bares, tivemos que abrir uma exceção e descansar em um lugar alternativo. Paramos ali mesmo e deitados na grama e comemos o que restou dos lanches anteriores. De repente, o Chico ficou paralisado e gritou de dor. Marinheiro de primeira viagem, teve sua primeira câimbra. Por sorte eu estava ali para socorrê-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estiquei sua perna e depois massageei com uma pomada relaxante. Ficamos deitados ali durante muito tempo, olhando para o céu, calados, mergulhados em nossos pensamentos. Fiquei viajando, olhando as nuvens encobrindo o céu azul, imaginando mil formas para elas. Ficamos tanto tempo ali que não sentimos as horas passarem. Os músculos esfriaram e, conseqüentemente, senti novamente a dor no dedão do pé. Nesses momentos de dor e cansaço, vinha-me novamente a “famosa pergunta que não queria calar”: o que eu estava fazendo ali? Ainda era o primeiro dia. Seria assim durante todos os outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um súbito mau humor tomou conta de mim. Àquela altura do campeonato, eu já não agüentava mais ouvir o Chico, sempre cansado, andando devagar. Era um grande companheiro, uma pessoa maravilhosa. Raro encontrar amigo tão fiel quanto ele! Só que eu queria chegar, andar rápido e acabar com aquele tormento em que havia se transformado aquele dia. E o Chico foi vítima da minha impaciência. Apertei um pouco o passo, forçando-o a acompanhar-me. Para piorar um pouco, a chuva, que antes era só uma ameaça, começou a cair sobre nós. A minha inexperiência com a capa de chuva fez com que eu ficasse totalmente ensopada e aí mesmo é que eu queria descarregar todo meu mau humor no primeiro que cruzasse minha frente. E quem seria? Meu amigo Chico...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançamos calados por um bom tempo. Já havíamos andado na chuva, no barro, subindo, descendo e nem sinal de Zubiri, muito menos de Larrasoaña. Ouvimos vozes de crianças ao longe e de repente as dores, o mau humor e as dificuldades sumiram. Era a certeza de que estávamos, enfim, chegando a algum lugar habitado. O Chico fez uma observação feliz: se as crianças estavam ali para nos recepcionar, era sinal de boa sorte. E ele estava certo! Elas nos acompanharam até a entrada da cidade, guiando-nos até o albergue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zubiri não era exatamente o lugar que eu sonhava para passar minha segunda noite, mas estava muito cansada para continuar e a chuva continuava com força total. Resolvemos ficar. O prédio onde estava o refúgio ficava junto à uma escola. Dentro, havia uns beliches velhos e bem sujos, uma mesa enorme e alguns objetos deixados por outros peregrinos. O banheiro ficava do lado de fora do quarto e não tinha cortina nos boxes. A água quente seria ligada naquela hora. Um verdadeiro pesadelo! Nos meus sonhos tudo era tão bonito e fácil... A única coisa boa foi que só estávamos eu e o Chico. Teríamos um pouco mais privacidade para tomar um longo banho quente e lavar as roupas. Depois disso, era alongar um pouco o corpo e cama! Mas e a fome? Ah não! Levantar e andar 1 km até o restaurante? A única solução...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos um tempão olhando o dicionário que eu havia levado, tentando descobrir o que iríamos escolher para jantar. Depois, ficamos conversando sobre as pessoas do Caminho e do meu mau humor. Dei boas risadas com o Chico. Ficamos observando os homens jogando cartas e fumando muito, todos muito escandalosos e agitados. Depois rimos de nós mesmos ao lembrar que estávamos sozinhos naquele albergue, pois éramos os mais lentos de todos os peregrinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos do restaurante e voltamos para o albergue quase rastejando. Passos de formiguinha! Acho que demoramos mais tempo para ir do restaurante ao albergue, do que de Roncesvalles até Zubiri! O peso da mochila ainda parecia estar nas minhas costas. Os músculos teimavam em obedecer ao meu cérebro. No final das contas, apesar de moída, era a pessoa mais feliz do mundo! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Desayuno – café da manhã. Desayunar – tomar café da manhã.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Bocadillo – sanduíche.&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBP9kgCUSfI/AAAAAAAAAFM/fgy5_Iqluu4/s1600-h/Digitalizar0005.bmp"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193773598805084658" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBP9kgCUSfI/AAAAAAAAAFM/fgy5_Iqluu4/s320/Digitalizar0005.bmp" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; EU E MINHA CAPA DE CHUVA NA ENTRADA DE ZUBIRI&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBP9kQCUSeI/AAAAAAAAAFE/RV6jCloHSNk/s1600-h/Digitalizar0004.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193773594510117346" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBP9kQCUSeI/AAAAAAAAAFE/RV6jCloHSNk/s320/Digitalizar0004.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; MEU GRANDE AMIGO E COMPANHEIRO CHICO E EU.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-3525080905993728423?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/3525080905993728423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=3525080905993728423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3525080905993728423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3525080905993728423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/de-bar-em-bar-o-primeiro-dia.html' title='DE BAR EM BAR - O PRIMEIRO DIA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBP9kgCUSfI/AAAAAAAAAFM/fgy5_Iqluu4/s72-c/Digitalizar0005.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-3984457306157058873</id><published>2008-04-25T14:26:00.001-03:00</published><updated>2008-04-26T10:11:33.622-03:00</updated><title type='text'>PONTO DE PARTIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dormi como um anjo no vôo até Pamplona. Não havia ninguém ao meu lado para deixar a mão boba escorregar por entre minhas pernas. Estava tão cansada que nem percebi o avião aterrissar. Pegamos nossas mochilas e fomos para o ponto de táxi. Estava um dia maravilhoso! Muito sol e um friozinho delicioso. Como eu adoro dias frios ensolarados! Perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos que esperar bastante por um táxi em uma fila enorme. Foi uma estranha sensação. Senti-me na ponte aérea Rio – São Paulo. Os homens de terno e gravata e suas malas de James Bond, as mulheres arrumadíssimas em seus saltos “agulha” e todos, sem exceção, muito apressados! E nós três, Chico, Calixto e eu, de mochila nas costas, cara amassada, remela nos olhos e totalmente tranqüilos. Eu, particularmente, já tinha adotado a idéia de abandonar a vaidade. Já tinha passado a vida inteira me preocupando com a aparência e, a partir do momento em que embarquei para o Caminho, levei essa história muito a sério, a ponto de desembarcar com os cabelos em pé e assustar quem estava à minha volta. Enfim, destoávamos das pessoas. Todos nos olhavam espantados, como se fôssemos seres de outro planeta. E aos olhos deles, deveríamos ser mesmo! Fazer o quê? Não tínhamos horários para cumprir ou problemas para serem resolvidos. Nosso negócio era pensar na vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O táxi passou por alguns povoados (em espanhol: pueblos) do Caminho. No dia seguinte, atravessaríamos aquelas ruas. Fiquei calada quase toda a viagem, imaginando cada cantinho daquelas cidadelas, sentindo-me na idade média. Viajei no tempo, sonhando com os vestidos, os cavalos, as tabernas repletas de mulheres da vida e homens bêbados. Enquanto isso, o Calixto perguntava tudo ao motorista. Como era o Caminho, como eram as pessoas, quantas horas de caminhada de um povoado ao outro, se o taxista já havia feito o Caminho, se tinham muitos peregrinos nessa época, etc... E é claro que escutamos a mais famosa pergunta feita a nós brasileiros: “Brasil! Paulo Coelho...Vocês conhecem o Paulo Coelho?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os espanhóis deviam ter a idéia de que o Brasil era uma pequena vila, ou algo parecido, porque ao dizer que conhecíamos o Paulo Coelho (claro! E quem nunca ouviu falar nele?), todos achavam que ele era nosso amigo mais íntimo! E quando eu não queria estender a conversa, dizia que não conhecia o Paulo Coelho. De nada adiantava. Olhavam-me com reprovação dizendo: “Não conheces o Paulo Coelho? O escritor, o peregrino?” Diante de uma resposta negativa, acabavam contando-me tudo sobre ele. No final das contas, ainda hoje, não sei qual seria a melhor coisa para se dizer diante de tal pergunta. De uma forma ou de outra, Paulo Coelho, Ronaldo, Guga ou qualquer outro brasileiro ilustre, era sempre um pretexto para um longo bate-papo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem de carro do aeroporto até nosso ponto de partida, eu ainda tinha dúvida de onde começaria o meu Caminho. Chico e Calixto tinham decidido começar de Roncesvalles. Havia boatos de que nevaria na próxima noite. Por insegurança, resolvi continuar grudada nos dois e não seguir até Saint Jean para enfrentar os Pireneus&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; sozinha. Este foi o primeiro dos erros que cometi. Ainda voltaria a cometê-los muitas vezes durante o Caminho. Um dia eu aprenderia a ter coragem de tomar minhas decisões sem depender de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegarmos em Roncesvalles, não acreditei no que vi! Senti-me um pouco decepcionada, esperava ao menos uma cidadezinha um pouco mais animada. Era apenas um simples povoado, com uma igreja, um edifício baixo com alguns apartamentos, onde era também o albergue, uma lojinha e duas pequenas pousadas. Íamos passar o dia sem ter o que fazer e sem disposição o bastante para iniciar o Caminho! Foi um verdadeiro desafio controlar a ansiedade e o pânico que tomaram conta de mim. Circulei pela cidadezinha várias vezes, tomei inúmeros cafés e o tempo não passava. O albergue só abria às 15:00h. A pousada só tinha quartos após às 12:00h, e ainda tinha a famosa siesta&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;! Um horror! Acho que foi o dia mais longo da minha vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando soou o sino da pequena igreja, anunciando que já era meio-dia, fomos para a pousada. Muito a contragosto, pois eu não queria dormir em hotéis durante o Caminho. Em primeiro lugar, porque o espírito do Caminho era dormir nos albergues; em segundo lugar, porque não queria gastar meu dinheiro. Pão duro é pão duro em qualquer lugar do mundo! O Calixto ofereceu-se para pagar minha diária. Não quis aceitar, mas eles me fizeram uma proposta irrecusável: ele e o Chico dividiriam um quarto e eu ficaria em outro. O total dos dois quartos seria rachado entre nós três. Pareceu-me injusto, mas os dois insistiram e eu aceitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que teria um tempo para descansar. Enganei-me! O que aconteceu comigo, deixou-me completamente pasma! Uma sensação muito ruim tomou conta de mim. Meu corpo não respondia aos meus comandos. Acho que fiquei tão ansiosa com tudo, que entrei em pânico. Meu coração disparou, meus olhos ficaram arregalados, um nó apertava a garganta, tinha vontade de sair e voltar para casa, mas não conseguia me mexer. Foram poucos minutos que mais pareceram uma eternidade. A cabeça girava, girava e meu corpo ali, imóvel. Imagino que seja assim quando uma pessoa fica em estado de choque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reuni forças e fui tomar um banho. Estava tonta e não conseguia manter-me de pé. Quase desmaiei. Sentei-me no chão do box, deixei a água bater suavemente em meu corpo e aos poucos fui “acordando”. Depois, deitei um pouco e as lágrimas desceram sem que eu tivesse um motivo concreto para chorar. Fiquei pensando o que estaria me fazendo ficar naquele estado. Meu sonho sendo realizado e eu não conseguia estar feliz! Parecia uma força maligna impedindo-me de ir em frente. Eu acredito que isso realmente tenha acontecido. Já estudei alguma coisa sobre assédio. Tenho certeza de que fui altamente assediada a não fazer o Caminho. Concentrei-me na imagem que tenho de Deus e comecei a meditar. Para mim, Deus é uma energia universal e cada um de nós é uma minúscula parte dessa energia. Libertei meus pensamentos e deixe-me levar por essa energia divina, e assim, em total união com Deus, voltei a viver meu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me senti mais aliviada e calma, desci para a Missa dos peregrinos. A igreja era simples e pequena, mas aconchegante. Senti muita paz ali! Parecia que a Missa seria o marco inicial do meu Caminho. De repente, um homem sentou-se no banco ao lado e começou a rezar em voz alta. Depois, levantou-se e saiu para o fundo da igreja. Quando voltou, estava com roupa de padre. Não percebi, mas a Missa já havia começado naquela oração que ele fez. Assisti a tudo aquilo emocionada. Fomos abençoados em vários idiomas, inclusive em português. Foi ali que percebi que realmente estava lá, no Caminho de Santiago. Não era um sonho! Era a mais pura realidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da Missa, o jantar! Foi uma festa! Era o primeiro de muitos do Caminho. Lá, as pessoas se reuniam em torno da mesa e ceiavam alegremente, dividindo com os companheiros as experiências e emoções vividas durante a caminhada daquele dia. A comida era farta e engordurada também. Não foi à toa que engordei uns quilinhos. Havia salada ou sopa de entrada, carne ou frango acompanhados de batatas fritas como prato principal, pudim de sobremesa e o melhor de tudo: água, pão e vinho à vontade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora de descansar! O primeiro dia era aguardado ansiosamente por todos os peregrinos. Íamos pisar o chão sagrado. Com medo de passar por todo aquele temor novamente, estiquei ao máximo minha estada no hall da pousada. O tempo passou rapidamente e chegava a hora de enfrentar meus medos. E eles eram enormes, profundos e apavorantes. Não sabia o porquê de nenhum deles, mas estavam ali, atormentando minha alma. Passei a noite praticamente em claro. Nos poucos cochilos que dei, tive pesadelos horrorosos. Sonhei com guerras, tiros, sangue. Eu fugia de alguma coisa o tempo todo. Meus amigos morriam ao meu lado e sentia-me culpada por isso. Mais uma vez, não pude desfrutar de uma boa noite de descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda era madrugada em Roncesvalles e pela cor do céu, o dia prometia ser de muito sol. Nada como começar o Caminho com uma dificuldade a menos! Levantei-me e fui espiar o dia amanhecendo da janela do meu quarto. Alguns peregrinos já estavam na rua. É incrível como tem gente que adora acordar antes mesmo do sol! Imagine se eu ia começar a caminhar por entre os bosques naquela escuridão! Mesmo porque ainda continuava muito assustada com meus pesadelos. O coração voltava a bater descompassado, eu tinha que fazer alguma coisa para me distrair. Pensei em escrever no diário todos os acontecimentos que vivi desde o embarque, mas não conseguia me concentrar. A ansiedade era grande! Pensei então, que um bom banho seria perfeito para relaxar, mas lembrei-me de que os peregrinos mais experientes me aconselharam a não molhar os pés antes de caminhar, porque a pele ficaria sensível e haveria maior probabilidade de surgirem bolhas. Então, restou-me arrumar a mochila o mais devagar possível, para que o tempo passasse mais rápido e minha cabeça ficasse ocupada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi barulho no quarto ao lado e fiquei um pouco mais aliviada ao constatar que meus amigos já estavam acordando. Desci e fiquei aguardando por eles no bar, fumando meu cigarro. Quem fuma sabe muito bem o que é ficar sentado esperando! Conforme o tempo passava, eu tentava aliviar a ansiedade aspirando aquela fumaça cinzenta. Lembrei da minha irmã dizendo que fumar era uma total falta de vergonha na cara, porque a gente só fuma quando não tem nada para fazer. Ela conseguiu deixar o cigarro e eu estava jogando todas as minhas esperanças no Caminho. Acontece que o Caminho não tira vícios. Quem os tira somos nós mesmos. Aprenderia com o tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Pireneus: Cadeia de Montanhas na fronteira da França e Espanha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Siesta – em português: Sesta – segundo o dicionário Aurélio: hora em que se descansa ou dorme após o almoço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBMptACUSdI/AAAAAAAAAE8/jVWYdmxD8kQ/s1600-h/Digitalizar0001.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193540648368884178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBMptACUSdI/AAAAAAAAAE8/jVWYdmxD8kQ/s400/Digitalizar0001.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193236294101387682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBIU5QCUSaI/AAAAAAAAAEk/rDQjnIMCEa4/s400/Roncesvalles.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBMn5gCUScI/AAAAAAAAAE0/V9PUIK_hw1A/s1600-h/Digitalizar0002.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193538664093993410" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBMn5gCUScI/AAAAAAAAAE0/V9PUIK_hw1A/s400/Digitalizar0002.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-3984457306157058873?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/3984457306157058873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=3984457306157058873&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3984457306157058873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/3984457306157058873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/ponto-de-partida.html' title='PONTO DE PARTIDA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBMptACUSdI/AAAAAAAAAE8/jVWYdmxD8kQ/s72-c/Digitalizar0001.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-6266059616041092172</id><published>2008-04-25T13:22:00.000-03:00</published><updated>2008-04-25T14:25:37.425-03:00</updated><title type='text'>A DESPEDIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBIT5ACUSZI/AAAAAAAAAEc/ZczrE48NBVQ/s1600-h/postal.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193235190294792594" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBIT5ACUSZI/AAAAAAAAAEc/ZczrE48NBVQ/s400/postal.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha despedida resumia-se a duas palavras: felicidade e medo. Estava feliz como nunca havia estado antes, porque era delicioso realizar um sonho com seu próprio esforço, mas ao mesmo tempo, estava apavorada! O que me deixava apreensiva era a mudança que estava por vir. Outro país, outra cultura, outra língua. Era preciso estar aberta a tudo e, de certa forma, havia em mim um bloqueio para enfrentar uma nova realidade. O que fazia tantas pessoas, inclusive eu, largarem tudo aqui no Brasil, atravessar o oceano para caminharem durante um mês? O que haveria de tão mágico naquele “Caminho Sagrado”? O que aconteceria na minha cabeça? E a volta? Será que o Caminho me ensinaria um jeito melhor de levar a vida? Ou será que eu voltaria mais confusa do que já estava? Sabia que era a minha hora de ir ao Caminho. Já estava tudo pronto e minha única opção era encarar com coragem o desafio que estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda não havia decidido se começaria o Caminho na França ou já na Espanha. Em Saint Jean ou Roncesvalles? Eram muitas dúvidas e isso me deixava cada vez com mais receio de levar a idéia do Caminho adiante. Quase desisti de tudo quando cheguei ao aeroporto, já na hora de embarcar. Minhas pernas tremiam e chorei como uma criança. Medo, alegria, desespero, ansiedade, vontade de fugir dali, enfim, uma mistura de sentimentos, bons e ruins, difíceis de controlar. Se eu tivesse ficado mais um minuto parada em frente ao portão de embarque, tenho certeza de que teriam me internado! Em questão de segundos, eu passava do choro intenso ao ataque de riso. Parecia uma doida varrida! E num impulso louco, entrei correndo como um furacão para a sala de espera. Era a melhor forma de tentar fugir da possibilidade de desistir!&lt;br /&gt;Na ante-sala, encontrei um homem que aparentava ser um peregrino. Aproximou-se de mim e perguntou exatamente a mesma coisa que eu tinha em mente:&lt;br /&gt;- “Você vai para o Caminho de Santiago?”&lt;br /&gt;Que alívio encontrá-lo! Muito bom saber que eu não era a única maluca que estava embarcando para um mês de caminhada na Espanha! Seu nome era Calixto e estava indo fazer o Caminho sozinho, exatamente como eu. Fiquei olhando para ele, calada, até que ele perguntou de novo:&lt;br /&gt;- “Então, você também vai para o Caminho de Santiago?”&lt;br /&gt;Respondi que sim e já fiquei grudada nele. Foi a maneira que encontrei de sentir-me um pouco menos insegura. Se é que isso é possível quando estamos prestes a pular num abismo desconhecido! Pior foi que aquele homem enorme também aparentava estar morrendo de medo. O jeito era ficar apoiado um no outro, como dois bêbados saindo de um bar, e seguir em frente. Um tempo depois, chegou outro peregrino. Esse eu já conhecia! Era Chico, um doce de pessoa. Já o havia encontrado na Associação dos amigos do Caminho de Santiago, no dia em que peguei minha credencial do peregrino. Não o deixei escapar! Quanto mais pessoas por perto, melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embarcamos. No vôo, ao meu lado, sentou-se um senhor português. No início, foi muito simpático comigo, perguntava sobre o Caminho de Santiago, se eu estava indo sozinha, porque eu havia escolhido esse modo tão estranho de refletir na vida, contou-me histórias da família toda... enfim, era um tagarela! Mas, o pior ainda estava por vir! Ele comia de boca aberta, falava de boca cheia, abria os braços sem deixar espaço suficiente para eu comer e ainda ficou um pouco bêbado. Meu Deus! Como era inconveniente!&lt;br /&gt;Após o jantar, escovei os dentes e voltei para a poltrona. Arrumei a melhor posição para descansar e cobri meu corpo, sempre rezando para que o velho não continuasse tagarelando no meu ouvido. Quando já estava quase dormindo, ainda naquele estado em que não sabemos direito o que é sonho e o que é realidade, senti um toque em minha perna. Não acreditei no que estava acontecendo! Simulei uma espreguiçada e recolhi-me um pouco. Não queria julgar o pobre velhinho. Ele devia estar dormindo e sua mão escorregou... Era isso, claro! Ledo engano. Aquela mão peluda e gosmenta tentava novamente tirar proveito da minha coxa indefesa. Em outra época, eu teria esbofeteado sua cara ou feito um escândalo. Mas o Caminho já estava em mim e achei que devia ser compreensiva e relevar. Para escapar do monstro cheio de mãos, levantei para um café. Passaria a noite toda em pé, enchendo o corpo de cafeína se fosse preciso! Tudo para não explodir de raiva e indignação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo parecia calmo, tentei voltar para a poltrona, mas ao chegar pertinho do meu santo lugar, o velho virou-se, quase caindo no corredor do avião, chamando-me com pinta de marido machão, fazendo caras e bocas como ninguém. Eis que surgiu uma mão amiga puxando-me para sentar ao seu lado. Santo Calixto! O peregrino que eu conheci antes de embarcar. Disse-me que havia percebido algo estranho, mas como eu não havia dado sinais de que estava em apuros, ficou só na moita esperando, talvez, um ato mais audacioso do velho. Enfim, teria uma noite de descanso! Se é que podemos descansar bem em aviões...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no aeroporto de Madrid, enquanto esperávamos o vôo para Pamplona, paramos para um café e lá estava ele! O velho tarado português! Já mostrando seu talento de “Dom Juan” a uma provável vítima. A vontade que me deu foi de ir até lá e falar poucas e boas para aquele velho! Não ia pagar esse mico logo em Madrid, né?! O melhor seria acreditar que ele logo pagaria pelo que fez. E com juros! Afinal, não se estraga uma noite de um peregrino. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-6266059616041092172?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/6266059616041092172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=6266059616041092172&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6266059616041092172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6266059616041092172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/despedida.html' title='A DESPEDIDA'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SBIT5ACUSZI/AAAAAAAAAEc/ZczrE48NBVQ/s72-c/postal.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-6745653173153933687</id><published>2008-04-21T12:37:00.000-03:00</published><updated>2008-04-21T22:10:53.601-03:00</updated><title type='text'>O INÍCIO DE TUDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meu Caminho de Santiago começou há alguns anos, não lembro exatamente onde, nem o porquê, mas já tinha a idéia de fazê-lo, desde que assisti um documentário na televisão sobre o assunto. Durante o programa, muitos peregrinos foram entrevistados e todos afirmavam estar sentindo muitas dores, chorando e sofrendo muito, cheios de bolhas de sangue nos pés. Fiquei encantada! Não que eu fosse sádica, mas o fato é que eu percebi o que havia por trás de todos aqueles sofrimentos: uma fé inabalável. E fui deixando-me levar pela emoção que todos, sem exceção, deixavam transparecer. Meus olhos grudados na tela da tv, como se eu pudesse entrar em cada uma daquelas pessoas e sentir um pouco daquela loucura. Loucura essa, que eu estava disposta a experimentar! Tive a certeza de que valeria realmente a pena atravessar o oceano e ir ao encontro do mais profundo e verdadeiro ser que habitava em mim. Todos ao meu redor chamaram-me de louca, diziam que tudo aquilo era fanatismo religioso, mas já era tarde! O Caminho estava me chamando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram cinco longos anos de espera, desde o dia em que tive a certeza de que iria ao Caminho. Nesse tempo, tive que me contentar em ler, assistir, pesquisar, ouvir tudo a respeito daquela história repleta de lendas e chuvas de estrelas, imaginando-me percorrendo aquele chão sagrado. Descobri que o Caminho fora trilhado pelos Druidas na idade média. Os Druidas eram os sacerdotes do povo Celta e viviam na região da Gália e na Irlanda. Eles faziam o Caminho para expulsar os maus espíritos e, ao chegar em Finisterre, onde julgavam ser o fim da Terra. Lá, queimavam suas vestes e jogavam-se ao mar, acreditando que, antes de morrer nas pedras, seus espíritos passavam para uma outra dimensão. Descobri também, que o Apóstolo Tiago, após a morte do Mestre Jesus, encarregou-se de levar a palavra de Deus àquela região. Ao voltar para Jerusalém, foi decapitado. Dois de seus seguidores, Teodoro e Atanásio, pegaram seu corpo e seguiram em um pequeno barco até a região hoje conhecida como Galícia. Seu corpo foi enterrado ali e seu túmulo ficou esquecido durante muitos séculos. No ano de 813, um pastor, de nome Pelayo, seguiu o que parecia uma “chuva de estrelas” e encontrou o túmulo do Apóstolo. A notícia espalhou-se rapidamente pelos quatro cantos do mundo e as pessoas saíam de suas casas peregrinando rumo ao Corpo Santo. Surgiram assim, as primeiras cidades, os primeiros hospitais (alguns deles, hoje, são grandes e luxuosos hotéis), as lendas e as primeiras igrejas. E a cada descoberta, aumentava a certeza de que eu iria ao Caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final de 2000 e início de 2001 minha vida deu uma maravilhosa guinada. Comecei a trabalhar como nunca. As coisas surgiam sem que eu fizesse esforço e as indicações de trabalho vinham de todos os lados. O telefone não parava. Enfim, depois de tanto tempo sonhando, eu teria dinheiro para ir à Espanha e aventurar-me por lugares até então desconhecidos para mim. É claro que a vida sempre nos põe diante de escolhas. E a minha foi bem cruel: o Caminho de Santiago ou a fama repentina e as conquistas materiais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei indecisa durante muito tempo. Naquela época, meu objetivo maior na vida, indiscutivelmente, era conquistar fama, status e dinheiro. Trocar tudo o que eu tinha conquistado até ali por uma viagem, talvez fosse loucura, mas a vida não poderia ser só aquilo. Era muito pouco! Deveria haver um motivo maior para estarmos vivos. Minha família e meus amigos tinham a mesma opinião: eu deveria ficar e continuar o trabalho. Quando já estava quase convencida de que deveria ouvir os conselhos alheios, ouvi uma voz dentro de mim dizendo:&lt;br /&gt;“As coisas materiais não duram para sempre! Elas se deterioram, podem ser roubadas. O Caminho não! Será eterno! Ninguém nunca poderá tirá-lo de você!”&lt;br /&gt;Então, em um impulso, decidi trocar o material pelo espiritual e fui em busca do verdadeiro sentido de estar viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisando mais sobre o Caminho, descobri um grupo de e-mails na Internet, chamada Santiago. Entrei em contado com pessoas que já haviam feito o Caminho e com outras tantas, ainda sonhadoras como eu. Num daqueles dias, li uma mensagem de uma futura peregrina, que propunha uma caminhada-treino pelas ruas do Rio, saindo de Laranjeiras e subindo até o Corcovado. Por algum motivo, ela chamou minha atenção. Trocamos alguns e-mails e acabamos ficando amigas. Karina era uma peregrina super informada. Tinha lido vários livros e guias do Caminho de Santiago. Seu equipamento, como: mochila, botas, meias, saco de dormir, era o mais moderno e sofisticado. Ela já tinha coisas que eu nem pensava em comprar! Estava treinando há mais de um ano com o marido e com certeza estava preparada para enfrentar quaisquer obstáculos sem grandes dificuldades. Fiquei um pouco assustada com aquilo, porque minhas botas eram novas e há muito tempo eu não sabia o que era fazer exercícios. Não tinha condições físicas para agüentar um dia inteiro de caminhada e, por ser fumante, tampouco teria fôlego para enfrentar subidas fortes. E a cada dia eu tinha mais dúvidas sobre a hora certa de ir. Será que eu estava errada? Seria preciso esperar mais tempo para realizar a viagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SA06zwCUSXI/AAAAAAAAAEM/8CohMXuKy54/s1600-h/Digitalizar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191870606170409330" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SA06zwCUSXI/AAAAAAAAAEM/8CohMXuKy54/s320/Digitalizar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Resolvi testar minha capacidade física. Coloquei algumas roupas pesadas na mochila e fiz a tal caminhada com a Karina e o pessoal da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago. Neste dia mesmo, enfrentei meu primeiro grande obstáculo. Senti uma forte dor no dedão do pé esquerdo e era quase certo que o problema estava no tamanho das minhas botas. Descobri que geralmente os peregrinos as compravam em tamanhos maiores que o usual, porque usavam dois pares de meia para evitar as bolhas. As minhas, aparentemente, estavam no tamanho ideal, certinhas no pé. Mas, como sou cabeça dura, não admiti que podia estar errada e decidi que iria com minhas caríssimas botas. Além disso, ainda faltavam muitos acessórios para comprar (capa de chuva, saco de dormir, calça impermeável...) e não quis gastar mais dinheiro com o que julguei ser dispensável.&lt;br /&gt;Apesar do cansaço e da dor, não me sentia mal e andaria tudo de novo no mesmo dia. Na volta, resolvemos passar em uma farmácia para pesar as mochilas. A minha estava com onze kg! Abusada a menina, não? Foi tranqüilo para um dia, mas era preciso lembrar que o Caminho duraria um mês ou mais e o indispensável precisaria ser deixado para trás. Talvez essa tenha sido a parte mais difícil da minha preparação. Passei dias e dias, arrumando e desarrumando a mochila e nunca chegava a uma conclusão do que realmente seria indispensável levar para o Caminho. Mais uma vez, estava diante de escolhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo se passou em um piscar de olhos. Quando vi, faltavam apenas alguns dias para o embarque. Ainda teria que pegar minha credencial do peregrino&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, as roupas de tactel (que mandei fazer em outra cidade), comprar os remédios que os outros peregrinos recomendaram, deixar dinheiro para pagar as contas que chegariam, comprar dólares, esperar o cartão de crédito chegar, despedir-me de meus amigos e familiares... Ufa! Não havia tempo nem para respirar! Mesmo assim, esqueci de resolver muitas coisas, como programar o pagamento do cartão de crédito, para que não faltasse dinheiro, como realmente faltou, quando terminei o Caminho e cheguei em Madrid. Mas isso é outra história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda pensava em como poderia aliviar o peso da mochila. Já tinha tirado muitas coisas e tudo o que estava dentro dela pareceu-me indispensável. O que mais pesava eram os remédios e produtos de higiene pessoal. Esvaziei a embalagem de creme dental, deixando o suficiente para um mês, coloquei uma pequena quantidade de xampu em um pequeno recipiente e fui ao cabeleireiro cortar o cabelo. Só Comprei também uma dessas toalhas esportivas, que mais parecem um pano de pia. Enxuguei-me com ela dezenas de vezes, para ver se dava conta do recado e, por incrível que pareça, a danada não fez feio. Pronto! Faltava apenas esperar mais uns dias para o sonhado embarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, fui despedindo-me do mundo real e entrando em contato com aquela estranha energia do Caminho de Santiago, que dava aos seus peregrinos o tão desejado brilho nos olhos. Meu coração se apertava a cada dia. Minha vida estava mudando, eu estava mudando! Mesmo sem estar fisicamente no Caminho, já o sentia em mim. Era a minha vez de provar o elixir que vicia, a energia que renova, a fé inabalável, a perseverança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e o Caminho nos tornamos um só. Eu era o Caminho e o Caminho era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4495797629393870779#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; A Credencial do peregrino é nosso passaporte. É o documento que devemos apresentar nos albergues, onde recebemos um carimbo. Essa é a forma que temos de garantir o descanso, os descontos e comprovar que fizemos o Caminho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-6745653173153933687?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/6745653173153933687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=6745653173153933687&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6745653173153933687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/6745653173153933687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/o-incio-de-tudo.html' title='O INÍCIO DE TUDO'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SA06zwCUSXI/AAAAAAAAAEM/8CohMXuKy54/s72-c/Digitalizar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-7867729949952543985</id><published>2008-04-21T12:28:00.001-03:00</published><updated>2010-08-16T16:44:11.226-03:00</updated><title type='text'>Contos e Encantos no Caminho do Campo das Estrelas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SA07kQCUSYI/AAAAAAAAAEU/ZXK_PYZcWXY/s1600-h/Compostela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191871439394064770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SA07kQCUSYI/AAAAAAAAAEU/ZXK_PYZcWXY/s400/Compostela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ouvi dizer muitas vezes que o Caminho de Santiago começa ao se chegar na Catedral de Compostela. Parece estranho, mas é a mais pura verdade! Só agora estou começando a entender tudo o que vivi. Quando voltei do Caminho, tentei inúmeras vezes revivê-lo em outras viagens, nos encontros com os demais peregrinos, mas nada era igual. Sofri bastante. Por meses fiquei contando as histórias que vivi, numa busca frenética de ainda estar lá. Ao perceber que ninguém me entendia, resolvi calar-me e guardá-lo dentro do meu coração. Comecei a viver na solidão, pois nada mais fazia sentido para mim. A saudade aumentava e o arrependimento por ter voltado para casa me angustiavam. Escrever era a única saída. As palavras tornaram-se minhas melhores amigas. Foram longas noites viradas, muitos dias sem ver a luz do sol. Nada me dava mais prazer do que ficar na frente da tela do computador, revivendo o Caminho, nas asas do pensamento. Algumas vezes, enquanto escrevia, as lágrimas caiam sobre o teclado, em outras, acordava a casa toda com minhas risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos fui voltando à vida normal. Já sentia-me preparada para enfrentar a “fogueira das vaidades” do mundo artístico. Continuava escrevendo, mas já voltava a fazer os testes de elenco para estrelar campanhas publicitárias. Claro que eu já não mais me encaixava naquele mundinho. Camarins, maquiagens, produtores estressados, modelos fúteis. Meus objetivos estavam muito além das pequenas participações em novelas, das fotos estampadas nas revistas ou dos comerciais de televisão. Eu tinha algo muito importante para dizer ao mundo e precisava encontrar uma maneira de fazê-lo! Não podia ficar esperando uma chance, teria que criá-la. As palavras escritas durante as noites mal dormidas seriam o primeiro passo. A partir dali, comecei a distribuir algumas páginas dos meus escritos e ficava observando a reação das pessoas. Era maravilhoso ver que eu estava conseguindo emocioná-las. Depois de lerem as poucas páginas, sempre me perguntavam como a história continuava, queriam saber das lendas, das pessoas, pediam que eu escrevesse mais e publicasse um livro. Fui ficando cada vez mais certa de que era esse o rumo que deveria seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, nove anos depois, eis minha história. Convido você a embarcar comigo nessa aventura. Se em algum momento eu conseguir tocar seu coração, já fico satisfeita. Só não se esqueça de que cada um tem seu caminho e cada caminho tem sua hora. Está escrito no Campo das estrelas. Está escrito em Compostela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buen Camino amigos! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-7867729949952543985?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/7867729949952543985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=7867729949952543985&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7867729949952543985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/7867729949952543985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/contos-e-encantos-no-caminho-do-campo.html' title='Contos e Encantos no Caminho do Campo das Estrelas'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SA07kQCUSYI/AAAAAAAAAEU/ZXK_PYZcWXY/s72-c/Compostela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4495797629393870779.post-8444234179234899600</id><published>2008-04-14T16:58:00.000-03:00</published><updated>2008-04-21T22:14:04.643-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tilara Serpa'/><title type='text'>O primeiro passo!</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SAO_42JarKI/AAAAAAAAAD8/qKJJ0S2DueU/s1600-h/Peregrina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189202178989534370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SAO_42JarKI/AAAAAAAAAD8/qKJJ0S2DueU/s320/Peregrina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em maio de 2001, quando retornei do CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA, minha vontade era continuar caminhando para sempre, como Forest Gump (rsrsrs). Durante noites a fio, fiquei em frente à tela do computador, traduzindo em palavras o que vivi no Caminho. Queria lançar um livro. Enquanto eu revivia a viagem, tinha mais e mais idéias. Um programa de televisão, um site interativo, teatro e poesia no Caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, abril de 2008, dou o primeiro passo do Projeto Buscaapé Brasil. Nasce aqui o blog Buscaape! Nele, vou aos poucos acrescentando capítulos da minha viagem ao CAMINHO DE SANTIAGO e em seguida ao CAMINHO DO SOL. Postarei também, tudo sobre as reuniões de peregrinos no Brasil, dicas sobre peregrinação, fotos e, em breve, falarei mais sobre os próximos passos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultreya &amp;amp; Suseya!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4495797629393870779-8444234179234899600?l=buscaape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buscaape.blogspot.com/feeds/8444234179234899600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4495797629393870779&amp;postID=8444234179234899600&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8444234179234899600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4495797629393870779/posts/default/8444234179234899600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buscaape.blogspot.com/2008/04/o-primeiro-passo.html' title='O primeiro passo!'/><author><name>Atriz, Apresentadora e Mestre de cerimônias.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06730986525824703955</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/TC6MRpEDzRI/AAAAAAAAAq4/VOv4yHj-vgY/S220/T24.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_UrnxT4SYEZU/SAO_42JarKI/AAAAAAAAAD8/qKJJ0S2DueU/s72-c/Peregrina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry></feed>
